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Gustavo Vicente

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A pecuária brasileira, uma das maiores do mundo em volume e valor, ainda convive com um paradoxo gritante: a tecnologia nas cercas, mas não nos sistemas de gestão. Há GPS no trator, drone sobrevoando pasto, mas o controle do rebanho segue em planilhas caseiras, anotações manuais ou, pior, na memória do gerente.

É neste contexto que começa a ganhar espaço uma abordagem mais moderna da gestão pecuária, baseada em dados e integração entre processos. O ciclo produtivo do gado (que vai da genética ao abate, passando por reprodução, cria, recria e engorda) já pode ser acompanhado com precisão e controle, em cada fase, com apoio de soluções digitais. Mas poucos aproveitam esse potencial de forma estruturada.

A informação que o produtor não vê, custa caro. Custos de ração, tratos sanitários, perdas por mortalidade, ineficiência no manejo, erros de entrada e saída de animais, falhas na rastreabilidade são elementos que afetam diretamente o lucro da operação. E tudo isso pode ser evitado ou reduzido com ferramentas digitais que organizam, cruzam e disponibilizam dados em tempo real.

A gestão informatizada permite, por exemplo:

  • Controlar o banco genético e os protocolos de inseminação com vínculo direto aos custos da operação;
  • Gerenciar tratos alimentares, condições corporais e pesagens com dados precisos e históricos;
  • Mapear eventos sanitários com registros fotográficos, alertas e diagnósticos em campo;
  • Fazer controle de inventário de insumos e animais com rastreabilidade para exportação;
  • Realizar entrada e saída de animais com integração a documentos fiscais, GTA e certificadoras;
  • Operar em modo off-line em currais remotos, sincronizando dados posteriormente.

A digitalização não substitui o conhecimento do homem de campo. Na verdade ela o potencializa. É a combinação entre manejo tradicional e controle moderno que constrói uma pecuária eficiente, lucrativa e pronta para atender as exigências do mercado interno e externo, especialmente em temas como bem-estar animal, rastreabilidade e sustentabilidade.

O que impede a pecuária de avançar?
Esta é uma pergunta que sempre escuto. Para ser sincero, a resposta está menos na tecnologia e mais na cultura. A resistência à mudança, o medo de complexidade e a falsa ideia de que “a tecnologia não serve para fazendas pequenas” ainda bloqueiam o progresso. Mas quem já deu o passo rumo à informatização sabe: o retorno vem rápido, não só em produtividade, mas também em segurança na tomada de decisão.

Não basta ter gado de genética superior. É preciso ter gestão à altura. A pecuária do futuro não é só sobre pasto e arroba, é sobre dados, controle e visão estratégica

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

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Gustavo Vicente

Atua há mais de 13 anos com Comunicação Institucional e Reputação. Jornalista, escreve sobre o impacto real da Inteligência Artificial na comunicação, na tomada de decisão e na gestão de crises. Defende o uso da tecnologia com método, responsabilidade e critério institucional. | @gustavo.nv

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