De empresário rural e liderança do setor produtivo a secretário de Estado e governador, Eduardo Riedel construiu uma carreira política sem passar pelo Legislativo
Eduardo Corrêa Riedel, 57, consolidou uma trajetória pouco comum entre políticos que chegam ao comando de um estado. Empresário do agronegócio, dirigente de entidades do setor e gestor público, ele nunca foi vereador, deputado ou prefeito. Sua primeira disputa eleitoral ocorreu em 2022, justamente para o cargo de governador de Mato Grosso do Sul.
Quatro anos depois, Riedel foi reeleito no primeiro turno, com 67,07% dos votos válidos, ou 914.323 votos. Fábio Trad (PT) terminou em segundo, com 23,68%, seguido por João Henrique Catan (Novo), com 7,24%.
O resultado também colocou fim a uma sequência de três eleições estaduais decididas em segundo turno. A última vez que Mato Grosso do Sul havia escolhido seu governador já no primeiro turno tinha sido em 2010, quando André Puccinelli foi reeleito com cerca de 56% dos votos válidos.
A vitória de 2026 amplia a permanência do grupo político que chegou ao governo estadual em 2015 e que teve Reinaldo Azambuja (PL) como principal liderança até a sucessão de Riedel.
Do Rio de Janeiro para Mato Grosso do Sul
Riedel nasceu no Rio de Janeiro, em 4 de janeiro de 1969, mas construiu em Mato Grosso do Sul sua trajetória profissional e política.
Formado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele também fez mestrado em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Sua carreira, no entanto, tomou um caminho distante da área acadêmica.
Em 1995, passou a administrar a propriedade rural da família em Maracaju, entrando diretamente no setor agropecuário. A atividade o levou a assumir funções em entidades representativas dos produtores e a construir uma rede de relações no agronegócio sul-mato-grossense.
Antes de chegar ao governo, Riedel passou pelo Sindicato Rural de Maracaju e pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul). Também teve atuação na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e no Sebrae-MS.
Foi nesse período que seu nome ganhou projeção para além do setor rural.
A passagem pela Famasul
A presidência da Famasul foi um dos principais degraus de sua trajetória pública. Riedel esteve à frente da entidade entre 2012 e 2016, período em que passou a ser reconhecido como uma das lideranças do setor produtivo de Mato Grosso do Sul.
A posição também o aproximou do governo estadual. Em 2015, já no primeiro mandato de Reinaldo Azambuja, Riedel deixou a atuação empresarial e classista para assumir a Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica.
Foi o primeiro grande salto de uma carreira construída até então fora da política partidária.
O homem de confiança de Azambuja
A entrada no governo de Azambuja ajudou a definir o perfil político que Riedel levaria para as urnas anos mais tarde.
Durante cerca de sete anos, ele trabalhou na estrutura do Executivo estadual. Na Secretaria de Governo e Gestão Estratégica, participou do planejamento da administração, do acompanhamento de metas e indicadores e da articulação com municípios.
Em vez de ocupar espaço no debate político tradicional, Riedel ganhou notoriedade dentro da máquina administrativa.
Seu perfil era o de um gestor técnico, ligado a planejamento, números e execução. A relação construída com Azambuja também foi determinante para sua escolha como candidato à sucessão do governador.
Mais tarde, Riedel assumiria ainda a Secretaria de Infraestrutura, ampliando a relação com prefeitos e gestores municipais.
Quando Azambuja chegou ao fim do segundo mandato, em 2022, Riedel apareceu como o escolhido para representar a continuidade daquele grupo político.
A primeira eleição
Até então, Riedel nunca havia disputado uma eleição.
A estreia aconteceu em 2022. O desafio era transformar uma carreira construída em gabinetes, entidades empresariais e na administração pública em uma candidatura capaz de conquistar o eleitorado.
No primeiro turno, Riedel terminou na liderança, mas não atingiu a maioria dos votos válidos. A disputa foi para o segundo turno contra Capitão Contar.
No segundo pleito, venceu com 56,90% dos votos válidos, ou 808.210 votos, e assumiu o governo de Mato Grosso do Sul em janeiro de 2023.
A eleição mudou sua posição dentro da política estadual. O técnico que havia trabalhado durante anos nos bastidores passou a comandar diretamente o Executivo.
De secretário a governador
O primeiro mandato manteve características que já apareciam na trajetória profissional de Riedel.
O governador adotou um discurso baseado em planejamento, equilíbrio fiscal, atração de investimentos e articulação com municípios. A administração também passou a concentrar investimentos em infraestrutura, logística, saneamento, saúde e expansão industrial.
A gestão, porém, também passou a receber cobranças, especialmente na área da saúde, com críticas relacionadas à demora por consultas, exames e cirurgias, além de reivindicações de servidores e da avaliação de que a comunicação do governo poderia ser mais próxima da população.
Esse passou a ser o principal teste político de Riedel: deixar de ser apenas o gestor escolhido por Azambuja e construir uma identidade própria perante o eleitor.
A saída do PSDB
Outra mudança importante ocorreu em 2025.
Depois de mais de uma década ligado ao Partido Social da Democracia Brasileira (PSDB), partido pelo qual havia sido eleito governador, Riedel deixou a legenda e ingressou no Progressistas (PP). A mudança aproximou o governador da senadora Tereza Cristina e ocorreu em um momento de enfraquecimento do PSDB no cenário nacional.
A troca de partido não significou uma ruptura com sua base política em Mato Grosso do Sul. Riedel manteve aliados do período de Azambuja e ampliou sua coalizão para a disputa de 2026.
Na eleição deste ano, chegou às urnas pelo PP e manteve José Carlos Barbosa, o Barbosinha, como vice.
O governador que voltou às urnas
A eleição de 2026 apresentou um Riedel diferente daquele de quatro anos antes.
Em 2022, ele precisava se tornar conhecido pelo eleitorado. Em 2026, disputou a reeleição com quatro anos de governo para apresentar como credencial.
A candidatura foi apoiada por uma ampla aliança de partidos, e Riedel chegou à votação como favorito. O resultado confirmou a vantagem: 67,07% dos votos válidos, contra 23,68% de Fábio Trad.
Com isso, Riedel se tornou o primeiro governador de Mato Grosso do Sul em 16 anos a vencer uma eleição estadual no primeiro turno.

















