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Com camisetas, bandeiras e acessórios parados nas prateleiras após queda da Seleção, entidade recomenda planejamento e aposta na Copa do Mundo Feminina de 2027 para recuperar vendas

A eliminação da Seleção Brasileira da Copa do Mundo de 2026 provocou frustração entre os torcedores e também acendeu um alerta no comércio. Em lojas de roupas, artigos esportivos e acessórios, produtos temáticos do Brasil que eram aposta de vendas para o período do Mundial agora correm o risco de se transformar em estoque encalhado.

Em Campo Grande, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) orienta os comerciantes a evitar decisões impulsivas e descarta a chamada “queima de estoque” como principal estratégia para lidar com a situação.

Segundo o presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo, muitos lojistas investiram na compra de camisetas, bandeiras, bonés e outros itens relacionados à Seleção apostando em uma campanha mais longa da equipe brasileira no torneio. A eliminação precoce, no entanto, interrompeu o entusiasmo dos consumidores e reduziu a procura pelos produtos.

“O varejo prega peças na gente, e a eliminação da Seleção foi uma delas. A expectativa era alta, o estoque foi feito e, de repente, o balde de água fria. O dinheiro ficou ali, parado nas prateleiras”, afirma.

Para o dirigente, a reação imediata de liquidar os produtos com descontos agressivos pode gerar ainda mais prejuízos aos empresários.

“Sei bem como é ver o capital de giro travado e bater aquela tentação de queimar o preço de qualquer jeito para fazer caixa. Mas agir no desespero agora é o pior caminho, porque destrói a margem de lucro e desvaloriza o produto”, avalia.

Estoque pode virar oportunidade em 2027

Embora o cenário atual seja de vendas abaixo do esperado, a CDL acredita que há espaço para transformar o estoque excedente em oportunidade de negócios nos próximos meses.

O principal argumento é a realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil. Será a primeira vez que o país sediará o torneio feminino, evento que promete mobilizar torcedores, patrocinadores e o comércio em diversas regiões.

Para Adelaido Figueiredo, os produtos adquiridos para a Copa de 2026 podem voltar a ganhar valor com a proximidade da competição.

“O jogo mudou, mas o estoque continua sendo um ativo. Com inteligência e o direcionamento certo, dá para reverter essa situação sem precisar dar as peças de graça”, afirma.

Segundo ele, a realização do Mundial em território brasileiro tende a impulsionar novamente a procura por produtos nas cores verde e amarelo.

“No ano que vem, o Brasil vai sediar a Copa do Mundo Feminina. Isso é um fato histórico. A comoção em torno do verde e amarelo deve voltar com força. O que parece prejuízo hoje pode se transformar em oportunidade de lucro amanhã”, diz.

Estratégias para evitar perdas

A CDL Campo Grande elaborou uma série de recomendações para ajudar os lojistas a minimizar impactos financeiros e preservar a rentabilidade dos produtos.

Uma das orientações é armazenar adequadamente o estoque excedente para comercialização futura. A recomendação inclui embalar as peças individualmente, utilizar proteção contra umidade e mofo e manter os produtos longe da luz direta.

Outra estratégia sugerida é aproveitar o apelo das cores nacionais em contextos que vão além do futebol. Segundo a entidade, o verde e amarelo também podem ser associados a eventos cívicos, campanhas institucionais e manifestações de identidade nacional.

A CDL também recomenda a criação de promoções em formato de combo, nas quais os produtos temáticos funcionem como complemento de itens com maior margem de lucro. Dessa forma, o comerciante reduz o estoque sem comprometer significativamente o faturamento.

Há ainda a possibilidade de reposicionar camisetas e peças temáticas como itens de moda casual. A tendência já observada entre o público jovem permite que roupas inspiradas nas cores da Seleção sejam utilizadas fora do contexto esportivo, ampliando o potencial de comercialização.

Planejamento diante das incertezas

Para especialistas do varejo, eventos esportivos costumam gerar expectativas elevadas de consumo, mas também carregam riscos relacionados ao desempenho das equipes e às mudanças de comportamento dos consumidores.

Em anos de Copa do Mundo, muitos comerciantes ampliam estoques para atender à demanda sazonal. Quando os resultados em campo não correspondem às expectativas, parte dos produtos pode permanecer nas prateleiras por mais tempo do que o previsto.

Diante desse cenário, a CDL reforça a importância de planejamento financeiro e gestão de estoque.

“O segredo do comércio forte é a resiliência e a visão estratégica. É preciso proteger o caixa, planejar os próximos meses com a cabeça fria e enxergar oportunidades mesmo em momentos de dificuldade”, afirma Adelaido Figueiredo.

Enquanto o sonho do hexacampeonato fica para uma próxima edição da Copa do Mundo, o desafio dos lojistas agora é transformar o estoque remanescente em oportunidade de negócio e evitar que a eliminação da Seleção se traduza em prejuízo permanente para o comércio.

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