Baixa umidade do ar pode intensificar sintomas de rinite, sinusite, asma e DPOC, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas
O tempo seco, comum durante o inverno, pode afetar a saúde respiratória e intensificar sintomas de doenças como rinite, sinusite, asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). A baixa umidade também favorece o ressecamento das vias aéreas, dos olhos, dos lábios e da pele, causando desconforto e irritação.
Segundo a Dra. Carla Alvarenga, pneumologista da MedSênior, a umidade do ar tem papel importante na proteção das vias respiratórias. “A umidade do ar ajuda a manter hidratadas as mucosas que revestem o nariz, a garganta e os pulmões. Quando o ar fica muito seco, essas estruturas ficam ressecadas, comprometendo o funcionamento do sistema de defesa natural das vias respiratórias, responsável por reter e eliminar partículas, vírus e bactérias, favorecendo irritações e agravando doenças respiratórias preexistentes”, explica.
Embora os efeitos possam ser sentidos por qualquer pessoa, alguns grupos precisam de atenção maior durante os períodos de baixa umidade. Idosos, crianças e pessoas com doenças respiratórias crônicas estão entre os mais vulneráveis.
Com o envelhecimento, o sistema respiratório se torna mais sensível às mudanças climáticas, o que pode aumentar a ocorrência de crises e complicações. Entre os sintomas que podem se intensificar estão tosse, congestão nasal, espirros, irritação na garganta e falta de ar.
O ressecamento também pode atingir a pele, os olhos, os lábios e a mucosa nasal. Em alguns casos, a irritação no nariz pode provocar pequenos sangramentos.
De acordo com a pneumologista, pessoas com rinite alérgica, sinusite, asma e DPOC costumam perceber os efeitos do tempo seco com maior intensidade durante o inverno. “É um período em que observamos maior procura por atendimento médico devido ao agravamento de doenças respiratórias. Por isso, quem já possui doenças crônicas deve redobrar os cuidados para evitar crises e complicações”, ressalta.
Hidratação e cuidados com os ambientes
Beber água regularmente é uma das medidas que ajudam a reduzir os efeitos do ar seco. No inverno, a sensação de sede pode diminuir, mas a ingestão adequada de líquidos continua importante para manter a hidratação das vias respiratórias e facilitar a eliminação de secreções.
A qualidade do ar dentro de casa também merece atenção. Manter os ambientes ventilados ajuda a renovar o ar e reduzir a concentração de poeira, fumaça e outros agentes irritantes. A ventilação também contribui para diminuir o risco de transmissão de vírus respiratórios.
Em períodos de umidade muito baixa, umidificadores podem tornar o ambiente mais confortável. O equipamento, no entanto, precisa ser higienizado com frequência e utilizado corretamente para evitar a proliferação de fungos e mofo.
Outro cuidado é manter a pele hidratada e utilizar soro fisiológico para umidificar as narinas. Colírios lubrificantes também podem ajudar a aliviar o desconforto nos olhos, quando indicados por um médico.
Tratamento deve ser mantido
Quem tem asma, DPOC, rinite ou outras doenças respiratórias crônicas deve seguir o tratamento prescrito e não interromper o uso de medicamentos por conta própria. Durante períodos de tempo seco, o acompanhamento adequado é importante para reduzir o risco de crises e complicações.
A vacinação também faz parte da prevenção. Manter as doses contra influenza, Covid-19 e doença pneumocócica em dia ajuda a reduzir o risco de complicações respiratórias, principalmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas. A imunização contribui para prevenir formas graves das infecções e diminuir o risco de hospitalizações.
Para a Dra. Carla Alvarenga, medidas simples podem fazer diferença durante os meses mais frios. “Manter uma boa hidratação, cuidar da qualidade do ar nos ambientes, seguir corretamente os tratamentos e manter a vacinação em dia são atitudes que fazem a diferença para proteger a saúde respiratória e garantir mais qualidade de vida durante o inverno”, conclui.




















