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Errando é que se aprende. Essa é uma das frases mais repetidas quando o assunto é inovação, empreendedorismo e gestão. No papel, soa bonito. Na prática, no dia a dia de uma empresa, a história é bem diferente: erros custam dinheiro, desgastam equipes e consomem tempo.

O que nem sempre entra nessa conversa é que existem erros de naturezas muito diferentes. Uma coisa é errar porque estamos explorando algo que ainda não conhecemos. Outra é errar novamente naquilo que já deveríamos saber fazer.

O primeiro é o erro de exploração. Acontece quando uma empresa testa um caminho novo, coloca uma hipótese à prova, experimenta um modelo ou tenta resolver um problema para o qual ainda não existe uma resposta pronta. Nem todo teste dará certo, e não deveria. Se já soubéssemos exatamente o resultado, provavelmente não estaríamos experimentando nada.

Esse erro produz informação. Mostra o que funciona, o que não funciona e o que precisa ser revisto. Faz parte do custo de descobrir.

O problema começa quando usamos essa mesma lógica para justificar erros que têm outra origem. Processo que ninguém definiu. Informação que não chegou. Decisão tomada sem os dados básicos. Uma falha conhecida que continua acontecendo. Nesse caso, repetir o erro não significa estar inovando. Significa que alguma coisa no empresa continua sem ser resolvida.

E essa distinção é mais importante do que parece.

Uma empresa que tenta eliminar qualquer possibilidade de erro pode também eliminar a iniciativa das pessoas. Ninguém experimenta quando sabe que qualquer tentativa que não funcione será tratada como incompetência. Mas o contrário também custa caro: transformar toda falha em aprendizado pode criar uma tolerância confortável com problemas que já deveriam ter sido corrigidos.

Os anos trabalhando com inovação e gestão me ensinaram a desconfiar das duas coisas.

Inovar exige espaço para testar, mas também exige critério para saber onde podemos errar e onde já não deveríamos estar errando.

É essa diferença que permite que uma empresa experimente sem transformar a operação em laboratório permanente. O novo precisa de liberdade. O que já foi aprendido precisa de consistência.

A questão não é se uma empresa aceita ou não o erro.
A pergunta é: que tipo de erro ela está aceitando?

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

Foto de Leandra Costa

Leandra Costa

Foresight Strategist e criadora da Arquitetura da Viabilidade. Atua como C-Level as a Service na arquitetura de projetos complexos. Soma 30 anos de bagagem corporativa e inovação, com as certificações Future Leadership e Innovation Management (GIMI Boston). "Não construo volume. Construo direção". | @lecosta_ms

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