Pacote de medidas inclui criação do táxi executivo, uso de caminhonetes, flexibilização para troca de veículos e novas regras para permissionários
A Prefeitura de Campo Grande anunciou nesta segunda-feira (21) um pacote de medidas para modernizar as regras de operação do serviço de táxi na capital. Entre as mudanças estão a criação da modalidade de táxi executivo, a autorização para utilização de caminhonetes no transporte de passageiros, a liberação dos táxis nos corredores exclusivos de ônibus e a flexibilização do prazo para substituição de veículos.
As medidas foram formalizadas durante ato realizado no Teatro Octávio Guizzo, no Paço Municipal, e atendem a reivindicações apresentadas pela categoria ao município. Segundo a Prefeitura, as novas regras também buscam criar alternativas para geração de renda dos permissionários e ampliar as possibilidades de renovação da frota.
Táxi executivo passa a ser uma opção
Uma das principais novidades é a regulamentação do chamado táxi executivo, voltado a veículos de maior padrão e a um serviço diferenciado. A adesão será opcional para os taxistas que cumprirem os requisitos estabelecidos pelo decreto e pelas normas da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran).
O presidente do Sindicato dos Taxistas de Mato Grosso do Sul e da Coopertaxi, Flávio Panissa, afirmou que a criação da modalidade atende a uma reivindicação antiga da categoria e pode ampliar as opções de serviço oferecidas pelos profissionais.
“Hoje está sendo publicado, vai ser assinado decreto, onde criamos a modalidade de taxi executivo, uma modificação antiga, várias capitais do país já aderiram a nossa modalidade”, afirmou.
Segundo Panissa, o novo serviço deverá funcionar como uma alternativa para os taxistas que desejarem oferecer um atendimento diferenciado. “É uma maneira de prestigiar aquele que quer oferecer um serviço melhor”, disse.
A modalidade deverá utilizar veículos pretos, de maior padrão, além de exigir diferenciais no atendimento e na apresentação dos profissionais.
Táxis poderão circular em corredores de ônibus
Outra mudança anunciada é a autorização para que os táxis utilizem faixas exclusivas destinadas ao transporte coletivo. Para a categoria, a medida pode representar redução no tempo dos deslocamentos e um diferencial diante da concorrência com os serviços de transporte por aplicativo.
Panissa afirmou que a possibilidade de utilizar os corredores era uma reivindicação antiga dos taxistas.
“Nós conseguimos mostrar para a Prefeitura a necessidade de trazer um diferencial para o táxi, onde ele possa transitar nas vias de ônibus”, afirmou.
O presidente citou como exemplo a possibilidade de utilizar corredores em avenidas movimentadas da capital.
“Um atrativo, poder atravessar até ali a Mato Grosso, é um diferencial de taxa, a própria Avenida Mato Grosso, a Avenida Bandeirantes, a Avenida Brilhante”, disse.
Caminhonetes entram entre os veículos autorizados
O pacote também amplia os tipos de veículos que poderão ser utilizados pelos permissionários. A medida permite a utilização de caminhonetes no serviço de transporte individual de passageiros.
O diretor-presidente da Agetran, Ciro Vieira Ferreira, afirmou que a medida faz parte de uma proposta de modernização do sistema e foi construída a partir de demandas apresentadas pela categoria.
Segundo ele, as novas regras procuram atualizar normas consideradas antigas e criar condições para que os taxistas tenham mais alternativas para trabalhar.
“Esses atos aqui hoje, tanto o decreto da prefeita que estabelece categoria de táxi executiva,mais a possibilidade de mudar os tipos de veículos, também de ampliar os tipos de veículos que vão ser oferecidos, nós que a categoria vai poder, e tendo disponibilidade disso, de evoluir”, disse.
Prazo para troca de veículos é ampliado
Outra medida prevê a prorrogação do prazo para substituição dos veículos que atingirem a idade máxima permitida em 2026. De acordo com Flávio Panissa, os taxistas terão mais seis meses para realizar a troca.
Para o representante da categoria, a medida considera as diferentes condições financeiras dos permissionários. “No táxi é como se fosse a sociedade, tem aquele que tá com um pouquinho melhor e tem aquele que está precisando de um fôlego, nada mais justo nesse momento, a gente dá uma oportunidade para esses taxistas”, afirmou.
Categoria cobra novas permissões
Além das mudanças operacionais, os representantes dos taxistas também defenderam a realização de uma nova licitação para as permissões que foram devolvidas ao município.
Panissa afirmou que parte das permissões deixou de ser utilizada e que a categoria cobra uma solução para que novas pessoas possam ingressar no serviço.
O diretor-presidente da Agereg, Paulo da Silva, também destacou a necessidade de modernização do sistema e afirmou que as medidas representam um marco para o serviço de táxi em Campo Grande.
“Então hoje estamos dando um grande passo e eu quero, em nome da prefeita, agradecê-la pela confiança de nos ter delegado nesse tempo que estamos vivendo essa oportunidade de fazermos, trazermos um marco histórico para a Campo Grande”, afirmou.
Prefeitura prevê novas mudanças
Ciro Vieira Ferreira afirmou ainda que o pacote apresentado nesta segunda-feira não encerra as discussões com os taxistas. Segundo ele, outras demandas da categoria já estão em análise, entre elas o reconhecimento dos taxistas como patrimônio cultural de Campo Grande.
“E nós não vamos parar por aí, nós recebemos também da categoria e através da prefeita, de outros apoiadores, a necessidade de atendermos outros pleitos, entre eles a questão do reconhecimento da categoria como patrimônio cultural aqui do município”, afirmou.
Segundo o diretor-presidente da Agetran, a proposta ainda depende de procedimentos legais e, no caso do reconhecimento como patrimônio cultural, da tramitação de um projeto de lei municipal.
O que diz a prefeita Adriane Lopes
A medida será publicada hoje no Diário Oficial da capital e já passa a valer. “Estamos estudando a algum tempo para implementar essas atualizações e modernizar o serviço de taxi em Campo Grande, para trazer mais oportunidades para os taxistas e melhorar a qualidade do serviço do estado para a população da nossa capital e para os visitantes”, afirmou a prefeita, Adriane Lopes (PP)
Mudanças buscam ampliar alternativas para taxistas
Com as novas regras, a categoria passa a contar com mais opções de veículos e modalidades de serviço, além da possibilidade de utilizar corredores exclusivos de ônibus. Para os representantes dos taxistas, o conjunto de medidas representa uma mudança nas condições de operação do serviço na Capital.
Panissa classificou o pacote como um avanço, mas afirmou que ainda há outras demandas a serem discutidas. “É um início de avanço. Temos que avançar muito mais”, afirmou.
Atualmente, segundo o representante da categoria, cerca de 350 taxistas estão em atividade em Campo Grande. Ele também defendeu que o serviço tradicional continue buscando formas de se diferenciar diante da expansão dos aplicativos de transporte.
Para Panissa, a relação com o passageiro continua sendo um dos principais diferenciais do táxi.“Esse é o nosso diferencial, a nossa cooperativa é oferecer esse serviço e, pelo menos nas madrugadas, o táxi tem uma boa adesão. Aquele que vai viajar para o aeroporto, aquele que tem dificuldade de manusear um aplicativo, com certeza o táxi hoje atende esse problema”, afirmou.
As novas medidas passam a integrar as regras de funcionamento do serviço de táxi em Campo Grande e foram apresentadas pela Prefeitura como parte do processo de modernização do transporte individual de passageiros na capital.
Texto: Sandy Ruiz e Fernanda Sá


















