Quando eu era mais jovem, achava que estudar era um compromisso com prazo de validade. A gente entrava na escola, passava pela faculdade, pegava o diploma e, finalmente, estava “pronto”. E acredito que você talvez também tenha crescido com essa ideia, mas a vida tratou de desfazer a minha bem rápido.
Recentemente, celebrei a aprovação da minha dissertação de mestrado. Foram dois anos de pesquisa e escrita para organizar academicamente nove anos de um trabalho que vivi na prática. Mas a maior lição desse percurso não foi o título. Foi perceber que estudar nunca teve ponto final. Para mim, tornou-se uma forma de continuar entendendo as mudanças que acontecem ao meu redor.
Existe uma expressão interessante para explicar isso: a meia-vida das habilidades. É uma maneira de medir por quanto tempo uma habilidade continua relevante antes de precisar ser atualizada. O Fórum Econômico Mundial já apontou uma média próxima de cinco anos para habilidades profissionais, período que pode ser ainda menor em áreas digitais. Pense no que isso representa: uma habilidade que hoje diferencia um profissional pode perder boa parte do seu valor em poucos anos. Não porque ele desaprendeu, mas porque o mundo ao redor mudou.
É aí que o lifelong learning, ou aprendizado ao longo da vida, deixa de ser uma expressão bonita para ganhar outro sentido: continuar aprendendo passa a fazer parte do próprio trabalho. E a inteligência artificial tornou essa discussão ainda mais interessante.
Se hoje uma ferramenta consegue encontrar informações, resumir documentos, organizar dados e produzir respostas em segundos, por que continuar estudando?
Acredito que justamente por isso. Informação disponível não é a mesma coisa que conhecimento construído. Podemos receber uma resposta em segundos e ainda assim não saber se ela faz sentido. Podemos ter uma análise impecavelmente organizada e não perceber o que ficou de fora, ou conhecer todos os números e ainda tomar uma decisão ruim.
A tecnologia encurtou o caminho até a informação, mas não encurtou o caminho até o discernimento. Esse talvez seja o valor mais importante de continuar aprendendo: estudar não serve apenas para saber mais, mas para ampliar repertório, confrontar aquilo que já sabemos, perceber relações que antes não percebíamos e manter a capacidade de mudar de ideia.
Depois de tantos anos trabalhando com inovação, voltei à universidade. Terminei o mestrado e escolhi continuar estudando. Não porque ainda me falte um diploma para estar “pronta”, mas porque espero nunca estar.
E você, o que está estudando hoje?














