TSE restabeleceu vínculo do senador com o PL após registro de filiação ao Missão; chapa tem Alfredo Gaspar como vice e patrimônio declarado de R$ 8,18 milhões
A candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República entrou oficialmente no sistema da Justiça Eleitoral nesta quinta-feira (13), depois de enfrentar, no mesmo dia, um impasse provocado por uma filiação ao partido Missão que o parlamentar afirma não ter solicitado. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou o restabelecimento da filiação de Flávio ao PL e autorizou, na prática, que a legenda formalizasse o registro da chapa.
O episódio ocorreu às vésperas do prazo final para o registro das candidaturas, que termina neste sábado (15). Flávio havia aparecido no sistema eleitoral como filiado ao Missão, situação que impedia o PL de concluir o registro da candidatura presidencial. O TSE informou que não houve invasão do sistema da Justiça Eleitoral, mas uso indevido da ferramenta por alguém que tinha credenciais do partido para realizar filiações. O caso passou a ser investigado.
Segundo o tribunal, a filiação ao Missão ocorreu por meio de credenciais legítimas da legenda, e não por um ataque hacker à plataforma. Flávio afirmou anteriormente que o registro havia sido fraudado. O Missão também declarou ter sido vítima da irregularidade e se colocou à disposição das autoridades para colaborar com a apuração.
Com a decisão do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, a filiação de Flávio ao PL foi restabelecida e o vínculo com o Missão, cancelado. A medida retirou o principal obstáculo jurídico que havia surgido para a formalização da candidatura a poucos dias do encerramento do prazo eleitoral.
Candidatura foi oficializada pelo PL em julho
Flávio Bolsonaro teve a candidatura à Presidência oficializada pelo PL durante a convenção nacional do partido, realizada em São Paulo no fim de julho. A escolha consolidou o senador como o nome da legenda para a sucessão presidencial em 2026.
A composição da chapa, porém, só foi definida posteriormente. O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) foi anunciado como candidato a vice-presidente. A escolha ocorreu depois de semanas de negociações e de nomes como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), aparecerem no debate sobre a composição da chapa.
Gaspar é deputado federal por Alagoas e passou a integrar o PL em março deste ano, em movimento articulado diretamente com Flávio. O parlamentar também ganhou projeção nacional por atuar como relator da CPMI do INSS.
A escolha do deputado também reforçou a tentativa da campanha de ampliar a presença de Flávio no Nordeste, região considerada estratégica para a disputa presidencial. O próprio Gaspar assumiu a presidência estadual do PL em Alagoas após a filiação à legenda.
Patrimônio de R$ 8,18 milhões
Segundo os dados disponibilizados no registro eleitoral, Flávio declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 8.186.555,83 para a eleição de 2026. O valor é significativamente superior aos R$ 1.741.758,15 declarados por ele quando disputou o Senado pela primeira vez, em 2018.
Entre os bens declarados está uma residência em Brasília avaliada em aproximadamente R$ 6,2 milhões. O imóvel fica no Lago Sul, em um condomínio de alto padrão, e possui cerca de 1.100 metros quadrados de área construída.
A declaração também inclui aproximadamente R$ 1 milhão em fundo de investimento, R$ 568,7 mil em conta corrente, R$ 103,7 mil em poupança e um veículo avaliado em R$ 133 mil.
O vice, Alfredo Gaspar, declarou patrimônio de aproximadamente R$ 564 mil, de acordo com o registro eleitoral divulgado junto à chapa.
Plano de governo mira segurança, economia e STF
O programa registrado pela campanha apresenta como uma das principais bandeiras o endurecimento da política de segurança pública. Entre as propostas estão a possibilidade de responsabilização de adolescentes a partir dos 14 anos por crimes graves e a construção de cinco presídios federais, em uma política inspirada no modelo adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele.
Na economia, o plano prevê redução de despesas administrativas, corte de pelo menos dez ministérios e uma nova regra fiscal baseada na trajetória da dívida pública. O documento também propõe mudanças na reforma tributária, com redução do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e medidas para combater a cumulatividade de tributos.
Outra frente importante é a relação entre Executivo, Congresso e Supremo Tribunal Federal. O programa defende limites para decisões individuais de ministros do STF, com maior exigência de decisões colegiadas, além do fim do foro especial e de mudanças relacionadas à atuação de parentes de magistrados nos tribunais.
O plano também propõe o fim da reeleição para cargos do Executivo e apresenta medidas para combater fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O tema ganhou espaço na campanha, inclusive pela escolha de Alfredo Gaspar, que participou das investigações parlamentares relacionadas ao caso.
Disputa começa com Flávio em segundo nas pesquisas
O cenário eleitoral coloca Flávio Bolsonaro entre os principais nomes da disputa presidencial. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em 5 de agosto, o senador apareceu com 30% das intenções de voto no primeiro turno, atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que registrou 39%. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) tinham 4% cada, enquanto Romeu Zema aparecia com 2%.
Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, o levantamento apontou 44% para Lula e 39% para Flávio, diferença de cinco pontos percentuais. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 31 de julho e 3 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Outro levantamento, da BTG/Nexus, divulgado em 10 de agosto, mostrou Lula com 40% no primeiro turno e Flávio com 35%. Na simulação de segundo turno, os dois apareceram em situação de empate técnico: 47% para Lula e 44% para Flávio.
Já a pesquisa CNT/MDA divulgada em 11 de agosto apresentou cenário mais distante: Lula tinha 42,4% no primeiro turno, contra 28,7% de Flávio. No segundo turno, o presidente aparecia com 48%, ante 39,1% do senador.
Os levantamentos mostram, portanto, um cenário ainda sujeito a oscilações e diferenças metodológicas entre os institutos, sem que uma única pesquisa possa determinar o resultado da eleição.
Crise de filiação abre investigação no TSE
O episódio envolvendo a filiação de Flávio ao Missão acrescentou um elemento inesperado à corrida presidencial. A alteração apareceu justamente no momento em que a campanha tentava concluir o registro da candidatura no sistema eleitoral.
A legislação exige que candidatos estejam filiados a um partido político dentro dos prazos estabelecidos pela Justiça Eleitoral. Por isso, a mudança de legenda poderia criar um problema para a candidatura caso o vínculo com o PL não fosse reconhecido a tempo.
O TSE, entretanto, restabeleceu a filiação ao PL e determinou providências para investigar como as credenciais do Missão foram utilizadas. O tribunal também suspendeu temporariamente o processamento de novas filiações no sistema Filia após o episódio, como medida de segurança.
Com a decisão, Flávio Bolsonaro passa a ter sua candidatura presidencial formalizada no sistema da Justiça Eleitoral, tendo Alfredo Gaspar como vice, pelo PL. O registro, assim como os dados patrimoniais e o plano de governo, pode ser consultado no DivulgaCandContas, plataforma oficial do TSE.
Foto: Reprodução/Senado Federal




















