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Fabricantes como Nike, Adidas e Puma apostaram na mesma tendência para ampliar a visibilidade dos atletas e transformar as chuteiras em um dos símbolos visuais do Mundial de 2026

Bastaram os primeiros dias da Copa do Mundo de 2026 para um detalhe chamar a atenção tanto quanto os gols. Não importava a seleção, o continente ou o estádio: os pés dos jogadores pareciam seguir um único padrão.

O rosa.

Nas transmissões de TV, nas fotos dos jornais e até nas arquibancadas, uma enxurrada de chuteiras rosa-choque passou a dominar os gramados dos Estados Unidos, México e Canadá. O fenômeno foi tão evidente que rapidamente virou assunto nas redes sociais e despertou a curiosidade de torcedores ao redor do mundo.

Afinal, houve alguma campanha especial? Uma homenagem? Uma determinação da FIFA?

A resposta é não.

O motivo está muito mais ligado ao marketing esportivo do que ao futebol em si.

Quando as marcas pensam igual

Nike, Adidas, Puma, New Balance e Skechers chegaram à Copa com coleções especiais para o torneio. Curiosamente, quase todas apostaram na mesma estratégia: lançar chuteiras em tons vibrantes de rosa.

O resultado foi um cenário inusitado. Jogadores patrocinados por marcas concorrentes passaram a usar calçados visualmente muito parecidos.

“As pessoas dizem que é coincidência, mas isso já aconteceu muitas vezes”, afirmou ao jornal The Athletic Ben Warren, fundador da BW Boots UK, empresa especializada em chuteiras raras e fornecedora de atletas profissionais.

“Diferentes marcas estão lançando chuteiras em cores praticamente idênticas. Vimos chuteiras bem parecidas nos últimos anos, mas nesta Copa do Mundo elas são praticamente da mesma cor”, acrescentou.

A cor da confiança

Por trás da escolha existe uma explicação que mistura design, comportamento e psicologia.

Odinga Nimako, integrante da equipe global de desenvolvimento de chuteiras da Nike, afirmou ao The Athletic que a decisão foi baseada em pesquisas feitas com atletas e consumidores.

“O que temos ouvido constantemente dos atletas e dos consumidores, especialmente quando se trata de grandes momentos, é que as cores vibrantes lhes dão confiança, então esse foi realmente o nosso ponto de partida”, disse.

Segundo ele, a Nike buscava uma cor capaz de transmitir personalidade e protagonismo em um evento do tamanho da Copa do Mundo.

“Nossa abordagem foi focar nas cores mais vibrantes, aquelas que realmente amplificam a confiança, e o rosa é uma delas”, afirmou.

A ideia faz sentido em um esporte cada vez mais conectado à construção de imagem. Hoje, jogadores não são apenas atletas: são marcas globais, acompanhadas por milhões de seguidores e observadas em cada detalhe, do corte de cabelo ao modelo da chuteira.

Feitas para aparecer

Mas a explicação não para na estética.

A escolha do rosa também atende a uma necessidade prática: chamar atenção.

Segundo Nimako, durante os testes realizados pela Nike, nenhuma outra cor se destacava tanto contra o verde do gramado.

“O rosa realmente ajuda a destacar a cor contra a grama verde do campo, tanto para quem está nas arquibancadas quanto para quem assiste pela TV, garantindo boa visibilidade”, explicou.

Ele admite que o impacto visual foi um objetivo deliberado.

“Para este momento, queríamos mesmo focar no impacto visual”, afirmou.

A estratégia parece ter funcionado. Em uma Copa repleta de imagens compartilhadas instantaneamente nas redes sociais, a cor virou uma espécie de identidade visual não oficial do torneio.

Uma cor que não concorre com nenhum uniforme

Outro detalhe ajudou a transformar o rosa em protagonista.

Nenhuma das 48 seleções classificadas para a Copa utiliza a cor como elemento predominante em seus uniformes. Isso significa que as chuteiras ficam livres para chamar atenção sem competir visualmente com as camisas.

“Nossa intenção era garantir que a chuteira se destacasse no uniforme”, disse Nimako.

A exceção fica por conta de alguns craques.

O argentino Lionel Messi usa um modelo especial branco e azul-claro criado pela Adidas para combinar com as cores da seleção argentina.

Já Christian Pulisic entrou em campo com uma chuteira personalizada da Puma inspirada na bandeira dos Estados Unidos.

A Nike também preparou uma edição dourada exclusiva para Cristiano Ronaldo.

“O fato de ele disputar sua sexta Copa do Mundo nos motivou a celebrar o legado que construiu. E não há cor melhor do que o dourado para representar isso”, explicou Nimako.

Moda passageira

Apesar da invasão cor-de-rosa, a tendência tem prazo de validade.

Segundo Ben Warren, a indústria do futebol trabalha com ciclos rápidos de lançamento e renovação de coleções.

“Quando uma nova estação começar, será uma nova cor”, afirmou.

Até lá, porém, o rosa seguirá dominando os gramados.

E talvez essa seja a maior prova do sucesso da estratégia: em uma Copa repleta de estrelas, estádios lotados e gols históricos, um simples par de chuteiras conseguiu se tornar um dos assuntos mais comentados do torneio.

Foto: Adidas

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