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Perda dos fios tem sido uma das principais dúvidas entre pacientes que utilizam medicamentos para emagrecer, mas causa nem sempre está na medicação

As canetas emagrecedoras revolucionaram o tratamento da obesidade e do sobrepeso nos últimos anos. Com resultados expressivos na perda de peso, medicamentos como a tirzepatida passaram a fazer parte da rotina de milhares de brasileiros. Ao mesmo tempo, um efeito tem chamado a atenção de pacientes e médicos: o aumento da queda de cabelo durante o processo de emagrecimento.

Embora muitas pessoas associem o problema diretamente ao medicamento, especialistas afirmam que a relação não é tão simples quanto parece.

Segundo o médico Dr. Elton Moriya, especialista em Performance e Emagrecimento, não existem evidências científicas sólidas que comprovem que as canetas emagrecedoras provoquem queda de cabelo de forma direta.

“Não existe, até o momento, evidência sólida de que a medicação seja a causa da queda de cabelo de forma direta. Foi observada uma associação das canetas emagrecedoras, como a Tirzepatida, mas os mecanismos da relação causa e efeito ainda não foram comprovados”, explica.

De acordo com o especialista, o que ocorre na maioria dos casos é um quadro conhecido como eflúvio telógeno, uma queda capilar temporária desencadeada pelo estresse metabólico causado pela rápida perda de peso e por possíveis deficiências nutricionais.

“O que de fato acontece, na imensa maioria dos casos, é um fenômeno chamado eflúvio telógeno, uma queda temporária desencadeada não pela molécula em si, mas pela velocidade e magnitude da perda de peso e por eventuais déficits nutricionais associados. Ou seja: o vilão não é a caneta, é o emagrecimento mal-conduzido ou pior sem a supervisão médica adequada”, afirma.

Por que o cabelo cai durante o emagrecimento?

O cabelo passa por diferentes fases de crescimento ao longo da vida. Quando o organismo enfrenta uma situação de estresse intenso, como uma perda de peso acelerada, ele passa a priorizar funções consideradas essenciais para a sobrevivência.

Segundo Moriya, isso afeta diretamente os folículos capilares.”Quando o corpo sofre um estresse metabólico importante e uma perda de peso rápida é exatamente isso, ele entende que precisa priorizar funções vitais e ‘economiza’ energia em estruturas não essenciais, como o folículo capilar”.

O resultado é que um número maior de fios entra precocemente na fase de queda. “Esse estresse empurra um número maior de folículos prematuramente para a fase de telógena, aumentando a queda. É uma resposta fisiológica de adaptação, não uma doença do couro cabeludo”, explica.

Falta de nutrientes agrava o problema

Além da velocidade do emagrecimento, a alimentação inadequada pode potencializar a perda capilar. 

O especialista destaca que muitas pessoas passam a comer menos após o início do tratamento e acabam reduzindo justamente o consumo de proteínas, fundamentais para a formação dos fios.

“O ponto mais subestimado é a proteína. Com a redução acentuada do apetite, muitos pacientes passam a comer pouco e, pior, comem mal, cortam justamente a proteína, que é a matéria-prima da queratina”.

Ele ressalta ainda que deficiências de ferro, zinco e vitamina D são frequentes em processos de emagrecimento acelerado e podem contribuir para o afinamento e a queda dos cabelos.

“Não adianta tratar o cabelo por fora se o paciente está em déficit proteico-calórico por dentro”.

Quando a queda costuma aparecer?

Na maioria dos casos, os sinais surgem alguns meses após o início da perda de peso. “Tipicamente entre dois e quatro meses após o início da perda de peso acelerada”.

Entre os principais sintomas estão o aumento da quantidade de fios no banho, na escova ou no travesseiro, além da percepção de diminuição do volume capilar. “Na prática, os sinais que merecem avaliação são: fios saindo em quantidade visível ao lavar ou pentear, afinamento difuso por todo o couro cabeludo e percepção de redução de volume geral”.

O médico alerta, porém, que quedas localizadas, presença de falhas, inflamações ou descamações devem ser avaliadas por um dermatologista, pois podem indicar outras doenças.

Mulheres e pacientes com predisposição genética exigem atenção maior

Segundo Moriya, alguns grupos parecem ser mais suscetíveis ao problema. “As mulheres parecem ser mais afetadas. Eu acrescentaria o perfil de quem usa doses altas da medicação, quem perde peso muito rápido, quem já tem predisposição genética à calvície e quem não cuida da nutrição durante o processo”.

O especialista afirma que a procura por atendimento relacionado à saúde capilar aumentou paralelamente à popularização dos medicamentos para emagrecimento.

“Eu tenho percebido esse movimento, e ele acompanha um fenômeno global, que é o surgimento das medicações antiobesidade”.

É possível prevenir?

A boa notícia, segundo o médico, é que a queda de cabelo pode ser evitada na maioria dos casos. “No geral sim. A prevenção mora em três pilares: ritmo, proteína e micronutrientes”.

Para ele, a chave está em evitar perdas de peso muito rápidas e garantir acompanhamento profissional durante todo o tratamento.”Emagrecer de forma gradual e sustentável, em vez de buscar o número na balança a qualquer custo, reduz o estresse metabólico que dispara a queda”.

Também é importante monitorar exames laboratoriais e corrigir possíveis carências nutricionais antes que elas provoquem sintomas.

O que fazer se os fios começarem a cair?

Para quem já percebe aumento da queda capilar, a recomendação é manter a calma e buscar avaliação médica. “Primeiro, não entre em pânico, na enorme maioria dos casos existe tratamento”.

Ele alerta para os riscos da automedicação e do uso indiscriminado de suplementos divulgados nas redes sociais. “Segundo, não saia comprando suplementos por conta própria nem fórmulas que prometem milagre; suplementar ferro ou zinco sem deficiência comprovada não ajuda e pode até prejudicar”.

Segundo Moriya, o tratamento deve ser direcionado para a causa do problema. “A base do tratamento é corrigir a causa. Significa reequilibrar a nutrição, repor o que está em déficit e desacelerar a perda de peso se ela estiver agressiva demais”.

Planejamento é a palavra-chave

Para quem está iniciando o uso das canetas emagrecedoras, o especialista recomenda incluir a saúde capilar no planejamento desde o começo. “Eu prefiro trocar a palavra ‘preocupar’ por ‘se planejar’. Preocupação gera ansiedade; planejamento gera resultado”.

Segundo ele, emagrecer e manter os cabelos saudáveis não são objetivos incompatíveis. “O recado final é: emagrecer e ter cabelo saudável não são objetivos concorrentes, eles caminham juntos quando o processo é conduzido por profissionais sérios”, conclui. 

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