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Cadastro de voluntários é feito pelo Redome e pode beneficiar pacientes que precisam de transplante; entenda quem pode se inscrever e como funciona a doação

A doação de medula óssea pode ser necessária no tratamento de diferentes doenças graves que afetam a produção das células do sangue. O transplante é utilizado principalmente em casos de leucemias, síndromes mielodisplásicas, linfomas e mielomas que não respondem adequadamente a outros tratamentos. O procedimento também pode ser indicado para doenças não malignas, como aplasia de medula, algumas imunodeficiências e doenças genéticas.

A medula óssea é responsável pela produção de células importantes para o funcionamento do organismo, como glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Quando ela deixa de funcionar corretamente, o transplante pode substituir as células doentes por células saudáveis de um doador compatível.

Como funciona a compatibilidade

A compatibilidade entre doador e receptor é avaliada por meio de um exame chamado tipagem HLA, que identifica marcadores genéticos presentes nas células. Quanto maior a compatibilidade entre esses marcadores, menor o risco de rejeição e de outras complicações relacionadas ao transplante.

Segundo especialistas citados pelo HU Brasil, irmãos têm cerca de 25% de chance de apresentar compatibilidade total. Quando não existe um doador compatível na família, a busca pode ser feita em registros nacionais e internacionais de voluntários.

No Brasil, o cadastro é concentrado no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), que reúne voluntários que podem ser chamados caso apresentem compatibilidade com algum paciente que necessite do transplante.

A existência de um grande número de cadastrados é importante porque as características genéticas variam entre os diferentes grupos populacionais. Por isso, pacientes de grupos menos representados nos registros podem enfrentar mais dificuldade para encontrar um doador compatível.

Quem pode se cadastrar

Para se tornar candidato a doador voluntário de medula óssea, é necessário ter entre 18 e 35 anos, apresentar documento original de identificação com foto e estar em bom estado de saúde.

Algumas condições de saúde impedem o cadastro ou a doação. Entre elas estão histórico de câncer e determinadas doenças autoimunes. O Redome mantém uma relação das doenças que podem impedir a inscrição ou a doação.

O cadastro é realizado nos hemocentros de todo o país. Depois de inscrito, o voluntário deve manter os dados pessoais atualizados, principalmente telefone e endereço. A atualização pode ser feita pelo site ou aplicativo do Redome e também nos hemocentros.

A manutenção dos dados é importante porque o voluntário pode ser chamado anos depois do cadastro caso seja identificado como compatível com um paciente.

Como é feita a doação

Antes da doação, o voluntário passa por avaliações e exames médicos para verificar as condições de saúde e confirmar a possibilidade de realizar o procedimento.

A coleta das células da medula óssea pode ocorrer de duas maneiras. Uma delas é por meio do sangue periférico, que circula pelos vasos sanguíneos. Nesse caso, o doador recebe medicamentos para estimular a produção e a liberação das células necessárias para a coleta. O procedimento é realizado por meio de uma máquina que separa as células e devolve os demais componentes do sangue ao organismo.

A outra possibilidade é a coleta por punção do osso da bacia. Nesse procedimento, o doador é submetido à anestesia e os médicos retiram a medula óssea do local indicado.

Nos dois casos, a recuperação costuma ser rápida. De acordo com a hematologista Vaneuza Funke, do Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, o doador pode receber alta cerca de 24 horas depois do procedimento.

Após a coleta, as células são encaminhadas ao paciente que receberá o transplante. O receptor permanece internado durante o período necessário para que a nova medula comece a produzir células sanguíneas, processo conhecido como “pega” da medula.

Cadastro amplia chances de encontrar um doador

A principal dificuldade dos transplantes de medula óssea está na identificação de um doador geneticamente compatível. Segundo o hematologista Fernando Barroso, chefe da Unidade de Hematologia e Hemoterapia do Hospital Universitário Walter Cantídio, apenas cerca de 25% dos pacientes encontram um doador compatível dentro da própria família.

Por isso, os registros de doadores voluntários têm papel importante na busca por compatibilidade. Quanto maior e mais diversificado for o cadastro, maiores são as possibilidades de encontrar pessoas geneticamente compatíveis para pacientes que não contam com um doador familiar.

O cadastro, no entanto, não significa que a pessoa será imediatamente chamada para doar. O voluntário permanece registrado e pode ser convocado caso seja identificada compatibilidade com um paciente.

A doação é voluntária e depende da confirmação da compatibilidade e de novas avaliações médicas. Para os especialistas, manter o cadastro atualizado e atender às convocações quando houver compatibilidade são etapas importantes para ampliar as possibilidades de tratamento de pessoas que dependem do transplante.

Com informações e imagem do Governo Federal

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