Carregando…

Compartilhe

Pesquisa do Sebrae mostra avanço do uso de tecnologia nos negócios e aponta crescimento do empreendedorismo entre pessoas com 60 anos ou mais

A inteligência artificial já aparece como uma das principais apostas dos empreendedores brasileiros para melhorar seus negócios. Entre os que estão no início da atividade empresarial, 74% consideram a tecnologia uma prioridade digital para as operações, segundo a edição 2024/2025 da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), apresentada pelo Sebrae nesta quarta-feira (16).

O levantamento também mostra uma mudança no perfil etário do empreendedorismo no país. Pessoas com 60 anos ou mais representam 16,5% dos empreendedores brasileiros, enquanto entre aqueles de 65 a 74 anos há quase 4 milhões de pessoas à frente de negócios, segundo estimativas apresentadas no seminário “Tendências do Empreendedorismo no Brasil”.

A pesquisa GEM é considerada a maior investigação sobre empreendedorismo do mundo e é realizada no Brasil em parceria entre o Sebrae e a Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe).

IA ganha espaço entre empreendedores

O avanço da inteligência artificial aparece principalmente entre os empreendedores em estágio inicial, grupo formado por pessoas com negócios em fase de criação ou com até 3,5 anos de atividade.

Segundo os dados apresentados pela especialista em Ciências Econômicas Simara Greco, 74% desse público consideram a IA uma prioridade para os negócios. A expectativa não está restrita à automação de tarefas.

Entre os empreendedores iniciais, 74% acreditam que a tecnologia será decisiva para a inovação e para a criação de novos produtos e serviços. Outros 73% esperam avanços significativos na personalização do atendimento aos clientes.

A intenção de ampliar o uso de tecnologias digitais é maior entre os mais jovens. Na faixa de 18 a 34 anos, 84% dos empreendedores demonstram intenção de ampliar o uso desses recursos.

“O maior percentual de uso está na faixa etária de 18 a 34 anos, com 84% das intenções de uso. O Brasil está na terceira posição entre os empreendedores iniciais e na sétima, entre os estabelecidos, com a maior intenção de ampliar o uso de tecnologias digitais”, afirmou Simara.

WhatsApp ainda lidera entre as ferramentas digitais

Apesar do avanço da inteligência artificial, ferramentas já incorporadas à rotina das empresas continuam predominando.

O WhatsApp é utilizado por 94% dos empreendedores brasileiros, enquanto as mídias sociais aparecem em 75% dos negócios, de acordo com os dados apresentados no seminário.

A IA, porém, já supera algumas ferramentas tradicionais quando os empreendedores apontam suas prioridades digitais. Sites próprios e canais de comércio eletrônico foram citados por 35% dos entrevistados.

Os números indicam que a tecnologia passa a ser vista não apenas como um instrumento de divulgação, mas também como recurso para desenvolvimento de produtos, atendimento e relacionamento com consumidores.

Segurança de dados preocupa empresários

A expansão da inteligência artificial também traz preocupações. A segurança e a privacidade dos dados são apontadas como os principais receios por 51% dos empreendedores em estágio inicial e por 54% dos empreendedores estabelecidos.

O levantamento também coloca o Brasil na oitava posição entre os países em que os empreendedores mais demonstram preocupação com o aumento dos custos operacionais e com a complexidade técnica envolvida na implementação da IA.

O cenário mostra que, ao mesmo tempo em que a tecnologia é vista como oportunidade de inovação, sua adoção envolve desafios relacionados a investimento, conhecimento técnico e proteção das informações utilizadas pelas empresas.

Empreendedorismo sênior ganha espaço

Outro ponto destacado no seminário foi o crescimento da participação de pessoas mais velhas no empreendedorismo.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, indicam que 16,5% dos empreendedores brasileiros têm 60 anos ou mais.

Entre as pessoas de 65 a 74 anos, as estimativas apresentadas pela GEM apontam quase 4 milhões de empreendedores. Desse total, cerca de 1,5 milhão estão em estágio inicial e 2,4 milhões já comandam negócios estabelecidos há mais de 3,5 anos.

A maior parte desse grupo não entrou no empreendedorismo necessariamente por falta de alternativas no mercado de trabalho. Cerca de 63% afirmam empreender por oportunidade, percentual semelhante ao registrado entre jovens de 18 a 34 anos.

Público sênior tem maior escolaridade e renda

O perfil dos empreendedores seniores também apresenta características específicas. Entre as pessoas de 65 a 74 anos, 51% possuem ensino superior completo e 70% apresentam rendimentos acima da média geral.

A participação feminina, entretanto, ainda é menor. As mulheres representam 38% dos empreendedores seniores, segundo os dados apresentados.

A diversidade racial também aparece como um desafio. Entre os negócios estabelecidos, 64% dos empreendedores são brancos e 33% são pretos ou pardos.

Nos negócios em estágio inicial, contudo, a distribuição se inverte: 57% dos empreendedores seniores são pretos ou pardos, enquanto 38% são brancos.

Franquias atraem empreendedores mais velhos

O sistema de franquias aparece como uma das alternativas procuradas por empreendedores seniores, principalmente pela possibilidade de investir em modelos de negócio já estruturados.

Segundo os dados apresentados no seminário, empreendedores seniores aparecem tanto entre franqueadores quanto entre franqueados. Entre os negócios iniciais, 5% atuam como franqueados, enquanto a participação como franqueadores fica em 9% entre um dos grupos analisados e 8% em outro.

Para o empresário José Ramalho, responsável pela franquia R-Crio Células Tronco, a estrutura oferecida pelas franquias pode atrair pessoas que buscam reduzir os riscos na aplicação de recursos acumulados ao longo da vida.

“Esses são modelos validados, testados, com mais segurança financeira para quem está investindo suas economias de vida”, afirmou.

Segundo ele, negócios relacionados ao envelhecimento da população, como residenciais para idosos, serviços de cuidadores e academias cognitivas, estão entre os segmentos procurados por esse público.

Pesquisa reúne dados de 110 países

O Global Entrepreneurship Monitor é realizado em 110 países e acompanha diferentes características do empreendedorismo.

No Brasil, a edição mais recente contou com 2.350 entrevistas com pessoas adultas entre 18 e 64 anos. O levantamento considera empreendedores nascentes, novos empreendedores e empreendedores estabelecidos.

São classificados como nascentes aqueles que realizaram, nos últimos 12 meses, alguma ação para abrir um negócio ou possuem uma empresa com até três meses de operação. Os novos têm negócios com mais de três meses e menos de 3,5 anos. Já os estabelecidos atuam há mais de 3,5 anos.

Com informações e imagem da Agência Sebrae de Notícias

Os comentários a seguir não representam a opinião do Portal Total News

Deixe um comentário