Período de estiagem mantém geração de energia mais cara; consumidores pagarão adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos
A conta de luz continuará mais cara em agosto. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou na última sexta-feira (31) a manutenção da bandeira tarifária amarela pelo quarto mês consecutivo, em razão das condições menos favoráveis para geração de energia elétrica durante o período de estiagem.
Com a decisão, consumidores conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN) pagarão um adicional de R$ 1,885 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos ao longo do mês.
A bandeira amarela está em vigor desde maio e reflete a redução das chuvas em grande parte do país, situação que diminui o nível dos reservatórios das hidrelétricas e aumenta a necessidade de acionamento das usinas termelétricas. Como esse tipo de geração possui custo mais elevado, parte da despesa é repassada às contas de energia.
Segundo a Aneel, a manutenção da bandeira considera as projeções para o período seco, quando a disponibilidade de água nos reservatórios costuma diminuir e o sistema elétrico passa a depender de fontes mais caras para garantir o abastecimento.
O que muda na conta de luz
Na prática, a bandeira amarela representa um acréscimo na tarifa de energia. Para um consumidor que utiliza 200 kWh por mês, por exemplo, o custo adicional será de R$ 3,77, antes da incidência de impostos.
O valor da cobrança varia conforme o consumo de cada unidade consumidora. Quanto maior o gasto de energia, maior será o impacto da bandeira tarifária na conta mensal.
O sistema de bandeiras foi criado para informar aos consumidores, em tempo real, o custo da geração de energia no país. A sinalização funciona como um indicativo das condições do sistema elétrico e busca tornar mais transparente a composição da tarifa.
Período seco pressiona geração de energia
O inverno marca tradicionalmente o início da estação seca nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde estão localizados alguns dos principais reservatórios hidrelétricos do país.
Com menor volume de chuvas, cai a capacidade de geração das usinas hidrelétricas, que produzem energia a um custo inferior ao das termelétricas movidas a gás natural, óleo combustível ou carvão mineral.
Quando essas usinas precisam ser acionadas para complementar o fornecimento de energia, o custo da operação aumenta e é refletido no sistema de bandeiras tarifárias.
Aneel recomenda consumo consciente
Diante da permanência da bandeira amarela, a Aneel orienta consumidores residenciais, comerciais e industriais a adotarem medidas para reduzir o consumo de energia e minimizar o impacto da cobrança adicional.
Entre as recomendações estão:
- apagar as luzes de ambientes desocupados;
- substituir lâmpadas antigas por modelos de LED;
- reduzir o tempo de uso do chuveiro elétrico;
- evitar deixar aparelhos em modo de espera (stand-by);
- aproveitar ao máximo a iluminação e a ventilação naturais;
- utilizar eletrodomésticos de maior consumo fora do horário de pico, quando possível.
Além de contribuir para diminuir o valor da conta de luz, o consumo consciente ajuda a reduzir a demanda sobre o sistema elétrico nacional durante o período de menor disponibilidade hídrica.
Como funciona o sistema de bandeiras
Criado pela Aneel em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias sinaliza mensalmente o custo da geração de energia elétrica no país.
As cores indicam diferentes cenários:
- Bandeira verde: não há cobrança adicional.
- Bandeira amarela: cobrança extra devido ao aumento moderado do custo de geração.
- Bandeira vermelha (patamares 1 e 2): cobrança maior, aplicada quando as condições de geração são ainda mais desfavoráveis.
A cor é definida mensalmente pela Aneel com base nas condições de operação do sistema elétrico e nas projeções de geração de energia para o período seguinte.
Com informações e imagem do Governo Federal





















