Atualização do Banco Central aprimora ferramentas do Pix Automático e da API Pix; tecnologia permite gerar cobranças de forma automática e fazer a conciliação dos pagamentos em tempo real
O Banco Central atualizou as especificações técnicas do Pix para facilitar a integração do sistema de pagamentos instantâneos aos sistemas de empresas e plataformas de vendas. A mudança aprimora recursos relacionados ao Pix Automático, utilizado em cobranças recorrentes, e à API Pix, interface que permite a comunicação entre sistemas empresariais e instituições financeiras.
As alterações estão na versão 2.10.0 do Manual de Padrões para Iniciação do Pix (MPI), divulgada por meio da Instrução Normativa BCB 769. A atualização também contempla a API Pix, ferramenta que permite automatizar operações como a criação de cobranças, a geração de QR Codes e a conciliação financeira.
Na prática, a medida busca reduzir etapas manuais no processo de pagamento e facilitar a utilização do Pix por empresas de diferentes portes. Para o consumidor, a consequência pode ser uma experiência de pagamento mais rápida, principalmente em compras realizadas em lojas físicas, sites e serviços com cobrança recorrente.
Cobranças passam a ser mais automatizadas
A API Pix funciona como uma ponte entre os sistemas de uma empresa e as instituições que participam do Pix. Com a integração, o estabelecimento pode automatizar a criação de cobranças e receber a confirmação do pagamento diretamente em seu sistema.
Entre as funcionalidades estão a emissão de QR Codes para pagamentos imediatos, cobranças com vencimento futuro e pagamentos parcelados, além do gerenciamento de cobranças recorrentes por meio do Pix Automático.
A ferramenta também permite a conciliação financeira em tempo real. Isso significa que, depois que o cliente realiza o pagamento, a informação pode ser encaminhada automaticamente ao sistema da empresa, reduzindo a necessidade de conferência manual de comprovantes.
Para empresas que ainda não utilizam a integração, continuam disponíveis formas tradicionais de recebimento, como QR Codes estáticos e chaves Pix. Nesses casos, parte do processo depende da inserção manual das informações e da conferência do pagamento.
Segundo Márcia Regina Vicari, chefe da Divisão de Gestão do Pix, a diferença está justamente no nível de integração dos sistemas.
“Quem utiliza a API opera de forma integrada e com informações em tempo real; quem não utiliza depende de processos mais manuais, que podem demandar mais tempo e esforço operacional”.
QR Code dinâmico ganha espaço no comércio
A padronização da API Pix também contribuiu para ampliar o uso do QR Code dinâmico no comércio brasileiro. Segundo o Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, a participação desse tipo de código nas transações passou de 5% em 2021 para 40% em 2025.
O QR Code dinâmico é gerado especificamente para cada cobrança e pode conter informações como valor e identificação da operação. A integração com os sistemas de venda permite que a cobrança seja criada automaticamente no momento da compra.
Em um estabelecimento físico, por exemplo, o sistema de caixa pode gerar o código após o registro dos produtos. No comércio eletrônico, a mesma lógica pode ser incorporada ao processo de finalização da compra.
Com isso, diminui a necessidade de o consumidor digitar uma chave Pix ou inserir manualmente dados da cobrança. A confirmação do pagamento também pode ser registrada automaticamente no sistema utilizado pelo estabelecimento.
Pix Automático facilita pagamentos recorrentes
As mudanças também atingem o gerenciamento das cobranças recorrentes do Pix Automático, modalidade voltada para pagamentos que se repetem em determinados períodos.
O recurso pode ser utilizado em serviços como academias, escolas e plataformas de streaming, entre outros pagamentos periódicos.
A proposta é permitir que o consumidor autorize previamente as cobranças, evitando a necessidade de realizar uma nova operação a cada vencimento. Para as empresas, a integração pode facilitar o controle dos recebimentos e diminuir tarefas administrativas.
A API Pix passa a ter papel importante nesse processo porque conecta a cobrança ao sistema de gestão da empresa e permite acompanhar as operações de maneira automatizada.
Empresas podem contratar integração com instituições financeiras
Empresas interessadas em utilizar a API Pix, incluindo microempreendedores individuais (MEIs), precisam contratar o serviço junto a uma instituição financeira ou de pagamento participante do Pix.
Depois da contratação, o sistema de vendas ou de gestão da empresa pode ser conectado às funcionalidades disponibilizadas pela instituição.
A partir dessa integração, operações como geração de QR Codes, registro de pagamentos e conciliação financeira podem ser automatizadas.
Para pequenos negócios, a mudança pode reduzir a dependência de processos manuais. Em empresas com grande volume de transações, a automação também pode diminuir o tempo gasto na conferência individual dos pagamentos.
Padronização pode ampliar concorrência
Outro efeito esperado da padronização é a redução das barreiras tecnológicas para empresas que desenvolvem soluções de pagamentos.
Como a API Pix estabelece padrões para a comunicação entre os sistemas, instituições financeiras, empresas de tecnologia e plataformas de comércio podem desenvolver ferramentas compatíveis com o sistema de pagamentos sem precisar criar estruturas completamente diferentes para cada participante.
A padronização tende, assim, a facilitar a entrada de novos fornecedores e ampliar a concorrência na oferta de serviços relacionados ao Pix.
Para o comércio, isso pode representar maior variedade de soluções de cobrança e gestão financeira. Para o consumidor, a expectativa é de que a competição estimule serviços mais integrados e operações de pagamento com menos etapas.
Atualização já está em vigor
As alterações foram incorporadas às versões 2.10.0 do Manual de Padrões para Iniciação do Pix e da API Pix e já estão em vigor.
A atualização faz parte do processo de aperfeiçoamento do Pix, que passou a incorporar novas funcionalidades desde sua criação, em 2020. Entre elas estão mecanismos voltados a cobranças recorrentes, pagamentos com diferentes condições e integração entre sistemas de empresas e instituições financeiras.
A principal mudança prática desta atualização está menos na forma como o consumidor realiza um Pix e mais na infraestrutura que funciona por trás do pagamento: empresas passam a contar com padrões mais claros para automatizar a criação, o acompanhamento e a confirmação das cobranças.
O resultado esperado é um processo menos dependente de digitação e conferência manual, especialmente em operações comerciais e pagamentos recorrentes.
Com informações do Governo Federal


















