Em ano eleitoral, a política domina as conversas, as redes sociais, os grupos de WhatsApp, as empresas, os eventos e relações profissionais e para quem trabalha a sua marca pessoal nas redes resta a dúvida: “devo ou não falar de política no meu perfil?”
E a resposta mais sincera para essa pergunta é DEPENDE. Não há uma “receita de bolo” única e aplicável para cada pessoa. O maior erro está em acreditar que existem apenas duas opções, entrar no debate partidário ou ignorar completamente aquilo que está mobilizando o país.
Uma marca pessoal bem-posicionada consegue observar o contexto e decidir como deseja participar dele.
Existem profissionais para quem política faz parte diretamente do território de autoridade. Advogados, empresários ligados a setores regulados, economistas, profissionais do agronegócio, especialistas em relações institucionais, educação, saúde, segurança, infraestrutura e diversas outras áreas serão afetados pelas decisões que estão sendo debatidas durante a eleição.
Nesse caso, acompanhar o período eleitoral pode ser uma excelente oportunidade de demonstrar repertório, mas isso não significa transformar o perfil pessoal em uma página de comentário político.
É possível analisar propostas, explicar impactos sobre determinado setor, traduzir mudanças regulatórias, discutir cenários econômicos ou mostrar quais temas deveriam estar no radar de empresários e profissionais.
Um advogado trabalhista, por exemplo, pode explicar como determinados debates legislativos interferem nas relações de trabalho, um empresário pode discutir os efeitos de políticas econômicas sobre o seu nicho, um profissional do agronegócio pode comentar infraestrutura, crédito ou tributação e um especialista em liderança pode observar a comunicação, a construção de confiança e a capacidade de mobilização dos candidatos.
Para essa opção, a pauta da eleição se torna um contexto de demonstração de competência técnica.
Existe também um segundo caminho para quem não deseja entrar diretamente em discussões políticas, que é usar a campanha como objeto de análise dentro do seu próprio território.
Quem trabalha com marca e posicionamento pode falar sobre construção de reputação, narrativa, símbolos, gestão de crise, comunicação pública, coerência e percepção; quem trabalha com liderança pode observar como diferentes figuras constroem confiança ou perdem legitimidade e quem trabalha com vendas pode analisar persuasão, comunidade e mobilização.
Em ambos os casos, não é necessário dizer a sua escolha ou bandeira política, é somente usar estrategicamente o fenômeno que ocupa a atenção das pessoas para explicar aquilo que já faz parte da sua expertise. E, para mim, esse é um dos usos mais interessantes do período eleitoral.
Campanhas são grandes laboratórios de percepção, uma vez que existe uma disputa permanente por narrativa, símbolos, reputação, confiança e memória.
Um candidato precisa tornar determinadas ideias facilmente associáveis ao próprio nome, precisa escolher quais histórias contar, quais características reforçar e qual leitura deseja que o eleitor faça sobre sua trajetória.
Marcas fazem exatamente esse trabalho todos os dias, por isso, mesmo um profissional que não deseja se tornar comentarista político pode encontrar excelentes pontos de conexão com a eleição.
Existe ainda uma terceira possibilidade: não falar sobre política e sim, isso também pode ser estratégico, afinal, nem toda marca precisa entrar em pautas quentes. Se o tema não possui relação com sua atuação, se você não tem repertório suficiente ou se a discussão tende a deslocar sua comunicação para um território que não é o que você deseja ocupar, não existe obrigação de participar.
Posicionamento também é saber quais conversas não pertencem à sua marca. O cuidado maior está em não confundir ausência de opinião partidária com ausência de leitura de contexto.
Uma empresa ou profissional pode permanecer distante da disputa eleitoral e, ainda assim, compreender que o comportamento do consumidor, a economia, o ambiente regulatório e a própria atenção das pessoas serão influenciados por esse período e essa compreensão muda pautas de conteúdo, lançamentos, comunicação institucional e até mesmo decisões de negócios.
Em ano eleitoral, você não precisa se tornar comentarista político, mas precisa decidir qual relação a sua marca terá com a conversa que está acontecendo ao redor dela.













