A inteligência artificial chegou definitivamente à publicidade. Ela já está presente na criação de textos e imagens, na análise de dados, na segmentação de públicos, na compra de mídia e na otimização de campanhas. Mas, para mim, a discussão principal não deveria ser se a IA vai substituir profissionais, mas sim como vamos utilizá-la para tornar a comunicação mais inteligente, relevante e humana.
A tecnologia tem um valor importante quando reduz tarefas repetitivas e nos oferece uma qualidade de tempo, acelera análises e oferece novos caminhos criativos. Com apoio da IA, conseguimos compreender melhor os hábitos do consumidor, testar formatos de campanha, adaptar mensagens de forma clara e tomar decisões com mais agilidade. Com isso os profissionais de comunicação conseguem dedicar mais energia àquilo que nenhuma ferramenta faz sozinha: interpretar pessoas, contextos, desejos e emoções.
A publicidade não é apenas alcançar números e sim criar presença, despertar interesse, construir confiança e fazer parte da vida cotidiana das pessoas. Sendo assim, mesmo em um cenário cada vez mais automatizado, a sensibilidade humana continua sendo essencial e intransferível. Uma campanha pode ter dados precisos, imagens bem produzidas e grande alcance, mas só será memorável se tiver verdade, propósito e conexões com o público.
Na mídia exterior vemos que esse ponto é ainda mais evidente. O outdoor em geral e os painéis digitais ocupam espaços reais, pois estão no trajeto de quem trabalha, estuda, circula e vive a cidade. A IA pode contribuir para planejar melhor esses impactos, ajudando a entender fluxos, horários e perfis de audiência. Porém, a mensagem precisa respeitar o ambiente em que aparece e conversar com quem a encontra.
A criatividade não pode se tornar refém da velocidade, pois produzir peças em poucos minutos é muito atraente, mas a qualidade não é sinônimo de rapidez, um bom trabalho publicitário exige repertório, estratégia, responsabilidade e cuidado com a identidade de cada marca. A inteligência artificial nos ajuda a sugerir caminhos, mas cabe ao profissional escolher qual mensagem faz sentido e qual ideia merece chegar ao público.
Outro ponto indispensável no meu ponto de vista, é a ética. O uso de dados precisa respeitar a privacidade das pessoas, e os conteúdos criados com IA devem ser avaliados com atenção para evitar informações falsas, preconceitos, estereótipos ou usos indevidos de imagem e propriedade intelectual, pois isso pode causar sérios problemas para a marca. A inovação precisa caminhar junto com transparência e responsabilidade, pesquisando sobre IA responsável na publicidade, podemos destacar justamente as implicações éticas de usos como conteúdos generativos e deepfakes.
A Inteligência Artificial não deve diminuir a publicidade, mas sim pode qualificá-la. Quando usada de forma coerente, ela ajuda na nossa capacidade de planejar, criar e comunicar. Mas a tecnologia precisa continuar sendo uma ferramenta para nos auxiliar e não protagonista de tudo. Por fim, são as pessoas que atribuem significado às marcas, que geram emoções e é para elas que a publicidade existe.
Sobre a autora: Miriã Avanci | Empresária, executiva do setor publicitário de comunicação e gastronômico. Com formação em Marketing, e Pós-Graduada em Gestão de Negócios, Inovação e Liderança. A frente da direção da Total Mídia, é uma das idealizadoras do Prêmio Outdoor Total Mídia e também à frente do Total News MS como Diretora Executiva. Agora, vive uma nova fase como sócia-proprietária da tradicional Chanton Confeitaria, marca que carrega 40 anos de história em Campo Grande.



















