As exportações de produtos industrializados de Mato Grosso do Sul atingiram em abril o melhor resultado já registrado para o mês em toda a série histórica do Estado. Segundo levantamento do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), a receita chegou a US$ 660,1 milhões, crescimento de 12% em relação ao mesmo período de 2025.
O desempenho reforça o avanço da indústria sul-mato-grossense no mercado internacional e consolida setores como celulose, proteína animal e derivados da soja entre os principais motores da economia estadual.
Apesar do resultado positivo em abril, o acumulado dos quatro primeiros meses do ano apresenta leve retração de 1% frente ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, a receita total de US$ 2,41 bilhões representa o segundo melhor desempenho da história para o intervalo entre janeiro e abril.
Segundo o economista-chefe da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul, Ezequiel Resende, o resultado demonstra a força da base industrial do Estado mesmo diante das oscilações do mercado global e da desaceleração em alguns segmentos do comércio exterior.
“A indústria continua sendo o principal vetor das exportações sul-mato-grossenses e mostra capacidade de manter competitividade internacional”, afirmou.
Em abril, a indústria respondeu por 60% de toda a receita de exportações de Mato Grosso do Sul. No acumulado do ano, essa participação sobe para 66%, indicando o peso crescente do setor industrial na balança comercial estadual.
O levantamento mostra que o segmento de celulose e papel permanece na liderança das exportações industriais, com receita de US$ 944,3 milhões entre janeiro e abril, o equivalente a 39% de toda a pauta industrial exportadora do Estado.
O complexo frigorífico aparece logo atrás, com US$ 890,4 milhões e participação de 37%. A demanda internacional por carne bovina segue impulsionando o desempenho do setor, especialmente com exportações para a China, principal parceiro comercial de Mato Grosso do Sul.
Entre os produtos mais exportados do segmento frigorífico estão carnes bovinas desossadas congeladas e refrigeradas, além de cortes de frango congelados.
Outro destaque é o grupo de óleos vegetais e derivados da soja, que movimentou US$ 260,2 milhões no período. O segmento reúne produtos como farelo de soja, óleo bruto e resíduos da extração vegetal utilizados principalmente na alimentação animal e na indústria internacional.
A lista dos principais setores exportadores ainda inclui açúcar e álcool, siderurgia, metalurgia, extrativismo mineral, couros, alimentos e bebidas.
A China lidera com folga entre os destinos das exportações industrializadas de Mato Grosso do Sul. Entre janeiro e abril, o país asiático comprou US$ 804,2 milhões em produtos do Estado — volume muito superior ao registrado pelos demais parceiros comerciais.
Na sequência aparecem Estados Unidos, Holanda, Itália, Turquia, Chile, Uruguai, Índia, Japão e Argentina.
A forte presença chinesa reflete principalmente a demanda por celulose e proteína animal, dois dos setores mais internacionalizados da economia sul-mato-grossense.
Especialistas avaliam que a expansão da indústria exportadora do Estado também está relacionada aos investimentos recentes em infraestrutura logística, ampliação da capacidade industrial e consolidação de Mato Grosso do Sul como corredor estratégico de produção agroindustrial.
Nos últimos anos, o Estado recebeu novos investimentos bilionários em fábricas de celulose, frigoríficos e usinas de processamento agrícola, fortalecendo sua inserção no comércio exterior.
Ao mesmo tempo, o cenário internacional segue impondo desafios. Oscilações cambiais, desaceleração econômica global e tensões comerciais entre grandes economias podem impactar o ritmo das exportações nos próximos meses.
Mesmo assim, o resultado de abril é visto pelo setor produtivo como um indicativo de resiliência da indústria sul-mato-grossense em meio às incertezas do mercado internacional.
Os dados do Observatório da Indústria reforçam ainda a transformação do perfil econômico de Mato Grosso do Sul, que historicamente era mais dependente da exportação de commodities in natura e hoje amplia gradualmente sua participação em produtos industrializados de maior valor agregado.
Com informações e imagem do Sistema Fiems





















