Estudantes apresentam pesquisas sobre acesso à Justiça digital e novos medicamentos a partir de proteínas
Estudantes de graduação da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco) apresentaram nesta terça-feira (27), em Campo Grande, os resultados de suas pesquisas no 30º Encontro de Iniciação Científica e Tecnológica da instituição. O objetivo do evento, voltado à comunidade acadêmica, é divulgar a produção científica e tecnológica dos alunos.
Os trabalhos são desenvolvidos sob orientação de professores da pós-graduação e abrangem áreas como direito, ciências agrárias, saúde e medicina. Parte dos estudantes recebe bolsa da própria universidade, do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) ou da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul).
“A iniciação científica é para a graduação, mas quem conduz esse evento é a pós-graduação. São os orientadores desses alunos, alunos que querem ser cientistas”, disse o professor Michel Constantino, pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da UCDB.
Segundo ele, os alunos escolhem um tema, avaliam sua viabilidade e partem para a pesquisa de campo ou de laboratório. O encontro é a etapa em que mostram os resultados e o impacto deles para a sociedade. As bolsas, afirmou, ajudam os estudantes a se manter no curso e a fazer a pesquisa.
Constantino considera a pesquisa “o pontapé inicial para o desenvolvimento do estado” e cita o empreendedorismo como um dos efeitos. “As pesquisas hoje estão muito ligadas à IA. Os alunos começam a desenvolver essas pesquisas, daqui a pouco montam startups e suas próprias empresas”, disse. Ele mencionou ainda soluções voltadas a prefeituras e à saúde, como estudos sobre câncer feitos na universidade.
De acordo com o pró-reitor, um integrante do CNPq, de Brasília, visitou a universidade durante o evento. “Essa visita mostrou que nós somos um dos principais polos de ciência do Brasil. A expectativa é que a gente dobre o número de cientistas, dobre o número de bolsas para os nossos alunos”, afirmou.
Acesso à justiça
A estudante de direito Isabela Carvalho, pesquisadora do Nuprajur (Núcleo de Prática Jurídica) da UCDB, apresentou o trabalho “O uso de tecnologias inovadoras no Judiciário e no Nuprajur da UCDB”. A pesquisa trata de comunidades que ficam à margem da digitalização da Justiça, seja por viverem na zona rural, seja por falta de recursos financeiros.
“Cada dia nós estamos vendo tecnologias, inovações, digitalização crescendo. Isso é maravilhoso, mas tem que acompanhar todos os tipos de comunidades”, disse. “Nós precisamos equilibrar essa questão da inovação tecnológica com o acesso à Justiça para quem está à margem da sociedade.”
Segundo ela, muitas dessas pessoas não têm informação sobre como acessar os próprios direitos, garantia prevista na Constituição.
Medicamentos a partir de proteínas
Na área da saúde, a estudante Ruth Silva Salles, do quarto semestre de farmácia, pesquisa o uso de peptídeos, pequenas proteínas, no desenvolvimento de medicamentos com ação antimicrobiana, anti-inflamatória e antitumoral.
O trabalho faz uma análise computacional dessas moléculas diante de três enzimas comuns no trato gastrointestinal. “Quando ele futuramente vier a ser um medicamento, a gente já tem mais ou menos uma ideia da estabilidade dele e de como ele pode reagir na interação com nosso organismo, questão de absorção”, afirmou.
Troca entre áreas
As duas pesquisadoras destacaram o contato com outras áreas do conhecimento como um dos ganhos do encontro. “Uma pesquisa de biológicas pode acabar despertando interesse de alguém de humanas, ou vice-versa”, disse Ruth. Para ela, o evento também ajuda a levar a ciência a quem não domina termos técnicos, “em uma linguagem muito mais prática, muito mais acessível”.
Isabela, que está no primeiro ciclo de pesquisa, afirma já ver resultados. “Já vejo portas se abrindo, oportunidades chegando cada vez mais. Esses eventos ajudam as pessoas a enxergar o futuro”, disse.

















