Vivemos na era das conexões. Nunca foi tão fácil encontrar alguém no LinkedIn, adicionar um contato no WhatsApp, seguir um executivo no Instagram ou participar de um evento empresarial. Paradoxalmente, nunca foi tão difícil construir relacionamentos verdadeiramente relevantes.
Ao longo da minha trajetória como empresário, consultor, TEDx Organizer, coordenador de pós-graduação e fundador do ecossistema Café com Negócios, aprendi que networking não é uma atividade. É um patrimônio. E, como todo patrimônio valioso, leva anos para ser construído.
Costumo dizer que existem pessoas que colecionam cartões de visita e existem pessoas que colecionam confiança. O primeiro grupo aumenta sua lista de contatos. O segundo aumenta sua influência.
Essa diferença parece pequena, mas muda completamente os resultados.
Segundo uma pesquisa realizada pela empresa de inteligência de mercado The Adler Group, aproximadamente 85% das oportunidades profissionais surgem por meio de networking e indicações, e não por processos tradicionais de recrutamento ou prospecção. Mais interessante ainda é perceber que as decisões de negócios continuam sendo profundamente humanas. Estudos da consultoria Edelman mostram que 88% dos executivos afirmam que a confiança é um fator determinante na escolha de parceiros comerciais, muitas vezes superando preço e características técnicas.
Isso confirma algo que observo diariamente.
As melhores oportunidades da minha vida nunca começaram com uma proposta comercial.
Começaram com uma conversa.
Foi assim que nasceram projetos como o Café com Negócios, o TEDxCarandá, o Podcast Visão de Negócios, a Pós-Graduação em Gestão de Negócios, Inovação e Liderança, o novo Podcast News & Negócios em parceria com o Campo Grande News e tantas outras iniciativas que marcaram minha trajetória.
Nenhuma delas surgiu porque alguém precisava comprar alguma coisa.
Surgiram porque existia confiança suficiente para construir algo juntos.
Existe uma frase que gosto muito de repetir:
“Networking de verdade acontece quando seu nome é citado positivamente em uma sala onde você nem está presente.”
Na minha visão, esse é o verdadeiro indicador de uma marca pessoal forte.
Quando as pessoas lembram de você espontaneamente para recomendar, indicar, convidar ou simplesmente pedir sua opinião, significa que você deixou de ser apenas conhecido e passou a ser relevante.
Infelizmente, vejo muitas pessoas confundindo networking com autopromoção.
Chegam aos eventos distribuindo cartões, tentando vender seus serviços para qualquer pessoa que encontram ou acumulando conexões nas redes sociais sem desenvolver qualquer relacionamento.
Não funciona.
Relacionamentos não são construídos na velocidade de um clique.
São construídos na consistência das entregas.
Stephen M. R. Covey, no excelente livro “A Velocidade da Confiança”, afirma que a confiança reduz custos, acelera decisões e aumenta resultados. Quanto maior a confiança entre duas pessoas ou organizações, menor a necessidade de controles, burocracias e negociações intermináveis.
Eu concordo plenamente.
Confiança é o maior acelerador de negócios que existe.
Outro livro que sempre recomendo é “Never Eat Alone”, de Keith Ferrazzi. O autor mostra que pessoas altamente bem-sucedidas não enxergam networking como uma troca de favores, mas como uma prática constante de generosidade. Elas procuram primeiro ajudar, conectar pessoas, compartilhar conhecimento e gerar valor. O retorno vem naturalmente.
Essa lógica explica por que algumas pessoas são constantemente lembradas para grandes oportunidades enquanto outras permanecem invisíveis, mesmo sendo extremamente competentes.
Competência abre portas.
Relacionamento decide quem permanece dentro delas.
Na economia atual, cada vez mais impulsionada por inteligência artificial, automação e tecnologia, acredito que esse aspecto humano ficará ainda mais valioso.
A IA pode escrever propostas, responder e-mails, criar apresentações e analisar milhões de dados em poucos segundos.
Mas ela ainda não constrói reputação.
Não cria confiança.
Não substitui credibilidade.
Esses ativos continuam sendo exclusivamente humanos.
O professor Adam Grant, em seu livro “Dar e Receber” (Give and Take), demonstra, com base em diversas pesquisas, que profissionais reconhecidos por ajudar genuinamente outras pessoas tendem a construir carreiras mais sustentáveis e redes muito mais fortes ao longo do tempo do que aqueles que apenas buscam benefícios próprios.
Essa talvez seja uma das maiores lições sobre networking.
As pessoas não lembram de quem mais falou sobre si mesmo.
Lembram de quem resolveu problemas.
De quem fez boas conexões.
De quem cumpriu o que prometeu.
De quem apareceu quando era necessário.
Ao longo dos últimos anos, percebi que reputação funciona como juros compostos.
No início, parece crescer lentamente.
Depois de algum tempo, os resultados começam a se multiplicar de maneira quase exponencial.
As indicações aumentam.
Os convites aparecem.
As parcerias surgem naturalmente.
Os negócios passam a acontecer antes mesmo de qualquer prospecção.
Esse é o estágio em que relacionamento deixa de ser estratégia e passa a ser vantagem competitiva.
Talvez por isso eu acredite tanto na construção de ecossistemas.
Foi exatamente essa visão que me levou a criar o Café com Negócios. Nunca quis apenas realizar eventos. Sempre quis construir um ambiente onde empresários, executivos, empreendedores e profissionais pudessem desenvolver relações de longo prazo baseadas em confiança, aprendizado e geração de valor. Hoje, esse propósito também ganha força por meio do aplicativo do Café com Negócios, que amplia essas conexões para além dos encontros presenciais e transforma relacionamento em uma prática diária, aproximando pessoas, oportunidades e negócios.
No fim das contas, networking não se mede pela quantidade de contatos armazenados no celular.
Mede-se pela quantidade de pessoas que lembram de você quando uma grande oportunidade aparece.
Porque contatos abrem conversas.
Confiança abre portas.
E reputação mantém essas portas abertas durante toda a vida.














