Eleições renovam 54 das 81 cadeiras, levam 40 novos nomes à Casa e fortalecem a direita, enquanto bancada feminina deve atingir maior número da história
As eleições deste domingo (4) redesenharam a composição do Senado para a próxima legislatura. A partir de 2027, a Casa terá 40 novos senadores, enquanto 14 dos atuais parlamentares que tentaram a reeleição conseguiram permanecer no cargo.
Ao todo, 54 das 81 cadeiras foram definidas nas urnas, o equivalente a dois terços do Senado. O resultado representa uma renovação de aproximadamente 74% das vagas que estavam em disputa e altera de forma significativa a correlação de forças entre os partidos.
O Partido Liberal (PL) aparece como principal vencedor da disputa para o Senado. A legenda elegeu 19 senadores e deverá começar 2027 com 28 integrantes, maior bancada de um partido no início de uma legislatura desde a promulgação da Constituição de 1988.
O resultado supera o recorde anterior, registrado pelo então PMDB em 1999, quando o partido iniciou a legislatura com 27 senadores.
A nova configuração também amplia a presença feminina. Doze mulheres foram eleitas para as cadeiras em disputa, levando a bancada feminina a uma previsão de 18 senadoras no início de 2027, o maior número já registrado no Senado.
Renovação chega a 74% das vagas em disputa
A renovação foi maior do que poderia ser calculada apenas pelas derrotas nas urnas.
Dos 54 senadores cujas cadeiras estavam em jogo, 13 sequer disputaram a eleição. Outros nove concorreram a cargos diferentes ou participaram do pleito como suplentes.
Entre os 32 senadores que tentaram permanecer no cargo, apenas 14 conseguiram a reeleição, uma taxa de 43,7%. Dezoito titulares foram derrotados.
Foram reeleitos Alessandro Vieira (MDB-SE), Carlos Portinho (PL-RJ), Cid Gomes (PSB-CE), Eduardo Braga (MDB-AM), Eduardo Gomes (PL-TO), Humberto Costa (PT-PE), Jaques Wagner (PT-BA), Lucas Barreto (PSD-AP), Marcelo Castro (MDB-PI), Marcio Bittar (PL-AC), Plínio Valério (PSDB-AM), Rogério Carvalho (PT-SE), Styvenson Valentim (Podemos-RN) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).
A taxa de renovação, porém, não foi a maior da história recente. Em 2018, quando também estavam em disputa dois terços do Senado, 32 titulares buscaram a reeleição, mas apenas oito conseguiram permanecer. Naquele ano, 46 das 54 cadeiras foram ocupadas por novos nomes, uma renovação de 85,19%.
PL domina eleição para o Senado
O desempenho do PL é um dos principais resultados políticos das eleições de 2026.
A legenda elegeu 19 dos 54 senadores em disputa, o equivalente a 35,2% das cadeiras renovadas.
Nunca, desde a Constituição de 1988, um partido havia elegido tantos senadores em uma única eleição. O recorde anterior era de 14 eleitos, alcançado pelo PMDB em 1994 e 2010 e pelo antigo PFL em 2002.
O PL também conseguiu eleger os dois senadores de um mesmo estado em cinco unidades da Federação: Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina.
O resultado supera outro recorde histórico. Desde 1988, nenhum partido havia conseguido eleger os dois representantes de um estado em cinco locais diferentes na mesma eleição. A marca anterior era de três “dobradinhas”, alcançada pelo PFL em 1994 e 2002.
Com os 19 eleitos e os parlamentares que já possuem mandato, o PL deverá chegar a 28 senadores no início de 2027.
O tamanho da bancada coloca a legenda em uma posição central para a definição das forças políticas no Senado e para a composição dos principais espaços de poder da Casa.
PT e MDB aparecem na sequência
Apesar da ampla vantagem do PL, nenhum outro partido se aproxima da bancada projetada pela legenda.
O PT deverá ter nove senadores, enquanto o MDB ficará com oito. Os dois partidos aparecem na segunda e terceira posições entre as maiores bancadas previstas para o início da próxima legislatura.
O cenário representa uma mudança em relação à composição atual.
O PSD, que tinha 15 senadores no início da legislatura e 13 no começo de 2026, deverá ficar com apenas cinco integrantes a partir de 2027.
A queda reduz significativamente o peso da legenda dentro do Senado.
PP e União Brasil, que formam a federação União Progressista, continuam sendo contabilizados como bancadas independentes no Senado.
A Casa deverá ter 13 bancadas partidárias no início de 2027, contra 12 no começo da atual legislatura.
Mulheres terão maior bancada da história
A eleição também produziu uma marca inédita na representação feminina.
Doze mulheres foram eleitas para o Senado em 2026, o maior número de candidatas eleitas em uma única disputa para a Casa.
Com as novas eleitas e as senadoras que já possuem mandato até 2031, a bancada feminina deverá chegar a 18 integrantes no início de 2027.
O número será o maior da história do Senado, embora as mulheres ainda representem uma parcela minoritária das 81 cadeiras.
O resultado ocorre em uma eleição marcada por uma concentração partidária maior do que a registrada em 2018. Naquele ano, 20 partidos conseguiram eleger pelo menos um senador. Em 2026, foram 13 legendas.
Eleição também mexe em cadeiras que não estavam em disputa
Embora apenas 54 cadeiras tenham sido diretamente submetidas ao voto neste ano, a composição final do Senado não depende exclusivamente dos eleitos.
Isso ocorre porque alguns senadores que tinham mandato até 2031 disputaram outros cargos.
Cleitinho (Republicanos-MG) e Sergio Moro (PL-PR) foram eleitos governadores no primeiro turno. Com a saída dos dois, os suplentes deverão assumir as cadeiras no Senado.
No caso de Cleitinho, o primeiro suplente é Alex Diniz, do PL. Sergio Moro será substituído por Luís Felipe Cunha, do União.
Outros três senadores ainda disputam o segundo turno para governos estaduais, marcado para 25 de outubro: Alan Rick (Republicanos-AC), Omar Aziz (PSD-AM) e Professora Dorinha Seabra (União-TO).
Se forem eleitos governadores, deixarão o Senado e serão substituídos pelos respectivos suplentes.
A mudança terá impacto diferente sobre as bancadas. No caso de Alan Rick, o primeiro suplente é Gemil Júnior, do PSD. Omar Aziz seria substituído por Cheila Moreira, do PT. Já Professora Dorinha seria substituída por Professora Lu, que pertence ao mesmo partido.
Deltan Dallagnol ainda pode alterar composição
A formação definitiva do Senado também depende de uma disputa judicial.
Deltan Dallagnol (Novo) foi eleito senador pelo Paraná, mas sua candidatura está sub judice. Ele foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2023, depois de ter renunciado ao cargo de procurador da República enquanto respondia a processo disciplinar.
O Tribunal Regional Eleitoral confirmou o registro da candidatura, mas houve recurso ao TSE.
No sábado (3), o ministro Floriano de Azevedo havia indeferido o registro em decisão monocrática. A decisão, porém, foi suspensa pelo presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, até que o plenário do TSE analise o caso.
Se a inelegibilidade for confirmada, será necessária uma nova eleição para preencher a vaga.
Bancadas ainda podem mudar até fevereiro
Apesar de o desenho político já estar definido em grande parte, os números apresentados para 2027 não são definitivos.
Os novos senadores só tomarão posse em fevereiro, e até lá mudanças partidárias, convites para ministérios e outras alterações podem modificar a composição das bancadas.
Também há casos de senadores licenciados ou afastados temporariamente que podem retornar ao cargo.
Jussara Lima (PSD-PI), por exemplo, exerce atualmente o mandato no lugar de Wellington Dias (PT), que ocupa o cargo de ministro do Desenvolvimento e Assistência Social. Caso Dias deixe o ministério e volte ao Senado, a composição partidária será alterada.
Já Lourdinha Pereira (PSB-MA) ocupa temporariamente a cadeira de Ana Paula Lobato (PSB). Como as duas são do mesmo partido, o eventual retorno da titular não mudará a distribuição das bancadas.
Com informações e imagem da Agência Senado
















