Após semanas de negociações frustradas com partidos do centrão, senador anuncia deputado alagoano como companheiro de chapa no último dia das convenções partidárias
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) definiu nesta quarta-feira (5) o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente da República em sua chapa para as eleições de 2026. O anúncio encerra semanas de indefinição e confirma uma estratégia que o partido buscava evitar: uma chapa pura, formada exclusivamente por integrantes do Partido Liberal, diante da impossibilidade de firmar alianças nacionais com legendas do centrão.
A escolha foi oficializada no último dia do prazo para a realização das convenções partidárias e representa o desfecho de uma negociação marcada por tentativas frustradas de atrair nomes de outras siglas para ampliar o tempo de propaganda eleitoral e fortalecer a candidatura do PL.
Durante o anúncio, Flávio Bolsonaro afirmou que escolheu um vice com perfil alinhado ao discurso de combate à corrupção e à criminalidade.
“A pessoa que tem que ser o meu vice é aquele vice que não volta para a cena do crime e dá a mão para o criminoso. Então, tenho muita honra de anunciar aqui Alfredo Gaspar”.
Quem é Alfredo Gaspar
Deputado federal por Alagoas desde 2023, Alfredo Gaspar tem 55 anos, é promotor de Justiça licenciado e foi secretário de Segurança Pública de Alagoas antes de ingressar na Câmara dos Deputados. Nos últimos meses ganhou projeção nacional ao relatar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), tema explorado pelo PL como uma das principais críticas ao governo federal.
Na terça-feira (4), Gaspar havia lançado sua pré-candidatura ao Senado por Alagoas, movimento que foi revertido após o convite para integrar a chapa presidencial.
Em seu primeiro discurso como candidato a vice-presidente, o deputado destacou sua trajetória pessoal, agradeceu à família e afirmou que pretende atuar ao lado de Flávio Bolsonaro com “lealdade, gratidão e coragem”.
“Vossa Excelência escolheu uma pessoa simples, nordestina, mas com uma história de muito trabalho e honra. Marcharei ao seu lado para transformar o Brasil em um país justo e decente”, afirmou.
Gaspar também lamentou a ausência do pai, já falecido, e do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Chapa pura evidencia dificuldades de articulação
A definição do vice também expõe as dificuldades enfrentadas pelo PL para construir uma coligação nacional.
Nas últimas semanas, dirigentes do partido negociaram com PP, União Brasil, Republicanos e Podemos, buscando indicar um nome dessas legendas para a vice-presidência. A estratégia tinha como objetivo ampliar a base política da candidatura e garantir maior tempo de televisão durante a campanha.
As conversas, entretanto, não avançaram. As principais legendas do centrão decidiram adotar posição de neutralidade na disputa presidencial, impedindo a formação de uma coligação formal com o PL.
Mesmo sem apoio institucional, lideranças desses partidos manifestaram apoio individual à candidatura de Flávio Bolsonaro. Entre elas estão o presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Tereza Cristina e Daniella Marques ficaram pelo caminho
Antes da definição de Alfredo Gaspar, o PL buscou construir uma chapa que incluísse uma mulher de outro partido.
A ex-ministra da Agricultura e senadora por Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina (PP-MS), chegou a colocar seu nome à disposição para disputar a vice-presidência. No entanto, a direção nacional do PP não autorizou a formalização da aliança.
Outro nome cotado foi o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, recém-filiada ao Republicanos. A avaliação da campanha era de que ela poderia ampliar o diálogo com o mercado financeiro, empresários e o eleitorado feminino. O Republicanos, porém, decidiu não integrar nenhuma chapa presidencial neste pleito.
Estratégia para reduzir rejeição entre mulheres
A campanha de Flávio Bolsonaro também estudava lançar uma mulher como vice para reduzir a rejeição do candidato junto ao eleitorado feminino, estratégia defendida por integrantes do partido desde o início das negociações.
Apesar disso, o anúncio desta quarta-feira foi feito ao lado de diversas lideranças femininas do PL e de partidos aliados. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, contudo, não participou da cerimônia.
A ausência ocorre poucas semanas após um desentendimento público entre Michelle e Flávio Bolsonaro sobre espaço político dentro da campanha. Segundo aliados, os dois já haviam superado o episódio, mas Michelle optou por não comparecer ao evento.
Campanha aposta em apoios regionais
Ao comentar a formação da chapa, Flávio Bolsonaro afirmou que continuará buscando apoio de lideranças políticas de diferentes partidos, mesmo sem coligações nacionais.
Segundo ele, a ausência de alianças formais não impede que governadores, parlamentares e dirigentes partidários façam campanha ao seu lado nos estados.
Foto: Câmara dos Deputados



















