Boletim Focus aponta terceira alta seguida na estimativa do IPCA e mantém Selic em 13,5% ao ano no fim de 2026
A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial em 2026 voltou a subir. Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (5), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,99% para 5,01%.
Esta foi a terceira semana consecutiva de alta na projeção. Com o novo avanço, a estimativa do mercado permanece acima do teto da meta de inflação estabelecida para o ano.
O Conselho Monetário Nacional definiu a meta de inflação em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O intervalo considerado compatível com a meta, portanto, vai de 1,5% a 4,5%.
A projeção de 5,01% representa uma inflação 0,51 ponto percentual acima do limite superior da meta.
Inflação segue acima do limite da meta
O sistema de metas contínuas de inflação passou a vigorar em janeiro de 2025. Nesse modelo, o Banco Central acompanha a inflação ao longo do tempo, tendo como referência a meta estabelecida pelo CMN.
O IPCA é o índice utilizado para medir a inflação oficial do país. Quando os preços sobem de forma persistente, o poder de compra da população diminui, enquanto empresas e consumidores passam a lidar com custos maiores.
Para 2027, o mercado reduziu ligeiramente a previsão para o IPCA, de 4,31% para 4,30%. Para 2028, a estimativa permaneceu em 3,8%.
Mercado reduz previsão de crescimento
O mesmo levantamento mostrou uma pequena piora na expectativa para o desempenho da economia brasileira.
A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 passou de 1,86% para 1,85%. Para 2027, a estimativa caiu de 1,41% para 1,40%. Em 2028, a previsão também recuou, de 1,83% para 1,81%.
O PIB é a soma dos bens e serviços produzidos no país e é usado como um dos principais indicadores para medir o ritmo da atividade econômica. Uma previsão menor de crescimento indica uma expectativa de expansão mais moderada da economia.
Dólar permanece em R$ 5,20
A previsão para o câmbio não sofreu alteração no levantamento desta segunda-feira.
Para o fim de 2026, os analistas mantiveram a expectativa de que o dólar termine o ano cotado a R$ 5,20.
Para 2027, a projeção permaneceu em R$ 5,28. Para 2028, continuou em R$ 5,30.
Selic continua em 13,5%
A projeção para a taxa básica de juros também permaneceu estável.
O mercado continua esperando que a Selic termine 2026 em 13,5% ao ano. Para 2027, a estimativa é de 12% e, para 2028, de 10,5%.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para tentar controlar a inflação. Em um cenário de preços pressionados, juros elevados tendem a encarecer o crédito e desestimular o consumo e os investimentos, reduzindo a demanda na economia.
Por outro lado, juros menores barateiam o crédito e podem estimular o consumo e a atividade econômica, mas também podem aumentar as pressões sobre os preços.
A manutenção da previsão para a Selic ocorre em um cenário em que o mercado continua projetando inflação acima do limite de tolerância da meta para 2026.
Inflação maior e crescimento menor
O Boletim Focus desta segunda-feira combina duas mudanças importantes nas expectativas para a economia brasileira. A previsão para a inflação subiu de 4,99% para 5,01%, enquanto a estimativa de crescimento do PIB recuou de 1,86% para 1,85%.
Ao mesmo tempo, as projeções para o dólar e para a Selic permaneceram estáveis. O mercado espera que a moeda norte-americana encerre o ano em R$ 5,20 e que a taxa básica de juros termine 2026 em 13,5% ao ano.
O Boletim Focus reúne semanalmente as expectativas de instituições do mercado financeiro para os principais indicadores da economia. As projeções não são previsões oficiais do Banco Central, mas refletem as estimativas dos analistas consultados pela instituição.
Com informações e imagem da Agência Brasil
















