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Golpes, pressão de familiares e uso indevido de benefícios estão entre as formas mais comuns de abuso patrimonial contra pessoas acima de 60 anos

O aumento da população idosa no Brasil tem trazido à tona uma forma de violência que muitas vezes passa despercebida: o abuso financeiro. Silenciosa e frequentemente praticada por pessoas próximas à vítima, a chamada violência patrimonial já resultou em mais de 59 mil denúncias em todo o país apenas em 2025.

Os dados são do Disque 100, canal da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, e revelam que foram registradas 59.134 denúncias de violência patrimonial contra pessoas idosas ao longo do ano. As mulheres representam 66% das vítimas, enquanto a faixa etária entre 70 e 79 anos concentra o maior número de casos.

O tema ganha destaque nesta segunda-feira (15), quando é celebrado o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, data criada para alertar sobre diferentes formas de abuso que afetam essa parcela da população.

Embora agressões físicas costumem receber maior atenção, especialistas apontam que a exploração financeira tem avançado de forma preocupante, especialmente em um cenário de maior participação dos idosos na economia e de aumento das tentativas de golpes digitais.

Abuso costuma ocorrer dentro da própria família

A violência patrimonial ocorre quando recursos financeiros, bens ou benefícios de uma pessoa idosa são utilizados de forma indevida, sem autorização ou mediante pressão psicológica.

Em muitos casos, o autor não é um desconhecido. Familiares, cuidadores ou pessoas de confiança podem assumir o controle das finanças da vítima, realizar movimentações bancárias sem consentimento ou induzir decisões que favoreçam terceiros.

Segundo especialistas, mudanças repentinas na administração do patrimônio, pedidos frequentes de dinheiro, empréstimos feitos em nome do idoso e dificuldades para acessar informações bancárias podem indicar situações de abuso.

Outro sinal de alerta é quando a pessoa deixa de participar das próprias decisões financeiras ou demonstra desconhecimento sobre movimentações em suas contas.

Golpes digitais ampliam risco

Além da exploração por pessoas próximas, idosos também estão entre os principais alvos de criminosos especializados em fraudes financeiras.

Falsas centrais de atendimento bancário, mensagens enviadas por aplicativos, links fraudulentos e ofertas enganosas de crédito figuram entre os golpes mais comuns.

A estratégia dos criminosos geralmente envolve criar situações de urgência para induzir a vítima a fornecer senhas, dados pessoais ou realizar transferências bancárias.

Especialistas recomendam desconfiar de contatos inesperados, evitar clicar em links recebidos por mensagens e nunca compartilhar códigos de autenticação ou senhas, mesmo com pessoas conhecidas.

Como se proteger

Entre as medidas recomendadas para reduzir o risco de prejuízos estão o acompanhamento frequente das movimentações bancárias, a atualização constante de informações financeiras e a busca por orientação antes da contratação de empréstimos ou outros serviços.

Também é importante verificar a autenticidade de contatos recebidos por telefone, e-mail ou aplicativos de mensagens. Em situações de dúvida, a orientação é interromper a conversa e procurar diretamente os canais oficiais da instituição financeira.

Em casos de suspeita de fraude ou exploração financeira, familiares e vítimas podem procurar a polícia, órgãos de defesa da pessoa idosa, o Ministério Público ou registrar denúncia pelo Disque 100.

Especialistas destacam que proteger o patrimônio de pessoas idosas vai além da questão financeira. A medida está diretamente relacionada à preservação da autonomia, da independência e da qualidade de vida dessa população.

Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, autoridades e entidades de defesa dos direitos dos idosos alertam que o combate à violência patrimonial exige não apenas fiscalização, mas também informação e conscientização para identificar sinais de abuso antes que os prejuízos se tornem irreversíveis.

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