O mercado financeiro iniciou junho sob o impacto das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Enquanto a bolsa brasileira registrou forte queda e atingiu o menor patamar desde janeiro, o petróleo disparou mais de 4% no mercado internacional. O dólar, por sua vez, contrariou o cenário de aversão ao risco e fechou em baixa frente ao real.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou esta segunda-feira (1º) aos 172.197 pontos, com recuo de 0,91%. Foi a quinta sessão consecutiva de perdas e o pior fechamento desde 21 de janeiro.
A queda ocorreu em meio ao aumento das incertezas globais após o agravamento da crise envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. O cenário levou investidores a reduzir posições em mercados considerados mais arriscados, como os países emergentes, e buscar ativos de proteção.
Entre os papéis que mais pressionaram o índice estiveram ações de grandes bancos e mineradoras. Na direção oposta, os papéis da Petrobras ajudaram a limitar perdas mais expressivas, impulsionados pela forte valorização do petróleo no mercado internacional.
Petróleo sobe com temor sobre oferta global
A principal preocupação dos investidores foi a possibilidade de interrupções no fornecimento mundial de petróleo.
Os preços da commodity dispararam após a agência iraniana Tasnim informar que Teerã suspendeu negociações indiretas com os Estados Unidos e passou a discutir medidas relacionadas ao Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta para o transporte de petróleo.
O barril do petróleo Brent, referência internacional, avançou 4,2% e fechou cotado a US$ 94,98. Já o petróleo WTI, negociado nos Estados Unidos, registrou alta ainda mais intensa, de 5,5%, encerrando o dia a US$ 92,16 por barril.
Ao longo da sessão, ambos chegaram a subir mais de 6%, refletindo o temor de que uma escalada militar na região afete o fluxo global da commodity.
Analistas observam que qualquer ameaça ao Estreito de Ormuz costuma provocar forte reação dos mercados, já que aproximadamente um quinto do petróleo consumido no mundo passa pela região.
Dólar fecha em queda
Apesar do ambiente de instabilidade internacional, o dólar terminou o dia em baixa diante do real.
A moeda norte-americana encerrou o pregão cotada a R$ 5,023, com recuo de 0,39%. O resultado veio após a valorização de 1,82% registrada em maio.
No acumulado de 2026, a divisa norte-americana ainda apresenta queda de 8,5% frente à moeda brasileira.
O principal fator que sustentou o real foi justamente a alta do petróleo. Como o Brasil é um importante exportador da commodity, a valorização internacional tende a aumentar a entrada de dólares na economia brasileira, fortalecendo a moeda nacional.
O movimento ocorreu mesmo diante da valorização global do dólar, medida pelo índice DXY, que acompanha o desempenho da moeda dos Estados Unidos frente a uma cesta de divisas internacionais.
Investidores acompanham próximos passos
O comportamento dos mercados nas próximas semanas deve continuar fortemente ligado aos desdobramentos da crise no Oriente Médio.
Investidores acompanham de perto os sinais emitidos por Washington e Teerã sobre a possibilidade de retomada das negociações diplomáticas. Qualquer avanço ou deterioração nas conversas poderá influenciar diretamente os preços do petróleo, o câmbio e os mercados acionários em todo o mundo.
Enquanto isso, a volatilidade permanece elevada e reforça a cautela dos agentes financeiros diante de um cenário internacional marcado por incertezas geopolíticas e preocupações com o crescimento econômico global.
Com informações e imagem da Agência Brasil





















