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Dores espalhadas pelo corpo, cansaço intenso, noites mal dormidas e dificuldade para realizar tarefas simples da rotina. Sintomas muitas vezes invisíveis, mas que impactam profundamente a vida de milhões de brasileiros diagnosticados com Fibromialgia e síndrome da fadiga crônica, também conhecida como encefalomielite miálgica.

Neste 12 de maio, data marcada pelo Dia Mundial e Nacional de Conscientização sobre essas condições, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce, do tratamento multidisciplinar e da redução do preconceito enfrentado pelos pacientes.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, cerca de 6,5 milhões de brasileiros convivem com a Fibromialgia, o equivalente a aproximadamente 3% da população. A maior parte dos pacientes é formada por mulheres.

A aposentada Angelina da Silva, de 62 anos, convive com a doença há 15 anos e relata que a dor constante alterou completamente sua rotina.

“Sinto dores no corpo todo de forma variada. Algumas mais intensas, outras mais leves, mas sempre desconfortáveis”, conta.

Moradora de Orobó, em Pernambuco, ela realiza tratamento pelo Sistema Único de Saúde no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, onde recebe acompanhamento multidisciplinar contínuo.

Condição invisível

A Fibromialgia é caracterizada principalmente por dores musculoesqueléticas generalizadas, frequentemente acompanhadas de fadiga, distúrbios do sono, ansiedade, alterações cognitivas, dificuldade de memória e sensibilidade elevada ao toque.

Embora as causas exatas ainda não sejam totalmente conhecidas, estudos apontam que a condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central que aumentam a percepção da dor.

Já a síndrome da fadiga crônica tem como principal característica um cansaço persistente e incapacitante que não melhora com repouso e pode piorar após esforços físicos ou mentais. Tonturas, dores musculares e problemas de concentração também estão entre os sintomas mais frequentes.

A reumatologista Aline Ranzolin, coordenadora do ambulatório especializado do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, afirma que o diagnóstico correto é essencial para evitar agravamento dos sintomas.

“O diagnóstico diferencial é fundamental para afastar outras doenças e iniciar o tratamento de controle o mais rápido possível”, explica.

Segundo a especialista, além de medicamentos, o tratamento envolve mudanças na rotina e estratégias de qualidade de vida.

“A educação do paciente é uma das principais etapas. Também são fundamentais atividade física supervisionada, terapia psicológica e hábitos que promovam bem-estar”, afirma.

Reconhecimento legal

Desde janeiro de 2026, a Fibromialgia, a fadiga crônica e outras síndromes dolorosas correlatas passaram a poder ser reconhecidas legalmente como deficiência, conforme prevê a Lei nº 15.176/2025.

A avaliação é feita por equipe multiprofissional e leva em consideração o impacto funcional da condição na vida do paciente, incluindo limitações para trabalho, mobilidade, autocuidado e participação social.

O fisioterapeuta Gabriel Parisotto, do Hospital Universitário da Universidade Federal de Roraima, explica que o reconhecimento depende do grau de incapacidade funcional.

“É necessário avaliar a persistência dos sintomas, as limitações nas atividades diárias e os prejuízos sociais e profissionais provocados pela doença”, destaca.

Exercícios e acompanhamento

Especialistas apontam que exercícios físicos supervisionados são parte fundamental do tratamento. Atividades leves e graduais ajudam no controle da dor, na melhora do sono e na qualidade de vida.

A profissional de educação física Lidiane Gomes, do Hospital Universitário de Brasília, afirma que estudos recentes mostram benefícios importantes da prática regular de exercícios.

“Os resultados incluem melhora da capacidade funcional, redução da dor crônica, melhora do sono e diminuição da rigidez muscular”, explica.

Além da fisioterapia e da atividade física, técnicas de relaxamento, acompanhamento psicológico e controle do estresse também fazem parte da abordagem terapêutica.

Preconceito amplia sofrimento

Apesar do impacto físico e emocional, pacientes ainda enfrentam desconfiança e estigma, principalmente porque muitas vezes os sintomas não aparecem em exames laboratoriais ou de imagem.

A psicóloga Nataly Netchaeva, do Hospital Universitário Antônio Pedro, afirma que a invalidação das dores agrava o sofrimento emocional dos pacientes.

“Muitas mulheres relatam que suas dores são desacreditadas até pelas pessoas próximas. Isso contribui para sentimentos de solidão, ansiedade e depressão”, afirma.

Segundo especialistas, ampliar a conscientização sobre essas condições é fundamental para reduzir preconceitos e garantir acolhimento adequado aos pacientes que convivem diariamente com dores e fadiga incapacitantes.

Foto: Freepik

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