Pesquisa da Fecomércio MS aponta que 260,8 mil lares têm dívidas; cartão de crédito lidera compromissos, e percentual de consumidores sem condições de pagar cai de 13,3% para 7,7% em um ano
O endividamento atingiu 74% das famílias de Campo Grande em setembro de 2026, o equivalente a cerca de 260,8 mil lares. Apesar do avanço em relação ao ano passado, os indicadores de inadimplência apresentaram melhora, com redução no percentual de consumidores que atrasam pagamentos e daqueles que afirmam não ter condições de quitar as dívidas no mês seguinte.
Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), analisada pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF-MS) e divulgada nesta sexta-feira (9).
Em agosto, o índice de endividamento era de 73,8%. Na comparação com setembro de 2025, quando 65,2% das famílias tinham dívidas, o aumento foi de 8,8 pontos percentuais.
Mesmo com mais famílias recorrendo ao crédito, o percentual de entrevistados com contas em atraso caiu para 27,5%. Já a parcela que declarou não ter condições de pagar as dívidas no próximo mês recuou de 13,3%, em setembro do ano passado, para 7,7% neste ano, uma queda de 5,6 pontos percentuais.
O presidente do Sistema Comércio MS, Juliano Wertheimer, afirma que os números indicam a continuidade do uso do crédito pelas famílias, sem piora proporcional nos indicadores de inadimplência.
“Embora o endividamento esteja elevado, é positivo observar que os índices de inadimplência permanecem controlados e inferiores aos registrados no ano passado”, afirma.
Segundo Wertheimer, o cenário exige atenção dos empresários às condições de crédito e ao comportamento dos consumidores. Ele defende a oferta responsável de financiamento e estratégias que considerem a capacidade de pagamento das famílias.
Cartão de crédito concentra dívidas
O cartão de crédito é a principal modalidade de endividamento em Campo Grande, citado por 69,3% das famílias endividadas. Na sequência aparecem os carnês, mencionados por 16,9%, e o crédito pessoal, com 15,3%.
A pesquisa também aponta que as dívidas comprometem, em média, 29,1% da renda familiar. Além disso, 43,7% das famílias afirmam que permanecerão comprometidas financeiramente por mais de um ano.
Para a economista do IPF-MS, Regiane Dedé, o aumento do endividamento não foi acompanhado por uma deterioração dos indicadores de inadimplência, o que sugere que as famílias continuam utilizando crédito sem perder, na mesma proporção, a capacidade de pagamento.
Ela alerta, porém, para os riscos relacionados ao cartão de crédito, especialmente quando há atraso nas faturas, e para o tempo prolongado de comprometimento da renda.
“Quase metade das famílias permanece comprometida com dívidas por mais de um ano, o que reduz a flexibilidade do orçamento doméstico diante de imprevistos ou oscilações na renda”, explica.
A economista recomenda que os consumidores acompanhem o orçamento e utilizem o crédito de forma planejada. Embora a redução dos indicadores de inadimplência seja positiva, o comprometimento prolongado da renda pode limitar a capacidade das famílias de lidar com despesas inesperadas.
Os resultados mostram, portanto, dois movimentos distintos no orçamento dos consumidores campo-grandenses: mais famílias têm dívidas em comparação com o ano passado, mas uma parcela menor afirma não ter condições de pagá-las. A evolução dos próximos meses dependerá da capacidade de manter os pagamentos em dia e preservar a renda disponível para o consumo.
















