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Boato que voltou a circular nas redes sociais mistura teste realizado em urnas americanas com participação de técnicos brasileiros em evento de 2017

Uma alegação de que hackers teriam invadido uma urna eletrônica brasileira durante um evento realizado em Las Vegas, nos Estados Unidos, voltou a circular nas redes sociais. A informação, porém, é enganosa e reúne acontecimentos distintos para sugerir que o sistema eleitoral brasileiro teria sido violado fora do país.

Segundo esclarecimento divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nenhuma urna eletrônica brasileira foi submetida a testes de invasão durante o evento realizado em 2017. Técnicos do tribunal estiveram no encontro, mas a participação ocorreu como acompanhamento de especialistas que tentavam identificar vulnerabilidades em equipamentos utilizados nas eleições dos Estados Unidos.

A presença de profissionais brasileiros no evento acabou sendo associada, de forma incorreta, a um suposto ataque contra as urnas utilizadas no Brasil.

Teste ocorreu em equipamentos dos Estados Unidos

O episódio que deu origem ao boato ocorreu em Las Vegas, em 2017, durante uma atividade voltada à segurança dos sistemas de votação. Na ocasião, especialistas realizaram testes para tentar explorar possíveis vulnerabilidades em equipamentos eleitorais norte-americanos.

Técnicos do TSE acompanharam o trabalho, mas não colocaram uma urna eletrônica brasileira à disposição dos participantes.

A diferença é relevante porque os equipamentos e os sistemas eleitorais utilizados nos dois países não são os mesmos. A associação entre o evento e uma suposta invasão de uma urna brasileira cria, portanto, uma relação que não ocorreu.

A versão enganosa passou a circular novamente em 2024, a partir da fala de um influenciador, que apresentou os acontecimentos como se fizessem parte de um mesmo episódio.

Urna brasileira não é conectada à internet

Outro ponto importante para compreender o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro é a arquitetura da urna eletrônica.

De acordo com o TSE, a urna utilizada nas eleições brasileiras funciona de maneira isolada e não possui conexão com a internet. O equipamento também não se conecta a redes Wi-Fi ou Bluetooth.

Isso significa que a urna não fica permanentemente conectada a uma rede externa durante a votação, o que reduz as possibilidades de ataques remotos ao equipamento.

Os dados da votação também passam por procedimentos específicos de segurança antes de serem transmitidos para a totalização dos votos.

Sistema é utilizado desde 1996

A votação eletrônica começou a ser utilizada no Brasil em 1996. Desde então, o sistema passou por sucessivas atualizações de hardware, software e mecanismos de segurança.

O TSE afirma que, desde a adoção das urnas eletrônicas, nenhuma fraude capaz de alterar o resultado de uma eleição foi comprovada.

Isso não significa que o sistema seja tratado como infalível. A Justiça Eleitoral realiza periodicamente testes públicos de segurança nos quais especialistas, pesquisadores e representantes de instituições podem tentar encontrar vulnerabilidades nos sistemas eleitorais.

O objetivo desses procedimentos é justamente identificar eventuais falhas antes das eleições e permitir que elas sejam corrigidas.

O que é fato e o que é boato

A história que circula nas redes sociais parte de um fato verdadeiro, a participação de técnicos brasileiros em um evento de segurança eleitoral nos Estados Unidos, mas acrescenta uma informação que não corresponde ao ocorrido.

A mistura desses acontecimentos criou uma narrativa capaz de dar a impressão de que o sistema eleitoral brasileiro teria sido invadido em território norte-americano. O TSE classifica a alegação como enganosa.

Com informações e imagem do Tribunal Superior Eleitoral

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