Carregando…

Compartilhe

Retomada da rotina, redução do tempo de telas e participação da família estão entre as medidas que podem tornar o segundo semestre mais tranquilo e produtivo

Depois de semanas de férias com horários flexíveis, viagens, brincadeiras e mais tempo diante das telas, a volta às aulas representa um novo desafio para muitas famílias. Embora o retorno do segundo semestre costume ser menos impactante do que o início do ano letivo, especialistas alertam que a readaptação à rotina escolar exige planejamento e atenção ao bem-estar emocional de crianças e adolescentes.

A reorganização dos horários, a retomada dos hábitos de estudo e o reencontro com colegas e professores podem gerar ansiedade, especialmente entre os estudantes menores ou aqueles que ingressam em uma nova escola. Para educadores e psicopedagogos, pequenas mudanças na rotina antes do primeiro dia de aula podem tornar essa transição mais leve e favorecer o aprendizado nos próximos meses.

Ajustar a rotina antes do retorno faz diferença

Um dos primeiros passos recomendados é reorganizar gradualmente os horários de sono e alimentação nos dias que antecedem o fim das férias.

Durante o recesso, é comum que crianças e adolescentes passem a dormir mais tarde e acordem em horários diferentes dos adotados durante o período escolar. Segundo Pâmela Lopes, coordenadora pedagógica do Colégio Progresso Bilíngue, em Itu (SP), retomar essa rotina aos poucos ajuda o organismo a se adaptar novamente às exigências da escola.

“Quando a retomada da rotina acontece de forma gradual, a criança chega ao primeiro dia de aula mais descansada e preparada. A previsibilidade traz segurança e reduz o impacto da transição entre o período de férias e as exigências da vida escolar”, afirma.

Outro ponto de atenção é o uso excessivo de celulares, tablets, videogames e outros dispositivos eletrônicos durante as férias.

Segundo a educadora, o excesso de estímulos rápidos pode dificultar a concentração nas atividades escolares, tornando importante reduzir o tempo de telas de maneira gradual.

“O cérebro se adapta aos estímulos que recebe com frequência. Quando predominam conteúdos rápidos e altamente estimulantes, a transição para atividades que exigem persistência e concentração pode se tornar mais desafiadora. Por isso, é importante que a redução do tempo de telas aconteça gradualmente nos dias que antecedem o retorno às aulas”, explica.

Participação dos alunos aumenta o engajamento

Especialistas também recomendam envolver crianças e adolescentes na preparação para a volta às aulas.

Organizar os materiais escolares, revisar a mochila ou definir metas para o semestre ajuda os estudantes a retomarem o compromisso com a escola de forma mais ativa.

Para Audrey Taguti, diretora pedagógica do Brazilian International School (BIS), em São Paulo, a participação fortalece a autonomia desde a infância e incentiva a responsabilidade entre os adolescentes.

“Quando o aluno participa, ele deixa de receber decisões prontas e passa a ser dono da própria jornada. Na infância, isso fortalece a autonomia. Na adolescência, desenvolve protagonismo e noção de consequência”.

Segundo a educadora, o segundo semestre também é o momento de cobrar mais organização dos estudantes mais velhos.

“Julho não é janeiro. O aluno já conhece professores, colegas e regras. Por isso, a volta às aulas do meio do ano é o momento de cobrar mais maturidade”.

Audrey também recomenda que pais evitem oferecer presentes ou recompensas em troca de boas notas.

“Prometer presente, dinheiro ou viagem por nota gera motivação errada. A criança e o adolescente precisam separar: a escola é compromisso, não negociação. O reconhecimento vem do esforço, da autonomia conquistada e das portas que a educação abre”.

Comportamento dos pais influencia adaptação

O retorno às aulas também exige reorganização da rotina familiar.

Para Jacqueline Cappellano, psicopedagoga e coordenadora da Educação Infantil da Escola Internacional de Alphaville, o comportamento dos pais influencia diretamente a forma como as crianças encaram a volta à escola.

“Os filhos observam constantemente as reações dos adultos. Quando os responsáveis transmitem segurança e confiança na escola, a tendência é que a criança se sinta mais confortável para enfrentar os desafios naturais da readaptação”.

Ela ressalta que conversar sobre sentimentos, acolher inseguranças e manter uma comunicação aberta ajudam a reduzir a ansiedade dos primeiros dias.

Outra recomendação é estimular o reencontro entre amigos antes do retorno às aulas. “Os vínculos de amizade são importantes fontes de acolhimento emocional e ajudam a criar expectativas positivas para o retorno”.

Primeira experiência na escola exige atenção especial

Para algumas famílias, o segundo semestre marca o início da vida escolar das crianças.

Nesses casos, especialistas orientam que pais conversem sobre a nova rotina antes do primeiro dia, explicando quem serão os professores, como será a escola e o que acontecerá durante o período de aulas.

Segundo Teca Antunes, diretora pedagógica da Escola Bilíngue Aubrick, em São Paulo, esse preparo contribui para reduzir a ansiedade infantil.

“Entrar na escola é uma experiência emocional significativa. Quando a criança se sente acolhida, compreendida e segura, ela cria vínculos positivos com o espaço escolar e desenvolve mais confiança para explorar, aprender e se relacionar”.

A orientação também vale para o momento da despedida.

Despedidas longas, saídas escondidas ou demonstrações excessivas de preocupação podem aumentar a insegurança dos pequenos. “O choro faz parte da adaptação e nem sempre indica que algo está errado. O mais importante é que os adultos demonstrem segurança, porque a criança se apoia nas reações dos responsáveis para interpretar essa nova experiência”, afirma.

Mudança de escola também exige acolhimento

Além das crianças que iniciam a vida escolar, estudantes que mudaram de escola durante o ano também precisam de atenção especial.

A adaptação envolve não apenas conhecer um novo ambiente, mas lidar com a distância dos antigos colegas e professores.

Segundo Teca Antunes, validar esses sentimentos é essencial para que a mudança seja vivida de forma saudável.

“Ao mesmo tempo, é possível ajudar esse aluno a enxergar as oportunidades que acompanham a mudança, como a possibilidade de fazer novas amizades, conhecer diferentes formas de aprender, desenvolver autonomia e ampliar sua visão de mundo. Muitas vezes, aquilo que inicialmente gera insegurança acaba se transformando em uma experiência rica de crescimento pessoal”.

Para os especialistas, o sucesso da volta às aulas depende da parceria entre família e escola. Com diálogo, organização da rotina e acolhimento emocional, a readaptação tende a ser mais tranquila, permitindo que crianças e adolescentes retomem os estudos com mais confiança, disposição e segurança.

Foto: Magnific

Os comentários a seguir não representam a opinião do Portal Total News

Deixe um comentário

Total News MS

AD BLOCKER DETECTED

Indicamos desabilitar qualquer tipo de AdBlocker

Please disable it to continue reading Total News MS.