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Obstáculos físicos, tecnológicos, comunicacionais e atitudinais podem impedir acesso a serviços, informação, trabalho e espaços públicos; veja exemplos e como identificar essas barreiras

Acessibilidade não se resume à instalação de rampas ou elevadores. Para pessoas com deficiência, obstáculos presentes em espaços físicos, meios de transporte, serviços, plataformas digitais e até nas atitudes de outras pessoas podem dificultar ou impedir o exercício de direitos e a participação na sociedade.

Esses obstáculos são definidos pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), Lei nº 13.146/2015, como barreiras. A legislação considera barreira qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impeça a participação social da pessoa com deficiência e o exercício de direitos relacionados à acessibilidade, à liberdade de movimento e expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão e à circulação segura.

Na prática, uma calçada sem condições de circulação, um site incompatível com leitor de tela ou uma pessoa que ignora a autonomia de alguém com deficiência podem produzir o mesmo efeito: restringir a participação.

Barreiras podem estar em diferentes lugares

A LBI classifica as barreiras em diferentes categorias: urbanísticas, arquitetônicas, nos transportes, nas comunicações e na informação, atitudinais e tecnológicas.

Elas podem aparecer de forma isolada ou simultaneamente e afetar pessoas com diferentes tipos de deficiência.

Calçadas, prédios e espaços sem acessibilidade

As barreiras arquitetônicas são aquelas encontradas em edifícios e ambientes construídos. Escadas sem uma alternativa acessível, portas estreitas, corredores que dificultam a passagem, ausência de elevadores ou plataformas e banheiros sem adaptação estão entre os exemplos.

Também podem dificultar a circulação a falta de sinalização adequada, pisos inadequados e ambientes com obstáculos no caminho.

A acessibilidade deve ser considerada ainda no planejamento dos espaços. Rampas com inclinação adequada, elevadores, banheiros acessíveis, rotas livres de obstáculos, sinalização tátil e visual e mobiliário adequado permitem que mais pessoas utilizem os ambientes com autonomia e segurança.

O problema, portanto, não está apenas em adaptar um espaço depois de construído, mas em pensar desde o início em diferentes formas de utilização.

Quando a informação não chega a todos

Uma informação também pode ser inacessível. Isso ocorre quando determinado conteúdo é oferecido em apenas um formato que não pode ser utilizado por parte da população.

A ausência de Libras, legendas, audiodescrição, Braille ou linguagem simples, por exemplo, pode dificultar o acesso à comunicação e à informação.

A questão também alcança o ambiente digital. Sites, aplicativos, documentos e conteúdos publicados na internet precisam ser desenvolvidos de forma que possam ser utilizados por pessoas que dependem de leitores de tela, navegação por teclado e outras tecnologias assistivas.

A falta desses recursos pode dificultar tarefas que fazem parte da rotina, como acessar serviços públicos, estudar, procurar emprego, consumir notícias ou utilizar serviços bancários.

Nem toda barreira é visível

Há ainda obstáculos que não podem ser identificados apenas pela estrutura de um prédio ou pela existência de uma rampa.

As barreiras atitudinais estão relacionadas a comportamentos que prejudicam a participação das pessoas com deficiência em condições de igualdade.

Preconceito, discriminação, infantilização, questionamentos injustificados sobre a capacidade de alguém e decisões tomadas sem considerar a vontade da própria pessoa são exemplos.

Outro comportamento que pode criar uma barreira é falar exclusivamente com o acompanhante quando a pergunta ou informação é dirigida à pessoa com deficiência.

A mudança de atitude começa em situações cotidianas. Entre as condutas que contribuem para relações mais acessíveis estão dirigir-se diretamente à pessoa, respeitar sua autonomia e seu tempo, perguntar antes de oferecer ajuda e evitar presumir aquilo que ela consegue ou não fazer.

Acessibilidade beneficia toda a sociedade

A eliminação de barreiras não beneficia apenas as pessoas com deficiência. Recursos criados para ampliar a acessibilidade também podem facilitar a vida de outros grupos.

Rampas e elevadores, por exemplo, podem facilitar a circulação de idosos, gestantes e pessoas com mobilidade reduzida temporariamente. Legendas podem ajudar pessoas em ambientes com muito ruído, enquanto informações claras e objetivas podem facilitar a compreensão por diferentes públicos.

A acessibilidade deve ser considerada no planejamento de espaços, produtos, serviços, tecnologias, informações e formas de atendimento, e não tratada apenas como uma adaptação posterior.

Com informações e imagem do Governo Federal

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