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Nova regulamentação do programa prevê estudos para incluir testes rápidos, teleatendimento e monitoramento terapêutico, além de levar unidades a áreas vulneráveis

O Ministério da Saúde publicou nesta quarta-feira (12) uma nova regulamentação para o Programa Farmácia Popular, com medidas para modernizar o funcionamento da rede e ampliar o acesso da população a serviços de saúde. Entre as mudanças previstas está a criação de um Grupo de Trabalho que vai estudar a inclusão de exames de sangue e urina, testes rápidos, teleatendimento e monitoramento terapêutico entre os serviços oferecidos pelo programa.

A oferta dos novos serviços, porém, ainda não é imediata. Segundo o ministério, a implementação dependerá de avaliações técnicas e sanitárias realizadas de acordo com as necessidades de cada Estado e município.

A regulamentação também prevê a análise de novos critérios para o credenciamento de farmácias em regiões com maior vulnerabilidade social, com prioridade para áreas periféricas dos grandes centros urbanos.

O programa, que completa mais de duas décadas de funcionamento, atualmente disponibiliza 41 itens de saúde gratuitamente à população por meio de uma rede de cerca de 28 mil farmácias credenciadas.

Exames ainda serão estudados

A possibilidade de transformar as farmácias credenciadas em pontos de acesso a exames é uma das principais novidades previstas na regulamentação.

O Grupo de Trabalho deverá discutir a viabilidade de oferecer serviços como:

  • exames de sangue;
  • exames de urina;
  • testes rápidos;
  • teleatendimento;
  • monitoramento terapêutico.

A intenção é ampliar o papel da rede e facilitar o acesso da população a determinados serviços de saúde, principalmente em locais onde existem dificuldades de acesso à assistência.

Antes da implantação, entretanto, o Ministério da Saúde pretende avaliar as condições sanitárias, assistenciais e técnicas de cada território.

Isso significa que a inclusão dos exames não ocorrerá automaticamente em todas as farmácias do programa. A oferta dependerá dos resultados das avaliações e das necessidades identificadas em cada região.

Governo quer ampliar presença em áreas vulneráveis

A nova regulamentação também abre espaço para mudanças na distribuição territorial das unidades credenciadas.

O Ministério da Saúde pretende estudar critérios que levem em consideração fatores como densidade demográfica e vulnerabilidade social, com atenção especial às periferias das grandes cidades.

A proposta busca reduzir desigualdades no acesso ao programa, levando unidades para regiões onde a população enfrenta maiores dificuldades para obter medicamentos e outros serviços de saúde.

Para localidades com obstáculos logísticos ainda maiores, como áreas ribeirinhas e regiões de difícil acesso, o governo pretende avaliar alternativas à estrutura tradicional.

Entre as possibilidades estão a utilização de unidades volantes ou unidades avançadas de atendimento, que poderiam levar serviços a comunidades distantes dos centros urbanos.

Inteligência artificial poderá reforçar segurança

Outra mudança prevista está relacionada ao uso de tecnologia para aumentar o controle sobre o programa.

A nova regulamentação prevê a possibilidade de utilização de inteligência artificial, biometria e reconhecimento facial para identificação de pacientes.

A tecnologia deverá ser avaliada como ferramenta de segurança, monitoramento e combate a fraudes.

A digitalização também deverá alcançar os processos internos do programa, permitindo maior acompanhamento das operações realizadas pelas unidades credenciadas.

A intenção é ampliar a capacidade do governo de identificar situações de risco e acompanhar de maneira mais precisa a utilização dos recursos públicos.

Sistema de vendas será atualizado

O Sistema Autorizador de Vendas (SAV), responsável pelo processo de dispensação dos produtos do Farmácia Popular, também passará por atualizações.

Segundo o Ministério da Saúde, as mudanças deverão reforçar a segurança, a rastreabilidade e a integração de informações, além de incorporar ferramentas digitais.

O governo também prevê alterações nos mecanismos de governança, na participação das unidades credenciadas e nos procedimentos cadastrais.

A atualização faz parte de uma estratégia de monitoramento contínuo das farmácias que participam do programa.

Farmácias poderão sofrer suspensão automática

A regulamentação estabelece ainda um modelo de fiscalização baseado na avaliação de riscos.

As sanções administrativas deverão ser proporcionais à gravidade das irregularidades identificadas. Em situações classificadas como de risco alto ou muito alto, poderá ocorrer suspensão automática da unidade credenciada.

A mudança pretende acelerar a resposta do programa diante de problemas considerados graves, evitando que irregularidades permaneçam sem solução durante longos períodos.

A digitalização dos dados também deverá permitir que o Ministério da Saúde acompanhe de forma mais próxima o funcionamento das unidades.

Mais de 23 milhões de pessoas beneficiadas em 2026

Segundo o Ministério da Saúde, o Farmácia Popular já beneficiou mais de 23 milhões de pessoas em 2026.

Em 2025, foram 27,3 milhões de beneficiários em todo o país.

Atualmente, o programa conta com aproximadamente 28 mil farmácias credenciadas e está presente em mais de 4,9 mil municípios, alcançando cerca de 97% da população brasileira.

O que o Farmácia Popular oferece hoje

Enquanto os novos serviços ainda serão estudados, o programa mantém a oferta dos produtos atualmente previstos.

São 41 itens de saúde gratuitos, incluindo medicamentos e outros produtos destinados à prevenção e ao tratamento de diferentes condições.

Entre os itens disponíveis estão medicamentos para:

  • hipertensão;
  • diabetes;
  • asma;
  • doença de Parkinson;
  • glaucoma.

O programa também oferece fraldas geriátricas e absorventes higiênicos, entre outros produtos previstos na política pública.

A distribuição é feita pelas farmácias privadas credenciadas, que seguem regras estabelecidas pelo Ministério da Saúde.

Com informações do Governo Federal

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