Redução do consumo de água nos dias frios pode causar cansaço, dores de cabeça, ressecamento da pele e aumentar o risco de problemas renais e respiratórios
Com a chegada das baixas temperaturas, um hábito comum entre os brasileiros pode trazer consequências para a saúde: beber menos água. A diminuição da sensação de sede durante o inverno leva muitas pessoas a reduzirem o consumo de líquidos sem perceber, aumentando o risco de desidratação e seus efeitos sobre o organismo.
Embora a necessidade de hidratação seja frequentemente associada aos dias quentes, especialistas alertam que o corpo continua perdendo água mesmo durante o frio, seja pela respiração, pela transpiração ou pela eliminação de líquidos por meio da urina.
Segundo o médico e coordenador do curso de Medicina da Faculdade Pitágoras, José Ricardo Scalise, a menor percepção da sede não significa que o organismo precise de menos água.
“A diminuição da sede durante o inverno é uma resposta natural do organismo, mas isso não reduz a necessidade de hidratação. O corpo continua perdendo líquidos diariamente e a desidratação pode provocar consequências importantes para a saúde”, explica.
A preocupação ganha ainda mais relevância em períodos de frio intenso, quando as pessoas tendem a permanecer mais tempo em ambientes fechados e aquecidos, muitas vezes sem perceber os sinais iniciais da falta de hidratação.
Desidratação pode passar despercebida
Diferentemente do verão, quando o calor e a transpiração estimulam a ingestão frequente de líquidos, no inverno a desidratação costuma ocorrer de forma silenciosa.
Os primeiros sintomas incluem boca seca, cansaço, tontura, dor de cabeça, dificuldade de concentração e urina mais escura. Em situações mais graves, a falta de água pode comprometer o funcionamento de órgãos importantes e agravar condições de saúde já existentes.
Especialistas destacam que idosos e crianças merecem atenção especial, já que muitas vezes apresentam menor percepção da sede e podem demorar mais para identificar os sinais de desidratação.
Água ajuda a proteger contra doenças respiratórias
O inverno também é o período do ano marcado pelo aumento dos casos de gripes, resfriados e outras infecções respiratórias.
Manter o organismo hidratado contribui para a preservação da umidade das mucosas do nariz, da garganta e das vias aéreas, estruturas que funcionam como uma barreira natural contra vírus, bactérias e outros agentes infecciosos.
Quando essas superfícies ficam ressecadas, o sistema de defesa do organismo pode perder parte de sua eficiência, facilitando a instalação de doenças respiratórias.
Pele sofre com frio e baixa umidade
Outro impacto comum da redução do consumo de água aparece na pele.
A combinação entre temperaturas baixas, baixa umidade do ar, vento frio e banhos muito quentes favorece o ressecamento da pele, problema que costuma se intensificar durante os meses de inverno.
A hidratação adequada auxilia na manutenção da barreira cutânea, reduzindo sintomas como coceira, descamação, irritação e sensação de pele repuxando.
Rins dependem da ingestão de líquidos
A água também desempenha papel fundamental no funcionamento dos rins.
A redução do consumo de líquidos pode dificultar a eliminação de substâncias pelo organismo, aumentando o risco de formação de cálculos renais e de outras complicações relacionadas ao sistema urinário.
Além de contribuir para a filtragem do sangue, a hidratação adequada ajuda a manter o equilíbrio de sais minerais e o funcionamento adequado de diversos sistemas do corpo.
Mais disposição e melhor desempenho
Mesmo quadros leves de desidratação podem afetar o desempenho físico e mental.
A falta de água interfere na regulação da temperatura corporal, no transporte de nutrientes e no funcionamento do cérebro e dos músculos. Como consequência, a pessoa pode apresentar menor capacidade de concentração, fadiga, sonolência e redução da produtividade ao longo do dia.
Segundo especialistas, manter uma ingestão adequada de líquidos é uma medida simples que contribui diretamente para o bem-estar e a qualidade de vida.
Quanto de água é necessário?
Não existe uma quantidade exata válida para todas as pessoas. A necessidade diária varia de acordo com fatores como idade, peso, rotina de atividades físicas, condições de saúde e características climáticas.
De forma geral, o Ministério da Saúde recomenda atenção ao consumo regular de líquidos ao longo do dia. Para muitos adultos, cerca de dois litros diários podem atender às necessidades do organismo, embora algumas pessoas necessitem de volumes maiores.
Nos dias frios, uma alternativa para quem tem dificuldade em consumir água gelada é optar por água em temperatura ambiente, além de incluir chás sem açúcar, sopas, caldos, frutas e legumes ricos em água na alimentação.
A orientação dos especialistas é não esperar o surgimento da sede para beber água. O ideal é criar uma rotina de hidratação, distribuindo pequenas quantidades de líquidos ao longo do dia para garantir o funcionamento adequado do organismo durante toda a estação.
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