Busca por proteína mais acessível impulsiona mercado, enquanto produtores registram aumento da rentabilidade e avanço das exportações
O consumo de ovos no Brasil deve atingir um novo recorde em 2026. A expectativa é que cada brasileiro consuma, em média, 307 ovos ao longo do ano, volume 6,6% superior ao registrado em 2025. O crescimento reflete a consolidação do alimento como uma das principais fontes de proteína da dieta nacional, impulsionado pelo alto valor nutricional e pelo custo mais acessível em comparação com outras proteínas de origem animal.
Os dados fazem parte de um estudo elaborado pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), vinculado ao Banco do Nordeste (BNB), que também aponta um cenário favorável para os produtores, com melhora da rentabilidade e expansão da atividade em diferentes regiões do país.
O levantamento mostra que o Brasil mantém posição de destaque entre os maiores produtores mundiais de ovos. Em 2025, a produção nacional alcançou 59,44 bilhões de unidades, equivalente a cerca de 4,95 bilhões de dúzias, crescimento de 5,7% em relação ao ano anterior.
A maior parte dessa produção permanece no mercado interno. Segundo o estudo, cerca de 98,6% dos ovos produzidos no país são consumidos pelos próprios brasileiros, evidenciando a força da demanda doméstica.
Ovos ganham espaço na mesa dos brasileiros
O avanço do consumo está diretamente relacionado às mudanças nos hábitos alimentares e ao aumento da procura por alternativas nutritivas com melhor custo-benefício.
Com preços frequentemente inferiores aos de carnes bovina, suína e até mesmo de algumas variedades de frango, o ovo se consolidou como uma opção acessível para milhões de famílias. Além disso, nutricionistas destacam que o alimento é rico em proteínas, vitaminas e minerais essenciais para a alimentação.
O cenário também favorece restaurantes, padarias, confeitarias e indústrias alimentícias, que utilizam o produto como matéria-prima em larga escala.
Rentabilidade melhora para produtores
Além do aumento da demanda, os produtores têm encontrado um ambiente econômico mais favorável em 2026.
De acordo com o estudo, os principais insumos utilizados na atividade, como milho e farelo de soja, apresentaram estabilidade ou redução de preços nos primeiros meses do ano. Ao mesmo tempo, o valor pago pela caixa de ovos registrou alta superior a 30%.
A combinação entre custos mais controlados e preços mais elevados ampliou as margens de lucro da atividade, fortalecendo investimentos em tecnologia, ampliação de granjas e modernização dos sistemas produtivos.
Especialistas apontam que o setor vive um momento de equilíbrio entre oferta e demanda, o que contribui para a sustentabilidade econômica da cadeia produtiva.
Nordeste amplia participação na produção nacional
O Nordeste vem consolidando sua posição como uma das regiões mais importantes para a avicultura de postura no país.
Em 2025, a produção regional alcançou 10,83 bilhões de ovos, crescimento de 6,75% em comparação com o ano anterior. O resultado representa aproximadamente 18% de toda a produção brasileira.
Estados como Pernambuco, Ceará e Bahia lideram a atividade na região e concentram investimentos em tecnologia, infraestrutura e ampliação da capacidade produtiva.
Na Bahia, por exemplo, a produção atingiu 22,9 milhões de dúzias no quarto trimestre de 2025. O estado responde por quase 10% da produção nordestina e mantém trajetória de expansão, especialmente em municípios do interior.
Segundo o Banco do Nordeste, o crescimento da atividade está relacionado à maior disponibilidade de insumos agrícolas em regiões produtoras de grãos, como o Matopiba, área que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e a região da Sealba, formada por Sergipe, Alagoas e o nordeste baiano.
Exportações avançam em ritmo acelerado
Embora o mercado interno continue sendo o principal destino da produção brasileira, as exportações também registram forte crescimento.
Dados do Etene mostram que o Nordeste ampliou em 157,2% o volume exportado de ovos de consumo durante o primeiro quadrimestre de 2026. Em receita, o crescimento foi de 136,7% no mesmo período.
O desempenho reforça o potencial de expansão internacional da cadeia produtiva brasileira, que vem conquistando novos mercados e ampliando sua competitividade no exterior.
Perspectiva positiva para o setor
A combinação entre consumo crescente, rentabilidade elevada, modernização tecnológica e avanço das exportações coloca a avicultura de postura entre os segmentos mais promissores do agronegócio brasileiro em 2026.
Com a demanda interna aquecida e perspectivas favoráveis para novos investimentos, o setor projeta mais um ano de expansão, consolidando o ovo como um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros e uma importante fonte de geração de renda no campo.
Com informações e imagem do Governo Federal





















