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Muros de bairros de Campo Grande vão deixar de ser apenas paredes cinzas para se transformar em painéis de memória, identidade e pertencimento coletivo. Essa é a proposta do projeto Mural Postal Campão, iniciativa que une arte urbana, participação comunitária e acessibilidade para criar murais colaborativos inspirados na cultura e no cotidiano da capital sul-mato-grossense.

A ação prevê a produção de quatro grandes murais em diferentes regiões da cidade, construídos não apenas por artistas, mas também por moradores, crianças e adolescentes que vivem nos territórios escolhidos. A ideia é transformar a arte urbana em ferramenta de conexão social e fazer com que a população participe diretamente da construção visual dos espaços públicos.

As atividades incluem oficinas abertas de graffiti, stencil e pintura com tinta spray, nas quais os participantes poderão ajudar a criar elementos que farão parte das obras finais. As imagens devem reunir referências afetivas e culturais ligadas à chamada Cidade Morena, apelido tradicional de Campo Grande.

À frente do projeto está o artista visual, muralista e arte-educador Fabio Quill, nascido na periferia de São Paulo e radicado em Campo Grande desde 2018. Conhecido pelo trabalho que mistura histórias em quadrinhos, literatura e arte urbana, Quill já teve obras indicadas ao Prêmio HQMix, principal premiação nacional do setor de quadrinhos.

Segundo o artista, o objetivo vai além da estética urbana e busca aproximar a população do processo artístico.

“A ideia é que as pessoas se reconheçam no mural. O graffiti tem essa força de ocupar a cidade, conversar com quem passa e transformar o espaço em memória”, afirma.

Para Quill, quando moradores participam da criação, os murais deixam de ser apenas intervenções visuais e passam a representar também histórias coletivas, vivências e relações construídas no território.

Depois de concluídas, as obras ganharão uma segunda vida fora dos muros. Os quatro murais serão fotografados e transformados em cartões-postais distribuídos gratuitamente em Campo Grande. Cada postal terá QR codes com informações sobre pontos turísticos e culturais da cidade, além de audiodescrição das imagens para ampliar a acessibilidade do projeto.

A proposta é fazer com que a arte produzida nos bairros circule por outros espaços da cidade e até fora dela, funcionando como uma espécie de retrato afetivo e cultural de Campo Grande.

Além da valorização estética, o projeto aposta na ocupação artística dos espaços urbanos como forma de fortalecer vínculos comunitários e ampliar o sentimento de pertencimento entre moradores.

Nos últimos anos, a arte urbana ganhou espaço em diversas capitais brasileiras como instrumento de revitalização de áreas públicas e democratização do acesso à cultura. Em Campo Grande, o graffiti também vem ocupando escolas, centros culturais e bairros periféricos, ampliando o diálogo entre artistas e comunidade.

O Mural Postal Campão foi viabilizado pela Prefeitura de Campo Grande, por meio da Fundação Municipal de Cultura, com recursos do Fundo Municipal de Investimentos Culturais (FMIC 2024).

As duas primeiras ações já têm datas definidas. A estreia acontece no dia 30 de maio, a partir das 9h, na Associação do Bairro Zé Pereira, no Jardim Zé Pereira. A segunda intervenção será realizada no dia 10 de junho, também às 9h, na Escola Municipal Abel Freire de Aragão, no Bairro Santa Branca.

Os próximos locais que receberão os murais ainda serão divulgados nas redes sociais do projeto.

Ao ocupar muros com imagens produzidas coletivamente, o projeto transforma a cidade em suporte artístico e coloca moradores no centro da criação, não apenas como espectadores, mas como autores das próprias paisagens urbanas.

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