Criado em 1977 e instalado em 1979, estado construiu trajetória própria, com influências culturais diversas, destinos turísticos reconhecidos e instituições independentes
Tereré, sobá, chipa, pecuária e paisagens do Pantanal estão entre as referências associadas a Mato Grosso do Sul. Apesar das diferenças culturais e regionais, esses elementos ajudam a identificar um estado que, quase cinco décadas após sua criação oficial, ainda enfrenta a confusão de quem o chama apenas de Mato Grosso.
Neste domingo (11), Mato Grosso do Sul completa 49 anos de criação. A data marca a assinatura da Lei Complementar nº 31, em 11 de outubro de 1977, pelo então presidente da República, Ernesto Geisel, durante a ditadura militar. A instalação oficial ocorreu em 1º de janeiro de 1979, quando a separação administrativa do antigo Mato Grosso entrou em vigor.
Desde então, o estado desenvolveu uma estrutura administrativa própria e consolidou características culturais, econômicas e turísticas. A identidade sul-mato-grossense, no entanto, reúne influências anteriores à divisão territorial e transformações ocorridas com a chegada de migrantes de diferentes regiões do Brasil e de países vizinhos.
Influências culturais e formação do Estado
Antes da criação de Mato Grosso do Sul, a região já apresentava diferenças econômicas e culturais em relação ao norte do antigo Mato Grosso. A pecuária e a produção de erva-mate tiveram importância na economia regional, assim como as relações comerciais com São Paulo, Paraná, Paraguai e Bolívia.
A presença de povos indígenas também faz parte da história do território, que abriga diferentes etnias, com culturas, línguas e tradições próprias. Ao longo do tempo, a chegada de migrantes de outras partes do país ampliou a diversidade cultural e contribuiu para a formação dos municípios.
Essa mistura pode ser observada na gastronomia regional. O sobá, associado à imigração japonesa e popularizado em Campo Grande, convive com a chipa, de influência paraguaia, e com pratos ligados à tradição pantaneira e à pecuária. O tereré, consumido em diferentes regiões do Estado, também está entre os hábitos associados à cultura local.
As referências, porém, não são uniformes em todo o território. Municípios de fronteira, cidades com forte atividade agropecuária e localidades ligadas ao turismo apresentam características próprias. A identidade sul-mato-grossense é resultado dessa diversidade, e não de um único costume ou tradição.
Pantanal e Bonito colocam o estado no mapa do turismo
Além da cultura, as paisagens naturais são parte importante da imagem de Mato Grosso do Sul. O Pantanal, uma das maiores planícies alagáveis do mundo, atrai visitantes interessados na observação de animais silvestres, na pesca esportiva e em experiências de turismo de natureza.
Os ciclos de cheias e secas modificam a paisagem ao longo do ano e influenciam as atividades econômicas e a rotina das comunidades pantaneiras. A região também abriga uma grande diversidade de espécies e mantém importância ambiental que ultrapassa as fronteiras estaduais.
Outro destaque é a região de Bonito e da Serra da Bodoquena, conhecida pelos rios de águas transparentes, cachoeiras, grutas e trilhas. A flutuação, o mergulho e a observação da fauna estão entre as atividades oferecidas aos turistas. O turismo também movimenta setores como hospedagem, alimentação, transporte e serviços de guias.
O estado reúne ainda áreas de Cerrado e remanescentes de Mata Atlântica, ampliando a variedade de paisagens e experiências disponíveis aos visitantes. A atividade turística, entretanto, depende da conservação dos ambientes naturais, do controle dos impactos sobre os ecossistemas e da valorização das comunidades locais.
A relação entre turismo e identidade também aparece na economia. Para municípios que recebem visitantes durante todo o ano, os atrativos naturais ajudam a gerar empregos e renda e a divulgar a cultura regional. Ao mesmo tempo, a preservação desses espaços é um dos desafios para a continuidade da atividade.
Lei reconhece Mato Grosso do Sul como Estado do Pantanal
A associação entre o território e o bioma pantaneiro também foi incorporada à legislação estadual. A Lei Estadual nº 6.184, de 26 de dezembro de 2023, atribuiu a Mato Grosso do Sul o cognome de “Estado do Pantanal”.
A medida não alterou o nome oficial da unidade federativa, que permanece Mato Grosso do Sul. O objetivo foi reconhecer formalmente a ligação do Estado com o Pantanal, uma de suas principais referências ambientais e turísticas.
O título destaca um dos elementos mais conhecidos do território, mas não representa toda a diversidade ambiental sul-mato-grossense.
A conservação do Pantanal permanece entre os desafios ambientais. Incêndios, alterações climáticas e atividades humanas podem afetar os ecossistemas e as comunidades que dependem deles. A proteção da biodiversidade é relevante tanto para a manutenção dos modos de vida locais quanto para o turismo.
Divisão criou uma nova estrutura administrativa
A criação de Mato Grosso do Sul ocorreu após décadas de discussões sobre a administração de um território extenso e as diferenças entre as regiões norte e sul do antigo Mato Grosso. A decisão, contudo, foi tomada pelo governo federal durante a ditadura militar, sem consulta direta à população por meio de plebiscito.
A Lei Complementar nº 31 estabeleceu os limites do novo estado e definiu Campo Grande como capital. A separação administrativa foi efetivada em 1º de janeiro de 1979, quando Mato Grosso do Sul passou a contar com governo e instituições próprios.
A divisão não eliminou os vínculos históricos e culturais entre os dois estados, que compartilham parte de sua trajetória regional. A partir da instalação, porém, Mato Grosso do Sul passou a organizar sua própria estrutura administrativa e a desenvolver políticas públicas de acordo com suas demandas.
Assembleia começou com 18 deputados
A formação das instituições estaduais incluiu a criação da Assembleia Legislativa. Em 15 de novembro de 1978, foram eleitos os 18 deputados estaduais constituintes encarregados de elaborar a primeira Constituição de Mato Grosso do Sul.
A Assembleia Constituinte foi instalada em 1º de janeiro de 1979, mesma data em que o novo Estado começou oficialmente a funcionar. Os parlamentares participaram da organização jurídica e institucional da unidade federativa, estabelecendo as bases para o funcionamento do poder público estadual.
Atualmente, a Assembleia Legislativa conta com 24 deputados estaduais. A composição está vinculada à regra constitucional que estabelece o número de parlamentares estaduais a partir da representação de cada unidade federativa na Câmara dos Deputados. Mato Grosso do Sul possui oito deputados federais, o que resulta em 24 cadeiras na Assembleia.
Ao longo de quase cinco décadas, o Legislativo estadual passou a discutir e votar propostas relacionadas a áreas como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
Confusão entre os nomes ainda persiste
Mesmo com instituições próprias e trajetória independente, Mato Grosso do Sul ainda é confundido com Mato Grosso em publicações, conversas e manifestações públicas. Para os moradores, o erro pode representar o desconhecimento das diferenças históricas e culturais entre os dois Estados.
A distinção também envolve a identificação de quem nasceu ou vive na região. O termo sul-mato-grossense diferencia a população e reforça a existência de uma unidade federativa com características próprias, embora as experiências e os sentimentos de pertencimento variem entre os moradores.
A chegada de novos habitantes continua modificando a composição cultural do estado. Pessoas que migram por trabalho, estudo ou oportunidades de negócio incorporam novos hábitos à vida local, enquanto tradições já estabelecidas permanecem presentes em festas, práticas cotidianas e manifestações culturais.
Estado chega aos 49 anos com trajetória própria
Quase cinco décadas após a criação oficial, Mato Grosso do Sul reúne instituições estaduais consolidadas, diversidade cultural e destinos turísticos que atraem visitantes de diferentes regiões do Brasil e do exterior.
A história do estado inclui a divisão territorial de 1977, a instalação administrativa em 1979 e a formação de uma identidade influenciada por povos indígenas, migrações internas, relações de fronteira e atividades econômicas tradicionais.
Aos 49 anos, Mato Grosso do Sul mantém o desafio de ampliar o reconhecimento de sua história e de suas características para além das fronteiras estaduais.
















