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Medidas incluem linhas de crédito e incentivo à busca por novos mercados; cerca de 2,4 mil empresas devem ser impactadas pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (17) a retomada de um programa de apoio aos setores empresariais mais afetados pelo novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. As medidas incluem linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de ações para incentivar a abertura de novos mercados para as exportações nacionais.

O anúncio foi feito em Brasília durante uma coletiva de imprensa com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e integrantes da equipe econômica.

Na quarta-feira (16), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, sob a alegação de supostas práticas comerciais “desleais”. O governo brasileiro contesta a medida e afirma que as justificativas apresentadas pelos norte-americanos não têm fundamento. As novas tarifas entram em vigor em 22 de julho.

“O governo, a partir de agora, tem como prioridade atender e apoiar esses setores por essa injusta, indevida e ilegal tarifação que nos foi imposta”, afirmou o ministro Márcio Elias Rosa.

Segundo estimativas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao MDIC, cerca de 2,4 mil empresas brasileiras serão diretamente afetadas pela medida. Juntas, elas respondem por aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões, com base nos dados de 2024.

Entre os segmentos mais atingidos estão os de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. Para essas empresas, o governo pretende oferecer financiamento para capital de giro, investimentos e apoio para ampliar a comercialização dos produtos em outros países.

Mais da metade das exportações ficou de fora

De acordo com o MDIC, mais da metade das exportações brasileiras para os Estados Unidos não foi incluída na nova taxação. Produtos como carnes, café, óleos e itens da indústria aeronáutica ficaram de fora da lista divulgada pelo governo norte-americano.

Mesmo assim, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% até 2026. Diante desse cenário, o governo informou que continuará investindo na diversificação dos mercados compradores.

Governo avalia aplicar Lei da Reciprocidade

Durante a coletiva, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo estuda a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado.

A legislação estabelece critérios para que o Brasil adote medidas em resposta a ações unilaterais de outros países que prejudiquem a competitividade da economia brasileira.

“Nós temos uma lei, a lei da reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, e o governo, no momento adequado, saberá como implementá-la”, disse Alckmin, que classificou o novo tarifaço como “injusto” e “descabido”.

Governo rebate críticas dos EUA

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a decisão dos Estados Unidos como uma interferência externa indevida. “É inadmissível, do ponto de vista do governo, ter essa interferência externa, seja ela política, econômica, seja ela uma forma qualquer para afugentar e constranger o Brasil, as famílias brasileiras, os empresários e os trabalhadores brasileiros”, afirmou.

Segundo o ministro, todas as alegações apresentadas pelos norte-americanos são falsas e não se sustentam em dados concretos. Ele acrescentou que o tarifaço não deve comprometer a estabilidade macroeconômica do país e que as medidas de apoio terão um volume menor do que o registrado no ano passado, já que a lista de produtos isentos é maior nesta rodada.

Pix e desmatamento entram na disputa

Entre os pontos questionados pelos Estados Unidos está o Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central.

Durante a coletiva, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, afirmou que o sistema não prejudicou empresas norte-americanas do setor de cartões de crédito.

“Seria mais ou menos como tentar dizer que, ao criar o saneamento básico, prejudicou a receita de quem tem caminhão pipa. Por mais estapafúrdio que possa parecer esse argumento, nem ele se comprovou verdade. Analisando o que aconteceu efetivamente, a partir da implementação do Pix, o mercado de cartão de crédito cresceu 150%. Quem perde espaço são os cheques e o dinheiro físico, o que é absolutamente desejável para todos”.

Além do Pix, a investigação conduzida pelo USTR cita supostas irregularidades relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.

As acusações envolvendo questões ambientais também foram contestadas pelo governo brasileiro. O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que as alegações sobre aumento do desmatamento e comércio ilegal de madeira são falsas e sem fundamento técnico. Como exemplo, destacou que o desmatamento na Amazônia foi reduzido em 50% nos últimos três anos.

*Informações: Agência Brasil e Imagem: Unsplash

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