Ex-prefeito de Campo Grande, senador e governador em dois períodos, político participou da estruturação do Estado recém-criado e teve trajetória marcada por obras de infraestrutura e fortalecimento institucional
Mato Grosso do Sul perdeu nesta terça-feira (23) uma de suas figuras políticas mais emblemáticas. O ex-governador Marcelo Miranda Soares morreu aos 87 anos, em Campo Grande, após complicações provocadas por uma pneumonia. Segundo familiares, ele estava internado havia cerca de 20 dias e enfrentava ainda problemas cardíacos e renais.
Em reconhecimento à sua trajetória pública, o governador Eduardo Riedel (PP) decretou luto oficial de três dias em todo o estado. A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) também decretou luto pelo mesmo período e realizou o velório aberto ao público nesta quarta-feira (24), no saguão Nelly Martins.
Marcelo Miranda deixa um legado diretamente ligado aos primeiros anos de Mato Grosso do Sul. Engenheiro civil de formação, foi um dos principais personagens da fase de consolidação política e administrativa do Estado criado em 1977 e efetivamente instalado em 1979.
Da engenharia à política
Natural de Uberaba (MG), onde nasceu em 1º de dezembro de 1938, Marcelo Miranda chegou à região sul-mato-grossense para trabalhar em obras estratégicas de infraestrutura, entre elas a construção da Usina Hidrelétrica de Jupiá, localizada entre Três Lagoas (MS) e Castilho (SP). Posteriormente, atuou no Departamento de Estradas de Rodagem (DER), participando da implantação de milhares de quilômetros de estradas vicinais.
Sua entrada na política ocorreu na década de 1970. Em 1976, foi eleito prefeito de Campo Grande, assumindo o comando da capital em um período de acelerado crescimento urbano. Entre as iniciativas da gestão, destacou-se o Projeto Cura, voltado à ampliação da infraestrutura urbana e dos serviços públicos.
Governador do Estado recém-criado
A ascensão de Marcelo Miranda ao governo estadual ocorreu em um momento decisivo para Mato Grosso do Sul.
Em junho de 1979, poucos meses após a instalação do novo Estado, o então governador Harry Amorim Costa foi exonerado pelo presidente da República. Sem vice-governador, o presidente da Assembleia Legislativa, Londres Machado, assumiu interinamente o Executivo até a nomeação de Marcelo Miranda pelo presidente João Figueiredo.
Ao assumir o cargo em 30 de junho de 1979, Marcelo Miranda passou a conduzir uma das etapas mais desafiadoras da história sul-mato-grossense: a organização administrativa do Estado recém-criado.
Durante sua primeira passagem pelo governo, promoveu ações voltadas à expansão da infraestrutura, ao fortalecimento institucional e à interiorização do desenvolvimento. Nove distritos foram elevados à condição de municípios: Bodoquena, Costa Rica, Douradina, Itaquiraí, São Gabriel do Oeste, Selvíria, Sete Quedas, Tacuru e Taquarussu.
Senador e primeiro governador eleito após a redemocratização
Em 1982, Marcelo Miranda foi eleito senador da República, representando Mato Grosso do Sul em Brasília. Quatro anos depois, venceu as eleições estaduais e retornou ao comando do Executivo.
A vitória de 1986 teve significado histórico: ele se tornou o primeiro governador de Mato Grosso do Sul escolhido pelo voto direto após o período de redemocratização do país. Seu mandato se estendeu de 1987 a 1991.
Na época, o estado vivia uma fase de expansão econômica e de consolidação das estruturas públicas iniciadas nos anos anteriores. O governo investiu em rodovias, energia e integração regional, áreas consideradas estratégicas para um território que ainda buscava fortalecer sua identidade administrativa e econômica.
Última função pública
Após deixar os cargos eletivos, Marcelo Miranda continuou atuando na administração pública. Entre 2003 e 2012, ocupou o cargo de superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Mato Grosso do Sul, sua última função pública.
Nos últimos anos, enfrentava problemas de saúde e realizava tratamento para complicações renais. O quadro se agravou após uma pneumonia, que levou à internação hospitalar e, posteriormente, à falência de órgãos.
Trajetória
- 1977 a 1979 — Prefeito de Campo Grande;
- 1979 a 1980 — Governador de Mato Grosso do Sul por nomeação presidencial;
- 1983 a 1987 — Senador da República;
- 1987 a 1991 — Governador de Mato Grosso do Sul eleito pelo voto direto;
- 2003 a 2012 — Superintendente regional do Dnit em Mato Grosso do Sul.
Foto: Arquivo Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul




















