Sistema proporcional considera a votação dos partidos e federações para distribuir as cadeiras; veja como a regra definiu os deputados de MS em 2026
Você já reparou que, nas eleições para deputado, um candidato pode receber mais votos que outro e, ainda assim, ficar de fora enquanto o concorrente consegue uma cadeira? Isso acontece porque a escolha de deputados federais e estaduais segue o sistema proporcional, diferente do modelo usado para presidente, governador e senador.
Nas eleições majoritárias, a votação é diretamente ligada ao resultado individual da candidatura. Já para deputado, os votos dados aos candidatos e os votos de legenda são somados para definir quantas cadeiras cada partido ou federação terá direito a ocupar. Depois, as vagas são preenchidas pelos candidatos mais votados dentro dessas legendas.
Por isso, o número de votos recebido individualmente não é o único fator que determina quem será eleito.
O que é o quociente eleitoral?
O primeiro cálculo é o quociente eleitoral (QE). Ele é obtido pela divisão dos votos válidos pelo número de vagas disponíveis.
Em uma eleição para deputado federal, por exemplo, os votos válidos de determinado estado são divididos pelo número de cadeiras que o estado possui na Câmara dos Deputados. Para deputado estadual, o cálculo considera as vagas disponíveis na Assembleia Legislativa.
Os votos brancos e nulos não entram nessa conta.
Depois, é calculado o quociente partidário, que indica quantas cadeiras cada partido ou federação poderá ocupar a partir da votação obtida pela legenda.
A legislação também estabelece critérios de votação mínima para que os candidatos possam ocupar as cadeiras conquistadas pelas legendas. Segundo o TSE, nas eleições proporcionais, participam da distribuição das vagas os partidos e federações que alcançam pelo menos 80% do quociente eleitoral, enquanto os candidatos precisam atingir uma votação nominal mínima de 20% do QE nas etapas previstas pela legislação.
É por isso que os votos do partido também contam
Na prática, quando o eleitor escolhe um candidato a deputado, aquele voto também contribui para a votação total do partido ou federação.
Isso significa que uma candidatura pode receber muitos votos individualmente, mas, se a legenda não conquistar uma cadeira na distribuição proporcional, o candidato não será eleito.
Por outro lado, um candidato com votação individual menor pode ser eleito se o partido ou federação ao qual pertence conquistar uma cadeira e ele estiver entre os nomes da legenda que atendem aos critérios exigidos.
O próprio TSE explica que, no sistema proporcional, os votos podem contribuir para a eleição de outro candidato da mesma agremiação.
Como isso apareceu nas eleições de MS
Em Mato Grosso do Sul, o sistema foi utilizado para preencher oito vagas de deputado federal e 24 cadeiras na Assembleia Legislativa.
Para a Câmara dos Deputados, foram eleitos:
- Camila Jara (PT) — 154.157 votos
- Marcos Pollon (PL) — 140.129 votos
- Rose Modesto (União Brasil) — 124.409 votos
- Mara Caseiro (PL) — 120.199 votos
- Rodolfo Nogueira (PL) — 103.303 votos
- Beto Pereira (Republicanos) — 77.485 votos
- Isa Marcondes (Republicanos) — 76.956 votos
- Dagoberto Nogueira (PP) — 56.217 votos
A lista considera a totalização de 100% das urnas em Mato Grosso do Sul.
Para a Assembleia Legislativa, os 24 deputados estaduais eleitos foram:
- Zé Teixeira (PL) — 54.080 votos
- Paulo Corrêa (PL) — 44.541 votos
- Caravina (PSDB) — 43.845 votos
- Zeca do PT (PT) — 42.714 votos
- Coronel David (PL) — 41.492 votos
- André Puccinelli (MDB) — 40.602 votos
- Tiago Botelho (PT) — 39.387 votos
- Ângelo Guerreiro (PSDB) — 37.704 votos
- Gianni Nogueira (PL) — 36.108 votos
- Odilon Ribeiro (PL) — 35.905 votos
- Gerson Claro (PP) — 35.767 votos
- Londres Machado (PP) — 33.581 votos
- Helio Peluffo (PP) — 31.435 votos
- Daverson Matos (PL) — 30.604 votos
- Professora Gleice Jane (PT) — 29.844 votos
- André Salineiro (PL) — 28.437 votos
- Pedro Kemp (PT) — 28.397 votos
- Lucas de Lima do Amor Sem Fim (PL) — 26.204 votos
- Professor Rinaldo Modesto (União Brasil) — 23.763 votos
- Marcio Fernandes (PL) — 23.122 votos
- Renato Câmara (Republicanos) — 20.976 votos
- Lidio Lopes (Avante) — 20.801 votos
- Paulo Duarte (PSDB) — 20.029 votos
- Pedrossian Neto (Republicanos) — 19.516 votos
Os números foram divulgados após a totalização das 7.106 seções eleitorais do estado.
E por que isso é diferente da eleição para governador?
A diferença está justamente no sistema utilizado.
Para governador, presidente e senador, a eleição é majoritária. Nesse modelo, o resultado é definido pela votação das candidaturas, de acordo com as regras específicas de cada cargo.
Já para deputados federais e estaduais, a eleição é proporcional. Primeiro são distribuídas as cadeiras entre partidos e federações, considerando a votação obtida por cada uma delas. Depois, os candidatos que atendem aos requisitos legais ocupam as vagas destinadas à respectiva legenda.
É por isso que, na eleição proporcional, olhar apenas para a quantidade de votos individuais não é suficiente para entender quem foi eleito.
E o que acontece com os votos de legenda?
O eleitor também pode escolher diretamente um partido, em vez de votar em um candidato específico. Esse é o chamado voto de legenda.
Esses votos são somados aos votos nominais da legenda para a distribuição das cadeiras. Assim, a votação total de um partido ou federação é fundamental para definir quantas vagas serão destinadas àquela agremiação.
No fim, a lógica é: o eleitor vota em um candidato ou partido, os votos ajudam a definir o tamanho da bancada de cada legenda e, depois, as cadeiras são ocupadas pelos candidatos que cumprem os critérios previstos na legislação.
Por isso, nas eleições proporcionais, o candidato mais votado individualmente não necessariamente é o único fator determinante para a eleição.

















