Programa federal contabiliza quase 8 mil prisões e prejuízo bilionário às facções; especialistas apontam que resultados dependem de continuidade das ações
O governo federal informou ter apreendido 82,5 toneladas de drogas e realizado 7.961 prisões nos primeiros 30 dias do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado em maio pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Segundo a pasta, as operações também resultaram na apreensão de armas, bloqueio de recursos financeiros e prejuízo estimado em R$ 1,6 bilhão às organizações criminosas.
Os números foram divulgados nesta segunda-feira pelo ministério como um balanço inicial da iniciativa, criada para intensificar o combate ao tráfico de drogas, ao comércio ilegal de armas e às estruturas financeiras das facções criminosas.
Além das drogas apreendidas, as forças de segurança recolheram 356 armas, mais de 20 mil munições, destruíram cerca de 93 mil pés de maconha e apreenderam mais de 19 mil unidades de drogas sintéticas. As ações mobilizaram quase 10 mil agentes de segurança em operações realizadas em todos os estados brasileiros.
Embora os resultados indiquem um volume expressivo de apreensões, especialistas em segurança pública costumam destacar que operações pontuais, por si só, não são suficientes para reduzir de forma permanente a atuação do crime organizado. O principal desafio continua sendo atingir as fontes de financiamento das organizações criminosas e impedir sua capacidade de reorganização.
Estratégia mira patrimônio das facções
Uma das frentes consideradas prioritárias pelo governo é o enfraquecimento financeiro das organizações criminosas.
De acordo com o balanço, foram apreendidos R$ 523,3 milhões em bens vinculados a atividades ilícitas, bloqueados R$ 22,2 milhões em ativos financeiros e aplicadas multas que somam R$ 10,4 milhões.
A estratégia busca atingir diretamente o patrimônio das facções, que frequentemente utilizam empresas de fachada, lavagem de dinheiro e redes financeiras complexas para movimentar recursos provenientes de atividades ilegais.
Entre as operações que mais causaram impacto financeiro, segundo o governo, estão as ações denominadas Renoe, Fronteiras, Divisas, Renarc e Biomas, responsáveis por grande parte dos prejuízos estimados às organizações criminosas.
Fronteiras e Amazônia seguem como áreas prioritárias
Parte significativa das operações ocorreu em regiões de fronteira e áreas consideradas estratégicas para o tráfico de drogas e armas.
A Força Nacional atuou em 81 frentes operacionais distribuídas por 13 estados e pelo Distrito Federal, incluindo áreas da Amazônia Legal, terras indígenas e regiões com incidência de crimes ambientais.
Durante as ações, foram realizadas mais de 34 mil abordagens a pessoas e cerca de 20 mil fiscalizações de veículos.
O governo também anunciou investimentos em equipamentos destinados às operações na Amazônia, região considerada uma das principais rotas utilizadas por organizações criminosas para o transporte de drogas e mercadorias ilegais.
Presídios no centro da estratégia
Outra frente considerada essencial pelo Ministério da Justiça envolve o sistema prisional.
O objetivo é dificultar a comunicação entre lideranças de facções presas e integrantes que permanecem em liberdade. Para isso, o governo vem ampliando a instalação de bloqueadores de sinal, scanners corporais, sistemas de reconhecimento facial e equipamentos de monitoramento em unidades prisionais.
Na mais recente fase da Operação Mute, realizada em presídios de todo o país, foram apreendidos 680 celulares durante vistorias em mais de 3,7 mil celas.
Segundo o ministério, a intenção é ampliar esse tipo de operação ao longo dos próximos meses para reduzir a capacidade de coordenação de crimes a partir das penitenciárias.
Resultados ainda serão testados a longo prazo
Embora o balanço apresente números expressivos, especialistas apontam que a eficácia do programa dependerá da manutenção das ações de inteligência, da integração entre forças policiais e da capacidade de desarticular estruturas permanentes de financiamento do crime organizado.
Nos últimos anos, facções brasileiras ampliaram sua atuação para além do tráfico de drogas, passando a operar em setores como contrabando, garimpo ilegal, lavagem de dinheiro, roubos de carga e crimes ambientais.
Nesse cenário, o combate às organizações criminosas exige estratégias de longo prazo que vão além das apreensões e prisões, envolvendo investigação financeira, cooperação entre estados e fortalecimento dos sistemas de inteligência.
O programa federal foi lançado com a promessa de ampliar essa integração. Os próximos balanços deverão indicar se os resultados iniciais conseguirão se transformar em redução duradoura da capacidade de atuação das facções no país.
Com informações e imagem do Governo Federal





















