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69 mulheres disputam vagas na Casa; número supera o registrado em 2018 e 2022, mas participação feminina ainda representa apenas 22% das candidaturas

O número de mulheres que disputam uma vaga no Senado Federal aumentou nas eleições de 2026 e, pela primeira vez desde 2014, há ao menos uma candidata em todos os estados e no Distrito Federal. Ao todo, 69 mulheres estão na corrida eleitoral deste ano, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados pela Agência Senado.

O número representa crescimento de 19% em relação a 2022, quando 58 mulheres concorreram ao Senado. Em 2018, foram 62 candidatas. Apesar do avanço em números absolutos, a participação feminina no conjunto das candidaturas ainda é minoritária.

Neste ano, as mulheres representam 22% dos candidatos ao Senado, enquanto os homens correspondem a 78%. Em 2022, as candidatas eram 23,9% do total. Já em 2018, quando também houve renovação de dois terços da Casa, a participação feminina foi de 17,6%.

Dois senadores serão eleitos por estado

A eleição de 2026 terá uma característica diferente da disputa de 2022. Neste ano, 54 das 81 cadeiras do Senado estarão em disputa, com a eleição de dois representantes por cada estado e pelo Distrito Federal.

O aumento no número de vagas disponíveis ajuda a explicar a quantidade maior de candidaturas registradas neste ciclo eleitoral.

Mesmo com a maior oferta de cadeiras, a presença feminina ainda não se aproxima da maioria das candidaturas. A legislação eleitoral estabelece uma cota mínima de 30% para cada gênero nas eleições proporcionais, destinadas à Câmara dos Deputados e às assembleias legislativas.

Essa regra, no entanto, não se aplica às eleições para o Senado, que são majoritárias.

Mulheres estarão em todos os estados pela primeira vez

A distribuição das candidaturas também apresenta diferenças significativas entre os estados.

Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo concentram o maior número de candidatas, com cinco mulheres disputando uma vaga ao Senado em cada unidade.

Na outra ponta, Mato Grosso do Sul, Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Paraíba, Sergipe e Tocantins têm apenas uma candidata registrada.

Ainda assim, o cenário representa uma mudança em relação a eleições anteriores. Em 2018, por exemplo, não havia candidatas ao Senado no Acre, na Bahia e no Tocantins.

Segundo o levantamento divulgado pela Agência Senado, é a primeira vez, considerando os dados desde 2014, que todos os estados e o Distrito Federal têm pelo menos uma mulher na disputa.

Financiamento e tempo de propaganda

Embora a cota de gênero não seja aplicada diretamente à eleição para o Senado, as campanhas femininas estão submetidas a regras específicas de financiamento.

A Constituição determina que os partidos destinem pelo menos 30% dos recursos de campanha e do tempo de rádio e televisão às mulheres. Caso a proporção de candidatas seja superior a 30%, a distribuição deve acompanhar o percentual.

A regra busca garantir que a presença feminina nas urnas também seja acompanhada por acesso proporcional aos recursos utilizados nas campanhas.

Quatro senadoras tentam permanecer no cargo

Entre as 69 candidatas estão quatro senadoras eleitas em 2018 que buscam renovar o mandato por mais oito anos.

São elas Leila Barros (PDT-DF), Eliziane Gama (PSD-MA), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Zenaide Maia (PSD-RN).

Também disputa uma vaga como titular Margareth Buzetti (MT). Ela assumiu o mandato durante a atual legislatura como suplente da chapa eleita em 2018, encabeçada pelo senador Carlos Fávaro (PSD-MT).

Atualmente, a bancada feminina do Senado é formada por 15 senadoras.

Ex-senadoras tentam voltar à Casa

A eleição também reúne nomes que já ocuparam cadeiras no Senado e agora tentam retornar ao Congresso.

Entre elas estão Rose de Freitas (MDB-ES), Roseana Sarney (MDB-MA), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Benedita da Silva (PT-RJ), Marina Silva (Rede-SP) e Simone Tebet (PSB-SP).

Rose de Freitas e Simone Tebet foram senadoras entre 2015 e 2023. Gleisi Hoffmann exerceu mandato pelo Paraná entre 2011 e 2019.

Roseana Sarney ocupou uma cadeira pelo Maranhão entre 2003 e 2011, quando deixou o Senado para assumir o governo estadual. Benedita da Silva foi senadora pelo Rio de Janeiro na década de 1990.

Marina Silva exerceu dois mandatos consecutivos pelo Acre, entre 1995 e 2011. Em 2026, porém, concorre ao Senado por São Paulo.

Crescimento ainda não significa maioria

Os dados mostram um aumento da presença feminina na disputa pelo Senado, mas também revelam que a participação das mulheres ainda está distante da dos homens.

Em números absolutos, as 69 candidaturas representam o maior contingente feminino das três últimas eleições. No entanto, proporcionalmente, elas correspondem a 22% dos registros, abaixo dos 23,9% observados em 2022.

O dado também deve ser analisado em um contexto no qual apenas uma parte das cadeiras do Senado é renovada a cada eleição. Em 2026, serão escolhidos dois senadores por estado e pelo Distrito Federal, o que torna a disputa uma das maiores renovações da Casa nos últimos anos.

A presença de pelo menos uma candidata em todas as unidades da Federação marca, portanto, uma mudança na abrangência da participação feminina, ainda que o número de mulheres concorrendo permaneça inferior ao de homens.

Com informações da Agência Senado

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