Tempestade de quinta-feira derrubou árvores, danificou estruturas, afetou o fornecimento de energia e registrou ventos superiores a 80 km/h; CEMTEC prevê mais chuva, rajadas fortes e possibilidade de granizo nesta sexta
O temporal que atingiu Campo Grande no fim da tarde desta quinta-feira (10) deixou um rastro de estragos pela capital e aumentou a preocupação para esta sexta-feira (11), quando Mato Grosso do Sul ainda estará sob influência de áreas de instabilidade. A previsão indica novas pancadas de chuva, possibilidade de tempestades, granizo, raios e rajadas de vento que podem superar os 80 km/h.
Na tempestade de quinta, os ventos ultrapassaram os 83 km/h em Campo Grande, segundo registros meteorológicos, enquanto dados do CEMTEC apontaram rajadas de 84,2 km/h em áreas próximas ao Shopping Campo Grande, Carandá Bosque e Aeroporto. O temporal também foi acompanhado por forte atividade elétrica e granizo em diferentes regiões da cidade.
Em apenas 28 minutos, a região do Carandá Bosque acumulou 24,4 milímetros de chuva. A força da tempestade derrubou árvores, danificou telhados, placas, fachadas e estruturas comerciais, além de provocar interrupções no fornecimento de energia em vários pontos da capital.
Entre os locais atingidos está o Hospital Universitário, onde uma árvore de grande porte caiu sobre veículos no estacionamento destinado aos funcionários. Pelo menos quatro carros foram danificados.
Outro caso ocorreu na Avenida Afonso Pena, em frente ao Bioparque Pantanal. Uma árvore caiu sobre um poste, derrubando a estrutura e espalhando fios elétricos sobre um veículo. Uma motorista ficou presa dentro do carro até que a equipe responsável confirmasse o desligamento da rede.
A região central também foi afetada. Na Esplanada Ferroviária, parte da estrutura da Galeria de Vidro teve a cobertura destruída e cabos energizados ficaram no local, levando a Guarda Civil Metropolitana a isolar a área. A falta de energia também fez a Feira Central encerrar as atividades antes do horário previsto.
Veja o vídeo completo: https://www.instagram.com/reel/DdH_SE8uFVU/?utm_source=ig_web_copy_link&stkn=MzRlODBiNWFlZA==
O temporal ainda provocou a queda de um grande letreiro do Fort Atacadista sobre a Avenida Presidente Ernesto Geisel. Houve registros de árvores sobre veículos, danos em telhados e estruturas e problemas em diferentes bairros.
Veja o vídeo completo: https://www.instagram.com/reel/DdH6Quhubdv/?utm_source=ig_web_copy_link&stkn=MzRlODBiNWFlZA==
Unidades de saúde também sofreram com a tempestade. Na UPA Universitário, parte do teto foi danificada, enquanto outros pontos da cidade registraram transtornos provocados pela chuva, pelo vento e pela interrupção da energia.
Mais de 200 mil descargas atmosféricas em MS
A intensidade da tempestade também chamou atenção pela quantidade de raios. Dados da NetClima indicaram mais de 214 mil descargas atmosféricas em Mato Grosso do Sul durante o episódio.
Somente em Campo Grande, entre 17h e 18h, foram registradas 5.270 descargas atmosféricas, segundo a Energisa. Outro levantamento apontou 3.095 raios em um intervalo de apenas 36 minutos durante a passagem da tempestade.
Com a força do vento, árvores, galhos, placas, telhados e outros objetos foram lançados contra a rede elétrica, provocando rompimento de cabos, quebra e queda de postes e outros danos à infraestrutura.
Energia começa a ser restabelecida
A Energisa mobilizou equipes durante toda a noite para recuperar o fornecimento de energia nos pontos afetados.
Às 00h20 desta sexta-feira, cerca de 64% dos clientes impactados já haviam sido restabelecidos. No boletim divulgado às 5h30, o percentual havia subido para aproximadamente 77%.
A concessionária informou ainda que ampliou em quatro vezes o número de equipes mobilizadas para os trabalhos e que profissionais de outros estados estão sendo deslocados para reforçar o atendimento em Campo Grande.
Os serviços essenciais, como hospitais, foram priorizados durante as manobras de restabelecimento.
Segundo a empresa, em alguns locais será necessária a reconstrução completa da rede devido à quebra de postes e ao rompimento de cabos. O trabalho continuava na manhã desta sexta-feira.
A orientação é para que moradores não se aproximem de fios partidos ou caídos sobre ruas, calçadas, veículos ou imóveis. A Energisa também alerta para que ninguém tente retirar objetos da rede por conta própria.
Governo acompanha estragos
Diante dos impactos provocados pelo temporal, o Governo de Mato Grosso do Sul informou que está acompanhando a situação e colocou a Defesa Civil Estadual à disposição da Prefeitura de Campo Grande para atuação conjunta.
A prioridade, segundo o Estado, é apoiar as equipes que trabalham no restabelecimento dos serviços e na redução dos impactos para a população. O governo também informou que irá avaliar com o município as próximas medidas que poderão ser adotadas.
Sexta-feira ainda terá risco de tempestades
Apesar dos estragos provocados pela tempestade de quinta-feira, o cenário de instabilidade não deve terminar nesta sexta.
De acordo com a previsão do CEMTEC/SEMADESC, Mato Grosso do Sul terá nesta sexta-feira (11) períodos de sol e variação de nebulosidade, mas o avanço de um amplo cavado atmosférico, associado ao transporte intenso de calor e umidade, deve aumentar a instabilidade.
A combinação desses fatores pode provocar chuvas de intensidade moderada a forte, raios, rajadas de vento e eventual queda de granizo.
Os maiores volumes de chuva são esperados principalmente nas regiões Centro-Sul, Sudeste e Leste, onde os acumulados podem superar 50 milímetros em 24 horas.
Os ventos devem soprar predominantemente dos quadrantes norte e noroeste, com velocidades entre 60 km/h e 70 km/h e rajadas que podem passar de 80 km/h.
O cenário reforça o alerta para novos transtornos, especialmente em áreas que ainda estão com estruturas danificadas ou com serviços de energia em recuperação.
A Defesa Civil de Campo Grande já havia elevado o alerta para tempestades, com previsão de chuva entre 30 e 60 milímetros por hora, ou de até 100 milímetros em 24 horas, além de ventos intensos. O aviso também aponta risco de queda de árvores, alagamentos e interrupções no fornecimento de energia



















