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Arthur Maximilliano

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Quando as vendas caem, o vendedor costuma ser o primeiro a ocupar o banco dos réus.

“Não tem iniciativa.”
“Não sabe fazer follow-up.”
“Só vende quando o cliente procura.”
“Não corre atrás da meta.”

Em alguns casos, a crítica é justa. Existem profissionais despreparados, acomodados ou sem perfil comercial. Mas, antes de decidir pela substituição, o empresário deveria responder a uma pergunta incômoda: essa pessoa recebeu um processo para seguir ou apenas uma meta para alcançar?

Em muitas empresas, contratar um vendedor significa entregar um celular, uma lista de contatos e uma tabela de preços. Depois disso, espera-se que ele descubra sozinho quem abordar, o que dizer, quantas tentativas fazer, quando enviar uma proposta e como retomar uma negociação.

Quando o resultado não aparece, a culpa fica concentrada no profissional. O problema é que trocar a pessoa sem corrigir a estrutura costuma apenas reiniciar o mesmo ciclo.

O novo vendedor chega animado, conversa com alguns clientes, faz propostas e consegue movimentar a carteira. Depois de alguns meses, perde ritmo, começa a esquecer contatos e passa a depender cada vez mais das oportunidades que chegam prontas. A empresa conclui que também errou na contratação.

Talvez tenha errado. Mas talvez esteja tentando resolver com pessoas um problema que pertence ao processo.

Isso acontece em diferentes setores. Em empresas de engenharia, o mesmo profissional pode prospectar, visitar obras, fazer medições, preparar orçamentos e acompanhar propostas. Em clínicas, a recepção precisa responder mensagens, organizar agendas e ainda tentar converter interessados em pacientes. No varejo, vendedores atendem quem entra na loja, mas raramente possuem uma rotina para reativar clientes antigos. Em distribuidoras, representantes recebem uma região inteira, porém sem critérios claros sobre quais empresas visitar primeiro.

Todos estão ocupados. Isso não significa que exista uma operação comercial.

Um processo começa quando a empresa define quem deseja atender. Sem um perfil de cliente prioritário, o vendedor desperdiça energia tentando vender para qualquer pessoa. Conversa com empresas sem necessidade, sem capacidade de compra ou sem urgência, enquanto boas oportunidades recebem pouca atenção.

O segundo ponto é deixar claro o que precisa ser feito.

Uma meta de faturamento mostra onde a empresa quer chegar, mas não ensina o caminho. O profissional precisa saber quantos contatos deve realizar, quantas conversas precisa iniciar, quais informações deve levantar, como apresentar a solução e em quanto tempo deve retomar uma proposta.

Sem essa rotina, cada vendedor cria seu próprio método. Um registra tudo. Outro confia na memória. Um acompanha o cliente por semanas. Outro envia o orçamento e espera. Um prioriza oportunidades maiores. Outro atende primeiro quem mandou a última mensagem.

A empresa passa a ter vários modelos comerciais funcionando ao mesmo tempo — e nenhum deles pertence realmente à empresa.

O terceiro ponto é o acompanhamento da liderança.

Cobrar apenas no fim do mês é descobrir o problema tarde demais. Se a meta não foi atingida, o empresário precisa entender o que aconteceu antes do resultado: faltaram oportunidades, contatos, reuniões, propostas ou acompanhamento?

Não se trata de controlar cada minuto do vendedor. Trata-se de enxergar onde a venda está travando.

Uma reunião comercial simples pode mostrar quais negociações estão abertas, qual será o próximo passo, quem toma a decisão e há quanto tempo cada proposta está parada. Isso permite corrigir a rota durante o mês, em vez de apenas lamentar o resultado no fechamento.

Também ajuda a separar falta de processo de falta de desempenho.

Quando existe clareza, rotina, treinamento e acompanhamento, fica mais fácil identificar quem realmente executa e quem não executa. O processo não serve para proteger profissionais ruins. Serve para tornar a avaliação mais justa.

Sem processo, o empresário julga pela impressão. Com processo, consegue observar comportamento e resultado.

É importante reconhecer que uma boa estrutura não transforma automaticamente qualquer pessoa em grande vendedora. Comunicação, disciplina, escuta e capacidade de negociação continuam sendo importantes. Mas até um profissional talentoso pode apresentar desempenho fraco quando trabalha sem direção.

Da mesma forma, existem vendedores que parecem excelentes porque carregam uma carteira antiga, recebem indicações constantes ou atuam em uma região com alta demanda. Quando precisam gerar novas oportunidades, a fragilidade aparece.

O verdadeiro teste de uma operação comercial não é saber se alguém consegue vender. É saber se a empresa consegue repetir a venda sem depender exclusivamente de uma pessoa excepcional.

Quando todo o conhecimento está na cabeça do melhor vendedor, a empresa não possui um método. Possui um talento individual. Se ele sair, boa parte da receita, dos relacionamentos e da experiência comercial pode sair junto.

Antes de demitir, contratar ou aumentar a cobrança, vale revisar três questões: o vendedor sabe exatamente para quem vender, possui uma rotina clara e recebe acompanhamento sobre as negociações?

Se a resposta for não, talvez o problema não esteja apenas do outro lado da mesa.

No fim, a pergunta que o empresário precisa enfrentar é simples: sua empresa tem vendedores ou apenas pessoas tentando vender cada uma do seu jeito?

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

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Arthur Maximilliano

Sócio fundador e Diretor de Estratégia (CSO) da RetenMax, empresa de consultoria empresarial com foco em gestão, cultura e tecnologia. Engenheiro de Produção formado pela UFMS, possui especializações em Gestão, Liderança e Inovação, além de formação em Marketing Digital e Business Intelligence e tem MBA em Inteligência Artificial e Big Data pelo IBMEC. Atua também como professor universitário, palestrante e é autor do livro Sussurros Empresariais, escrevendo sobre liderança, integridade, inovação e o futuro das organizações. | @arthurmaxnl