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A procura por tratamento para parar de fumar na rede pública de saúde cresceu de forma expressiva nos últimos anos. Em 2025, mais de 2,5 milhões de brasileiros buscaram atendimento relacionado ao tabagismo nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do país, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde.

O número representa um aumento de 95% em relação a 2022, quando foram registrados cerca de 1,2 milhão de atendimentos. O avanço ocorre em meio à ampliação das ações de prevenção e tratamento do tabagismo no Sistema Único de Saúde (SUS) e ao crescimento das preocupações com o uso de cigarros eletrônicos, especialmente entre jovens.

Os dados foram divulgados às vésperas do Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, data criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientizar a população sobre os riscos do consumo de produtos derivados do tabaco e da nicotina.

Segundo o Ministério da Saúde, o aumento da procura reflete tanto a expansão da rede de atendimento quanto uma maior conscientização da população sobre os impactos do tabagismo na saúde.

Ações de prevenção também avançam

Além dos atendimentos individuais, as atividades coletivas voltadas para fumantes também registraram crescimento significativo.

Entre 2022 e 2025, o número de ações educativas, rodas de conversa e grupos de apoio realizados nas UBSs saltou de 61,9 mil para 157,1 mil. No mesmo período, o total de participantes passou de aproximadamente 1 milhão para 2,1 milhões de pessoas.

As iniciativas fazem parte da estratégia do SUS para ampliar o acesso à informação e estimular a cessação do tabagismo por meio do acompanhamento contínuo dos pacientes.

Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o aumento da procura demonstra que mais brasileiros estão buscando ajuda especializada para abandonar o vício.

“Ampliar o acesso ao tratamento do tabagismo é salvar vidas. Os dados mostram que mais brasileiros estão procurando ajuda e que o SUS está preparado para acolher essa demanda”, afirmou.

Expansão da atenção básica impulsiona atendimento

O crescimento da procura também acompanha a ampliação da estrutura da Atenção Primária à Saúde.

De acordo com o Ministério da Saúde, o número de equipes e serviços com financiamento federal passou de 82,5 mil, em 2022, para 104,3 mil atualmente.

O reforço inclui novas equipes de Saúde da Família, Equipes Multiprofissionais (eMulti) e serviços especializados em saúde bucal, ampliando a capacidade de atendimento nos municípios.

A expectativa do governo é que a expansão facilite o acesso da população aos programas de combate ao tabagismo e fortaleça o acompanhamento dos pacientes ao longo do tratamento.

Cigarro eletrônico preocupa autoridades

Enquanto cresce a busca por tratamento, o avanço do uso de dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como vapes, acende um alerta entre especialistas.

O Ministério da Saúde destaca que os cigarros eletrônicos têm conquistado espaço principalmente entre adolescentes e jovens adultos, impulsionados por estratégias de marketing que exploram sabores variados, design moderno e aparência tecnológica.

Embora frequentemente apresentados como alternativas menos nocivas ao cigarro tradicional, estudos apontam que os dispositivos também oferecem riscos à saúde.

Entre os possíveis efeitos estão dependência de nicotina, doenças respiratórias, problemas cardiovasculares, lesões pulmonares, além de sintomas como tosse, náuseas, tonturas e dores de cabeça.

Dados do Vigitel 2024 mostram que a proporção de adultos que fumam ou utilizam cigarros eletrônicos passou de 11,3% em 2019 para 13,1% em 2024. Entre jovens de 18 a 24 anos, o uso atingiu 10,1%, o maior índice já registrado para essa faixa etária.

Tratamento é gratuito

O SUS oferece tratamento gratuito para pessoas que desejam abandonar o cigarro.

O atendimento pode ser realizado individualmente ou em grupos especializados, utilizando abordagens baseadas em técnicas cognitivo-comportamentais reconhecidas internacionalmente.

Quando necessário, o tratamento pode ser associado ao uso de medicamentos fornecidos gratuitamente pela rede pública, como adesivos, gomas e pastilhas de nicotina, além da bupropiona.

Especialistas destacam que a combinação entre acompanhamento profissional e suporte medicamentoso aumenta significativamente as chances de sucesso na interrupção do tabagismo.

Campanha mira indústria da nicotina

Neste ano, a campanha da OMS para o Dia Mundial sem Tabaco tem como tema “Desmascarando o apelo – combatendo a dependência de nicotina e tabaco”.

A proposta é alertar sobre as estratégias utilizadas pela indústria para atrair novos consumidores, especialmente adolescentes e jovens, por meio de produtos com sabores atrativos, embalagens modernas e recursos tecnológicos.

As autoridades de saúde avaliam que, apesar dos avanços conquistados pelo Brasil no combate ao tabagismo nas últimas décadas, o crescimento do uso de cigarros eletrônicos representa um novo desafio para as políticas públicas de prevenção e controle da dependência de nicotina.

Com informações e imagem do Governo Federal

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