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Levantamento com 1.235 usuários no Brasil mostra efeitos emocionais da paquera online e estratégias adotadas para preservar o bem-estar

Você já conversou com alguém pela internet e, de repente, a pessoa simplesmente parou de responder? A situação, conhecida como ghosting, já foi vivenciada por 75% dos solteiros entrevistados em uma pesquisa realizada pelo happn no Brasil. O levantamento mostra que, além da frustração causada pelo fim repentino de uma conversa, as experiências nas plataformas de relacionamento também podem afetar a saúde mental.

Divulgada durante o Setembro Amarelo, a pesquisa ouviu 1.235 usuários e mostra que 53% conseguem manter um equilíbrio emocional saudável ao se relacionar online. Outros 19% afirmam que as interações digitais têm impacto positivo na autoestima e nas conexões. Por outro lado, 28,5% relatam ansiedade ou exaustão emocional.

Os resultados indicam que a forma como as relações virtuais terminam pode influenciar a maneira como os usuários se sentem. Entre os que já passaram por ghosting, 37% dizem encarar a prática com indiferença por considerá-la um comportamento comum da era moderna, enquanto 33% relatam apenas uma frustração momentânea.

Para outros participantes, porém, os efeitos são mais intensos. Segundo o levantamento, 18% relatam sentimentos de rejeição e culpa, enquanto 12% apontam aumento da ansiedade e maior dificuldade em confiar em futuros Crushes.

Quando o silêncio vira fonte de ansiedade

Para a Dra. Cláudia Ketter, psiquiatra e professora da Afya Educação Médica São Paulo, a ausência de resposta em um aplicativo pode ser interpretada pelo usuário como algo além da falta de interesse, dependendo de sua história e de suas vulnerabilidades.

“O ser humano é altamente sensível aos sinais de aceitação e rejeição social. Do ponto de vista cerebral e psicológico, a ausência de resposta em um aplicativo não é necessariamente interpretada apenas como a falta de conexão: dependendo da história e das vulnerabilidades de cada pessoa, ela pode ser percebida como um sinal de não pertencimento ou de desvalorização pessoal.”

Segundo a especialista, um dos sinais de alerta aparece quando o aplicativo passa a influenciar diretamente a autoestima e o estado emocional.

“O principal sinal de alerta surge quando a plataforma deixa de ser uma ferramenta para conhecer pessoas e passa a funcionar como um regulador da autoestima e do estado emocional.”

A pesquisa também aponta outros fatores que podem afetar o bem-estar emocional durante a paquera online. Para 33% dos entrevistados, a dificuldade de transformar as interações virtuais em encontros na vida real é o principal gatilho digital. Outros 28% apontam a superficialidade das relações combinada à falta de responsabilidade afetiva.

Quando ficam sem novas conexões ou respostas, 54% dos solteiros afirmam não se abalar. Cerca de 20% relatam um desânimo temporário e dizem fazer uma pausa nas interações.

Limites ajudam a reduzir o desgaste

Segundo o levantamento, 38% dos entrevistados priorizam conversas exclusivamente com pessoas que demonstram interesse mútuo e claro como forma de preservar o bem-estar emocional.

Outros 20,5% procuram manter o foco na rotina pessoal, nos hobbies e nas amizades, enquanto 12% realizam detox digital com frequência.

A psiquiatra orienta que o uso dos aplicativos não deve se transformar em uma medida de autoestima ou determinar o estado emocional do usuário.

“O principal é estabelecer uma relação intencional com a tecnologia, em vez de permitir que o aplicativo determine quando e por quanto tempo a pessoa estará disponível.”

Entre as estratégias citadas pela especialista estão manter uma vida ativa fora das telas e fazer pausas quando o uso das plataformas estiver associado a sofrimento ou ansiedade.

“Algumas estratégias simples podem ajudar, como não transformar o número de conexões em uma medida do próprio valor, manter uma vida ativa fora das telas, valorizando hobbies, amizades e encontros presenciais, e fazer pausas do ambiente digital assim que se perceber qualquer sofrimento ou ansiedade, sem esperar chegar a uma situação extrema”, afirma a psiquiatra.

Para Karima Ben Abdelmalek, CEO e Presidente do happn, os resultados mostram que o bem-estar emocional também deve ser considerado nas relações iniciadas por aplicativos.

“A saúde mental e o bem-estar emocional são fundamentais na construção de qualquer relacionamento”, afirma.

Os dados mostram que as experiências em aplicativos de relacionamento produzem efeitos diferentes entre os usuários. Enquanto 53% dizem manter equilíbrio emocional durante as interações online, 28,5% relatam ansiedade ou exaustão emocional. Entre aqueles que já passaram por ghosting, 18% mencionam sentimentos de rejeição e culpa e 12% relatam aumento da ansiedade.

*Foto de capa: pexels

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