Unidade de Campo Grande foi a primeira do país e reúne atendimento policial, jurídico, psicológico e social; Casas de Dourados e Corumbá estão em implantação
Em situações de violência, a dificuldade para encontrar ajuda pode se transformar em mais um obstáculo para a mulher que decide romper o ciclo de agressões. A Casa da Mulher Brasileira (CMB) foi criada justamente para concentrar, em um mesmo espaço, serviços de acolhimento, proteção, segurança, Justiça e assistência, reduzindo a necessidade de deslocamento entre diferentes órgãos.
Em Mato Grosso do Sul, a estrutura tem uma importância particular: Campo Grande abriga a primeira Casa da Mulher Brasileira inaugurada no país, em 3 de fevereiro de 2015. A unidade funciona 24 horas e reúne serviços especializados para mulheres em situação de violência.
O modelo integra ações de diferentes órgãos e busca oferecer atendimento humanizado, com escuta qualificada e encaminhamento conforme a necessidade de cada caso.
Como funciona o atendimento
A mulher que chega à Casa passa inicialmente pelo acolhimento e triagem. A partir desse primeiro contato, profissionais identificam a situação e encaminham a vítima para os serviços necessários, que podem estar dentro da própria unidade ou em outros equipamentos da rede de proteção.
A proposta é evitar que a mulher tenha de repetir várias vezes sua história em diferentes instituições e facilitar o acesso a medidas de proteção, atendimento psicológico, assistência jurídica e outros serviços.
Na unidade de Campo Grande, estão disponíveis:
- Acolhimento e triagem, porta de entrada para os demais serviços;
- Atendimento e acompanhamento psicossocial;
- Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, para registro e investigação de crimes;
- Juizado e Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar;
- Ministério Público, com atuação nos casos relacionados à violência;
- Defensoria Pública, para orientação e assistência jurídica;
- Serviços de saúde, conforme a necessidade da vítima;
- Alojamento de passagem, para situações de risco iminente;
- Central de transportes, para deslocamento a outros serviços da rede;
- Promoção da autonomia econômica, com ações de qualificação e orientação;
- Brinquedoteca, destinada às crianças que acompanham as mulheres durante o atendimento.
A estrutura também pode contar com serviços de segurança e ações articuladas com a rede de enfrentamento à violência.
Casa de Campo Grande funciona 24 horas
A Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande fica na Rua Brasília, lote A, quadra 2, s/n, Jardim Imá. O telefone de contato é (67) 2020-1300. A unidade oferece atendimento ininterrupto.
A gestão local é da Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Executiva da Mulher, enquanto a coordenação nacional está vinculada ao Ministério das Mulheres.
A unidade da capital foi inaugurada em 2015 e se tornou referência no modelo de atendimento integrado. A estrutura reúne órgãos que normalmente funcionariam em endereços diferentes, permitindo que a mulher tenha acesso a diferentes etapas do atendimento em um único local.
E se houver risco de morte?
A Casa também possui alojamento de passagem, destinado a situações em que a mulher esteja sob risco iminente. O acolhimento é temporário e pode incluir os filhos que a acompanham.
Para situações que exigem proteção prolongada, Mato Grosso do Sul também mantém a Casa Abrigo, serviço regionalizado voltado a mulheres vítimas de violência doméstica em risco de morte, com atendimento ininterrupto.
Dourados e Corumbá terão novas unidades
Campo Grande não será a única cidade sul-mato-grossense a contar com uma Casa da Mulher Brasileira. O Estado tem projetos para implantação de unidades em Dourados e Corumbá, ampliando a estrutura de atendimento para outras regiões.
Os acordos para construção das duas unidades foram assinados em 2024 dentro do programa Mulher, Viver sem Violência, em parceria entre os governos federal, estadual e municipais.
A unidade de Corumbá foi planejada para funcionar na Rua Campo Grande, esquina com a Rua 21 de Setembro, no bairro Aeroporto. O projeto prevê Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, espaços para Tribunal de Justiça, Ministério Público e Defensoria Pública, além de cartório, sala de audiências, atendimento psicossocial e brinquedoteca.
O projeto também tem relevância regional por estar em uma área de fronteira. O Ministério das Mulheres classificou a Casa de Corumbá como a primeira unidade do modelo a ser construída em região de fronteira no país.
Já a Casa de Dourados foi planejada para atender também mulheres indígenas, em razão da localização e das características da população da região. O projeto prevê a instalação da unidade em área próxima à Reserva Indígena de Dourados.
As duas unidades ainda aparecem em documentos oficiais como equipamentos em fase de implementação, portanto não devem ser confundidas com unidades já abertas ao público.
Interior já conta com outros serviços de atendimento
Enquanto as novas Casas da Mulher Brasileira não entram em funcionamento, mulheres que vivem no interior de Mato Grosso do Sul podem procurar os Centros de Atendimento e Referência à Mulher em Situação de Violência existentes em diferentes municípios.
A rede estadual lista serviços, por exemplo, em Dourados, Corumbá, Aquidauana, Paranaíba, Coxim, Fátima do Sul, Naviraí, Nova Andradina, Três Lagoas, Rio Brilhante e Jardim, entre outras localidades.
Esses equipamentos podem oferecer acolhimento, orientação, acompanhamento psicossocial e encaminhamento para outros serviços da rede, de acordo com a estrutura disponível em cada município.
Quando procurar ajuda
A violência contra a mulher não se limita à agressão física. A rede de proteção também atende situações de violência psicológica, sexual, patrimonial e moral, além da violência física.
A mulher não precisa esperar que a agressão se torne física para procurar orientação.
Também é possível buscar ajuda quando existe ameaça, controle excessivo, perseguição, humilhação, retenção de documentos ou dinheiro, destruição de bens, coerção sexual ou outras situações que possam caracterizar violência.
Ligue 180 recebe denúncias e orienta mulheres
Quem não sabe qual serviço procurar pode recorrer à Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180.
O serviço é gratuito, funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, e oferece informações sobre direitos e sobre a rede de atendimento. Também recebe denúncias e as encaminha aos órgãos responsáveis.
O atendimento pode ser feito pelo:
Telefone: 180
WhatsApp: (61) 9610-0180
E-mail: [email protected]
O serviço pode ser acionado pela própria vítima ou por qualquer pessoa que tenha conhecimento de uma situação de violência.
Em caso de emergência ou perigo imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.


















