Campanha de Lula questiona remoção de vídeo no Instagram e aponta possível diferença na distribuição de conteúdos entre os candidatos
A dois dias do segundo turno das eleições presidenciais, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cobrou explicações das plataformas Meta e X sobre o alcance de publicações políticas e os critérios usados para remover conteúdos. A medida atende a questionamentos da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que suspeita de diferenças no tratamento dado a materiais relacionados ao presidente e ao adversário Flávio Bolsonaro (PL).
O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, estabeleceu prazo de 24 horas para que as empresas apresentem informações sobre o funcionamento desses mecanismos. O caso ganhou destaque após a retirada de um vídeo com críticas a Flávio Bolsonaro do Instagram, na quinta-feira (22).
A publicação integra o projeto Revelando, apresentado pelo artista MC Cabelinho. Segundo as informações apresentadas pela campanha de Lula, o conteúdo foi removido pouco depois de ser publicado, sob justificativa de uso excessivo de inteligência artificial.
Ao analisar o episódio, Cueva afirmou que a proximidade da votação exige esclarecimentos rápidos. O ministro determinou que a Meta encaminhe o vídeo para uma nova análise, feita por um revisor humano.
A decisão, entretanto, não representa o reconhecimento de que houve favorecimento político. Cueva ressaltou que os elementos disponíveis até agora não permitem concluir que o material recebeu “tratamento diferenciado em razão de sua orientação político- eleitoral”.
Disputa envolve anúncios e ferramenta de inteligência artificial
A representação apresentada pela campanha de Lula também questiona a distribuição de anúncios pagos pelas candidaturas. A alegação é de que publicações ligadas ao presidente teriam alcance inferior ao de conteúdos associados a Flávio Bolsonaro.
A defesa ainda aponta possíveis diferenças na circulação de materiais políticos entre os candidatos. As alegações fazem parte do processo em análise no TSE e não constituem, até o momento, comprovação de favorecimento por parte das empresas.
Outro ponto envolve o Grok, ferramenta de inteligência artificial disponível no X. A campanha afirma que o sistema apresenta respostas diferentes quando recebe perguntas semelhantes sobre Lula e Flávio Bolsonaro.
Procurada no âmbito do processo, a Meta negou, nesta semana, tratamento desigual entre as candidaturas e declarou que respeita as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral. As informações foram apresentadas ao presidente do TSE, ministro Nunes Marques.
Reunião com plataformas ocorre nesta sexta-feira
Também nesta sexta-feira (23), Nunes Marques deve se reunir com representantes de grandes redes sociais, entre elas Instagram, Facebook, TikTok e Kwai. O encontro está previsto para ocorrer antes do segundo turno, marcado para domingo (25).
A discussão sobre a distribuição de conteúdo nas redes ganha relevância na reta final da campanha, quando publicações, anúncios e ferramentas de inteligência artificial podem influenciar a circulação de informações entre os eleitores.
A apuração do TSE busca esclarecer como as plataformas aplicaram seus critérios de moderação no caso apresentado e quais mecanismos utilizam para distribuir conteúdo político. A análise das denúncias, porém, ainda não permite afirmar que houve tratamento desigual entre os candidatos.
Com informações da Agência Brasil
















