Já há um tempo que venho refletindo sobre a questão “liderança” de forma mais específica em nosso país. Isso tem me levado a constatações preocupantes, principalmente quando olhamos para nossas empresas, organizações e instituições públicas.
John Maxwell, grande nome ligado à liderança, afirma que “Liderança é pura influência: nada mais, nada menos”. Isso acontece quando alguém consegue inspirar e guiar outros de maneira voluntária. Porém, para que os resultados sejam sustentáveis, torna-se necessário desenvolver essas habilidades com formação adequada.
Segundo a Gallup e a SHRM, 58% dos líderes nas empresas nunca participaram de um treinamento sobre liderança, e isso tem levado a um desgaste nas relações e na produtividade das empresas, organizações e instituições. Ou seja, 70% dos colaboradores se sentem desengajados no trabalho e, pasmem, 82% pedem demissão de seu líder, não da empresa.
A pergunta que fica é: quem está formando as próximas lideranças de nosso país? O filósofo estoico Sêneca já disse: “Nenhum vento é favorável para quem não sabe para qual porto está navegando”. Ou seja, nenhum vento é favorável para um líder que não sabe para onde está conduzindo os seus liderados.
Essa minha reflexão sobre este tema tem se acentuado nesse tempo de eleições em nosso país. Ao olhar os resultados eleitorais, encontramos mais do mesmo para a maioria dos cargos de deputados, senadores e governadores. Eu me pergunto: se estamos onde estamos, que projetos esses homens e mulheres que, teoricamente, são “representantes do povo” e já ocupam esses cargos por vários mandatos, irão desenvolver para o bem de nossos estados e nação? Esses resultados – com poucas renovações – me levam a concluir que vivemos uma séria crise de liderança em todas as instâncias de nosso país. Hoje, nossas crianças e adolescentes estão crescendo sem referências saudáveis no que diz respeito à liderança, principalmente à liderança pública em nossa sociedade.
Aqui voltamos ao “poder da escolha”. Se somos nós que escolhemos os nossos representantes, precisamos nos perguntar diariamente: quem está formando e como essa formação acontece em relação às pessoas que ocuparão posições de liderança em nossas empresas, organizações e instituições públicas de nosso país? A nossa escolha acontece nas urnas, mas a formação deve iniciar desde muito cedo. É urgente e necessário continuarmos pensando por que temos encontrado tão poucas lideranças de referência em nossa sociedade.
Onde estão não só os adolescentes e jovens, mas também pessoas amadurecidas com novas ideias, novas competências e habilidades, nova visão sobre o nosso país e que desejam exercer uma liderança com nova mentalidade, com ética, com moral, com conhecimento e responsabilidade para construirmos um futuro com mais qualidade de vida.
Essa formação de líderes de influência saudável não acontece nos pleitos eleitorais, mas sim, nas famílias, nas escolas, nas universidades, nos diversos grupos sociais, nos grupos religiosos etc. Todos esses grupos e instituições precisam desenvolver uma leitura para além da escrita, um pensamento crítico aguçado, a capacidade de ouvir, dialogar e respeitar a escolha do outro, ter a compreensão clara sobre ética, moral, dever, responsabilidade e, sobre a essência do servir.
Nossa nação só experimentará mudanças reais quando se preocupar em formar lideranças capazes de representar novos caminhos. Lideranças que tenham projetos, prioridades, princípios, valores e estratégias para conduzirem empresas, organizações e instituições públicas a um futuro sustentável.
Que Brasil desejamos?! Que Deus abençoe o povo brasileiro com conhecimento, discernimento, força e graça.

















