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Evento reúne ciência, tecnologia, cultura e produção sustentável para discutir o futuro do Pantanal; governador destaca que bioma passa a ser visto também como ativo econômico

O Pantanal deixou de ser apenas um símbolo da biodiversidade brasileira para se consolidar como um dos principais laboratórios de inovação sustentável do país. Com essa proposta, a terceira edição do Pantanal Tech MS foi aberta nesta sexta-feira (3), em Aquidauana, reunindo pesquisadores, produtores rurais, empreendedores, estudantes, comunidades tradicionais e representantes do poder público em torno de um mesmo desafio: encontrar caminhos para desenvolver a região sem comprometer o maior bioma alagável do planeta.

Consolidado como o maior encontro de produção sustentável do Pantanal, o evento transforma o campus da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) em uma grande vitrine de soluções voltadas à preservação ambiental, ao desenvolvimento econômico e à valorização das populações pantaneiras.

A cerimônia de abertura contou com a presença do governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), que destacou a singularidade do bioma e o papel estratégico do evento para o futuro da região.

“O Pantanal é uma vitrine para o mundo, é um bioma único, é um sistema de produção único, com tecnologias próprias, com uma cultura muito própria e tem um valor inestimável. Faz parte da nossa formação, da nossa história, a cultura pantaneira dentro do que nós somos enquanto sul-mato-grossenses”, afirmou.

Segundo o governador, o diferencial do Pantanal TechMS está justamente na capacidade de reunir diferentes áreas do conhecimento para discutir soluções concretas para o bioma.

“Você, num evento como esse, reúne cultura, ciência e tecnologia, todo esse ambiente de inovação a serviço da produção, a serviço da preservação. A gente está aqui discutindo o nosso futuro, discutindo a permanência e como queremos, daqui para frente, gerenciar esse bioma com as pessoas dentro desse sentimento orgânico vivo que existe no Pantanal”.

Da ciência ao campo

Espalhadas por aproximadamente 80 hectares, as 27 vitrines tecnológicas apresentam pesquisas e projetos que vão desde manejo sustentável da pecuária até tecnologias de monitoramento ambiental, bioeconomia e turismo.

Para o reitor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Laércio Alves de Carvalho, o evento representa a materialização do papel da universidade na transformação do conhecimento científico em benefícios concretos para a sociedade.

“As pesquisas científicas são transformadas em ferramentas práticas, mostrando um caminho possível e economicamente viável que alinha a produção agropecuária de alta performance com a preservação do bioma Pantanal”.

O reitor destacou ainda que o Pantanal TechMS se tornou uma referência nacional e internacional.

“O Pantanal Tech torna-se uma vitrine mundial para que a gente possa levar cada vez mais esse bioma e essas pessoas que produzem tanto pelo nosso Pantanal”.

Segundo ele, o evento nasceu da necessidade de aproximar instituições de pesquisa, produtores e comunidades que vivem na região.

“O Pantanal Tech traz aqui demandas e soluções para que a gente possa ter um ambiente e a vida das pessoas cada vez melhor”.

Meio ambiente passa a ser visto como riqueza econômica

Um dos pontos centrais do discurso de Eduardo Riedel foi a defesa de uma nova visão sobre a preservação ambiental.

Em vez de enxergar conservação e produção como forças opostas, o governador afirmou que Mato Grosso do Sul busca transformar os ativos ambientais em oportunidades econômicas para quem vive no Pantanal.

“O valor do meio ambiente como um ativo econômico. A gente fica muitas vezes numa discussão entre produção e preservação, quando na verdade estamos mostrando aqui em Mato Grosso do Sul que ambas as áreas têm muito a contribuir para o desenvolvimento de maneira integrada.”

Riedel citou iniciativas como o pagamento por serviços ambientais, os programas ligados ao mercado de carbono e os investimentos em biodiversidade como exemplos de políticas públicas que podem gerar renda e fortalecer a proteção do bioma.

Segundo ele, recursos provenientes desses mecanismos deverão beneficiar produtores rurais, comunidades ribeirinhas, trabalhadores do campo e povos indígenas.

Investimentos e novos projetos

Durante a abertura, o Governo do Estado anunciou e entregou investimentos superiores a R$ 698 mil para o campus da UEMS em Aquidauana.

Entre as entregas estão uma nova Casa de Vegetação, destinada à pesquisa e produção sustentável, e uma Fábrica de Ração voltada ao apoio de projetos de ensino, pesquisa e inovação.

Também foram lançados:

  • o livro Sentinelas do Amanhã, sobre a atuação da Polícia Militar Ambiental;
  • o 3º Desafio de Inovação Pantanal TechMS;
  • o programa MS Inova Mais: Municípios;
  • estudos sobre os impactos socioeconômicos do evento;
  • ações para implantação do curso de Letras em línguas indígenas Terena e Kaiowá-Guarani;
  • iniciativas ligadas à Rota Bioceânica;
  • projetos de monitoramento inteligente de áreas florestais.
Evento ganha status de patrimônio da sociedade sul-mato-grossense

Ao relembrar o surgimento do Pantanal TechMS, Riedel destacou que a iniciativa ultrapassou os limites da universidade e passou a ser construída coletivamente.

“O Pantanal Tech hoje é da sociedade sul-mato-grossense e pantaneira, representado por várias instituições, do público e do privado, e por isso ganhou essa dimensão”.

O governador afirmou que o crescimento do evento superou as expectativas iniciais.

“Foi muito além das nossas expectativas ver o evento hoje como está, e faz parte do calendário de Mato Grosso do Sul. Não tem retorno”.

Turismo impulsiona nova fase da região pantaneira

Outro tema destacado foi o avanço do turismo na região de Aquidauana e Anastácio, impulsionado por obras de infraestrutura e pela crescente visibilidade do Pantanal.

Segundo Riedel, os investimentos em acessos, urbanização e mobilidade têm contribuído para atrair novos empreendimentos e fortalecer a economia local.

“O turismo no Mato Grosso do Sul passa por essa região. Ele está nessa região”.

O governador também citou exemplos de atividades que vêm diversificando a economia pantaneira, incluindo projetos de enoturismo instalados no bioma, demonstrando que inovação e preservação podem caminhar juntas.

Futuro construído por muitas mãos

Encerrando a cerimônia, autoridades reforçaram que o Pantanal TechMS se tornou um espaço de convergência entre diferentes setores da sociedade.

O prefeito de Aquidauana, Mauro Luiz Batista, resumiu o sentimento dos participantes.

“Tenho certeza que daqui sairão ideias, projetos e parcerias que vão ajudar a transformar a nossa comunidade”.

Já Riedel destacou que o maior legado do evento é reunir pessoas diferentes em torno de um objetivo comum.

“A gente fica muito feliz de reunir aqui universidades, instituições de pesquisa, empresários, empresas, comunidades, todos em torno desse mesmo propósito: a manutenção e valorização do Pantanal sul-mato-grossense, tanto pelo viés econômico quanto pelo viés social”, concluiu.

Foto: Bruno Rezende/Secom-MS

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