Alta de 3,7% em junho interrompe sequência de quedas nas vendas brasileiras ao mercado norte-americano; China amplia liderança e União Europeia acelera compras
As exportações brasileiras para os Estados Unidos voltaram a crescer pela primeira vez em quase um ano, interrompendo uma sequência de retrações iniciada após a imposição de uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros pelo governo do presidente Donald Trump em julho de 2025.
Dados divulgados nesta sexta-feira (3) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), mostram que as vendas brasileiras ao mercado norte-americano avançaram 3,7% em junho na comparação com o mesmo mês do ano passado.
O resultado sinaliza uma recuperação parcial do comércio bilateral, embora os efeitos das barreiras comerciais ainda sejam percebidos nos números acumulados do ano.
Recuperação veio dos preços, não do volume
Apesar do crescimento das exportações em valor, os embarques brasileiros para os Estados Unidos continuam enfrentando dificuldades.
Segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, o desempenho positivo foi impulsionado principalmente pela valorização dos produtos exportados.
Os preços médios das mercadorias enviadas aos Estados Unidos cresceram cerca de 11% em relação a junho de 2025. Em contrapartida, o volume efetivamente embarcado caiu 6,6%, indicando que a recuperação ainda não reflete uma retomada plena da demanda.
Em junho, o intercâmbio comercial entre os dois países ficou praticamente equilibrado.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 3,472 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 3,471 bilhões, resultando em um superávit simbólico de apenas US$ 1 milhão para o Brasil.
Saldo do semestre ainda preocupa
Apesar do avanço registrado em junho, o balanço dos primeiros seis meses do ano continua desfavorável para o comércio brasileiro com os Estados Unidos.
Entre janeiro e junho, as exportações para o mercado norte-americano totalizaram US$ 17,4 bilhões, queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025.
As importações também recuaram, diminuindo 12,5% e somando US$ 18,9 bilhões.
Como consequência, o Brasil acumulou déficit comercial de US$ 1,5 bilhão na relação com os Estados Unidos no primeiro semestre.
Os números demonstram que, embora haja sinais de recuperação, os impactos do tarifaço adotado pela administração Trump continuam afetando a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.
China amplia vantagem como principal parceira
Enquanto as vendas para os Estados Unidos mostram recuperação gradual, a China segue ampliando sua liderança como principal destino das exportações brasileiras.
Em junho, os embarques para o país asiático alcançaram US$ 12,3 bilhões, crescimento de 24,4% em comparação com o mesmo mês do ano passado.
As importações provenientes da China também aumentaram, avançando 27,1% e chegando a US$ 7,8 bilhões.
O resultado foi um superávit comercial de US$ 4,49 bilhões para o Brasil apenas no mês.
No acumulado do semestre, a força da parceria comercial fica ainda mais evidente.
As exportações brasileiras para a China somaram US$ 58,3 bilhões, alta de 21,9%, enquanto as importações atingiram US$ 38,5 bilhões. O saldo positivo chegou a US$ 19,8 bilhões.
Os números reforçam a importância crescente do mercado chinês para setores como agronegócio, mineração e indústria de base.
União Europeia registra forte expansão
Outro destaque do comércio exterior brasileiro foi o desempenho das exportações para a União Europeia.
Em junho, as vendas ao bloco cresceram 32,4%, alcançando US$ 4,9 bilhões. As importações avançaram 13,9%, totalizando US$ 4,7 bilhões.
O resultado garantiu um superávit de US$ 180 milhões para o Brasil.
No acumulado do primeiro semestre, as exportações para os países europeus cresceram 12,8%, somando US$ 26,9 bilhões.
Embora o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia tenha entrado em vigor de forma provisória em maio, o governo federal avalia que ainda é cedo para medir seus impactos sobre os fluxos comerciais.
Segundo Herlon Brandão, já existem relatos de empresas que começaram a aproveitar as vantagens oferecidas pelo acordo, mas os dados ainda não permitem conclusões definitivas.
Argentina perde força entre os destinos brasileiros
Na contramão da China e da União Europeia, a Argentina apresentou retração nas compras de produtos brasileiros.
Em junho, as exportações para o país vizinho recuaram 18,1%, somando US$ 1,3 bilhão.
As importações, por outro lado, cresceram 17,2%, chegando a US$ 1,285 bilhão.
O saldo comercial brasileiro ficou positivo em apenas US$ 40 milhões.
No acumulado do semestre, as exportações para a Argentina caíram 19,4%, refletindo a desaceleração da demanda do mercado argentino por produtos brasileiros.
Novo cenário do comércio exterior
Os dados de junho revelam um redesenho das relações comerciais do Brasil em um cenário internacional marcado por disputas tarifárias, acordos de livre comércio e mudanças na dinâmica econômica global.
Embora os Estados Unidos tenham voltado a ampliar as compras de produtos brasileiros após quase um ano de retração, a China continua consolidando sua posição como principal parceira comercial do país, enquanto a União Europeia ganha espaço com o avanço das negociações econômicas entre os blocos.
O desafio agora será avaliar se a recuperação observada nas exportações para o mercado norte-americano representa uma tendência duradoura ou apenas um alívio pontual após meses de perdas provocadas pelas barreiras tarifárias.
Com informações e imagem da Agência Brasil



















