Carregando…

Compartilhe

Viabilizada pela PNAB, iniciativa do NAUS – Plataforma Sul-mato-grossense de Incentivo à Criação em Artes Visuais reúne os artistas Leo Mareco, Gabirol e Sol Terena para romper com suportes tradicionais; abertura acontece no dia 05 de junho

No dia 05 de junho, o cenário das artes visuais de Campo Grande ganha um espaço dedicado à investigação e ao hibridismo de linguagens com a abertura das exposições individuais do programa “Farol”. Promovido pelo NAUS – Plataforma Sul-mato-grossense de Incentivo à Criação em Artes Visuais, o circuito apresenta os trabalhos de Leo Mareco, Gabirol e Sol Terena, selecionados a partir de uma convocatória pública aberta no final de 2025.

O projeto foi contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio da Prefeitura Municipal de Campo Grande e da Fundação Municipal de Cultura (Fundac). Com montagem iniciada no dia 25 de maio, a proposta do “Farol” é transformar o espaço expositivo em um laboratório público de poéticas contemporâneas. A comissão de seleção foi composta pelos curadores Osmar Paulino e Cassia Nunes, contando com o acompanhamento artístico e curatorial de Elias de Aquino e Osmar Paulino.

Diferente das premiações tradicionais, o critério principal da seleção buscou propostas que dialogassem com a arte contemporânea e rompessem com suportes já consolidados, como a pintura e a escultura clássicas, abrindo espaço para instalações, performances, objetos e pesquisas processuais.

“O principal objetivo do Farol é incentivar uma produção que acontece através de procedimentos ainda pouco valorizados e difundidos no campo das artes visuais sul-mato-grossense”, explica o curador Elias de Aquino.

“Quando falamos de procedimentos contemporâneos, estamos falando de linguagens novas, experimentais, que muitas vezes não têm espaço nas categorias de editais tradicionais e acabam não sendo abarcadas pela história da arte local. Almeja-se menos que sejam obras de arte finalizadas e polidas, e mais que funcionem como pesquisas em andamento e experimentações.”

Os Artistas e as Obras

Leo Mareco, artista visual e arte-educador formado pela UFMS, traz para o circuito a série Fardo. Conhecido por suas intervenções urbanas que dialogam com a arquitetura e a memória local, Mareco utiliza suportes inusitados, como lambe-lambes, arte digital, fotografia e objetos cotidianos (como bandejas) carregados de simbolismo.

“Procuro evidenciar o corpo que sustenta a cidade. Recontextualizo imagens fortes para promover uma reflexão visual e poética sobre a exploração da força de trabalho em diferentes contextos sociais e históricos. A série expõe, de modo quase irônico, o peso invisível do trabalho precarizado, um fardo coletivo que se disfarça sob a estética polida do consumo rápido”, pontua o artista.

A representatividade dos povos originários e a força da tradição viva marcam a presença de Sol Terena (Lucineide Clementino Sol). Residente na aldeia Tereré, em Sidrolândia, Sol é artista visual, ativista, ilustradora, Mulher Indígena com Deficiência (PcD) e detentora de prêmios de prestígio nacional (como o Sim à Igualdade Racial 2023 e o Prêmio Cunhambé Tupinambá 2025). Em sua produção, ela traz a cosmovisão de seu povo por meio da pimenta corporal e do uso do urucum.

“Levarei a cultura indígena através da arte, manifestando a tradição milenar da pintura corporal na cor vermelha do urucum. Essa cor será representada de várias formas: em fotografias, telas com pigmentos naturais e também com a presença física do fruto e das sementes na exposição. Quero trazer essa representatividade e a força dos povos originários”, afirma Sol.

Nayara Correa, ou Gabiru, natural de Bela Vista (fronteira com o Paraguai) e atuante em Campo Grande, apresenta a exposição “território de dados”. Com formação em Direito pela UFMS, especialização em Direitos Humanos (PUC-RS) e graduação em Artes Visuais em andamento (UFMS), a artista integra a Coletiva Reciclagem e pesquisa as intersecções entre cultura, tecnologia, fronteiras e hibridismos.

“A exposição propõe uma reflexão sobre as relações entre tecnologia, memória e poder, questionando o que acontece quando o território, o corpo, a imagem, e até mesmo a fé, passam a integrar redes contínuas de captura e processamento”, explica Gabiru.

Entre suas obras no circuito estão “Altar à fé programada”, que desloca a memória dos oratórios domésticos para carcaças de televisões e celulares pintados; “ouro de tolo no chão de barro”, que reflete sobre trabalho e território usando o jeans como símbolo global; a série fotográfica “Corpo-recurso”, que evoca o extrativismo e o esgotamento dos corpos e da terra; e a obra “Máquina de carne”, que tensiona a relação entre corpo, carne e circuitos para debater os processos de controle no campo.

Ações Formativas

Cumprindo o papel de intercâmbio com a comunidade e democratização do acesso à cultura, além das exposições, cada um dos artistas desenvolverá uma oficina/ação formativa gratuita.

SERVIÇO
● Evento: Abertura do Circuito de Exposições Individuais – Programa “Farol” (NAUS)
● Artistas: Leo Mareco, Gabiru e Sol Terena
● Curadoria e Acompanhamento: Elias de Aquino e Osmar Paulino
● Seleção de propostas: Osmar Paulino e Cássia Nunes
● Projeto expográfico: Eliane Fraulob
● Abertura: 05 de junho de 2026, 18h
● Local: Galeria Wega Nery do Centro Cultural José Octávio Guizzo (Rua 26 de Agosto,
453 – Centro)
● Entrada: Gratuita

  • Texto: assessoria

Os comentários a seguir não representam a opinião do Portal Total News

Deixe um comentário

Total News MS

AD BLOCKER DETECTED

Indicamos desabilitar qualquer tipo de AdBlocker

Please disable it to continue reading Total News MS.