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A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) definiu em 5,11% o teto de reajuste anual para os planos de saúde individuais e familiares. O percentual, aprovado nesta sexta-feira (29), é o menor autorizado pela agência reguladora desde 2021, ano em que houve reajuste negativo em razão dos efeitos da pandemia de Covid-19 sobre o uso dos serviços de saúde.

O índice valerá para cerca de 7,7 milhões de beneficiários em todo o país, o equivalente a 14,5% dos mais de 52 milhões de usuários de planos de assistência médica registrados no Brasil. A medida se aplica aos contratos individuais e familiares regulamentados, firmados a partir de janeiro de 1999 ou adaptados à Lei dos Planos de Saúde.

Na prática, o reajuste estabelece o limite máximo que as operadoras podem aplicar nas mensalidades ao longo dos próximos 12 meses. A cobrança só pode ocorrer no mês de aniversário de cada contrato.

Segundo a ANS, o percentual busca equilibrar a necessidade de manter a sustentabilidade financeira das operadoras com a capacidade de pagamento dos consumidores.

“Esse é o reajuste mais baixo já definido pela ANS, com exceção do período pós-pandemia, trazendo alívio para milhões de brasileiros que dependem do plano de saúde para atendimento médico”, afirmou o diretor-presidente da agência, Wadih Damous.

Aumento fica abaixo dos índices recentes

O percentual de 2026 representa uma desaceleração em relação aos reajustes registrados nos últimos anos, período marcado pela retomada da demanda por consultas, exames e procedimentos após a pandemia.

A definição do teto ocorre em um momento de pressão econômica sobre as famílias brasileiras, que enfrentam aumento de despesas em áreas como alimentação, educação e habitação.

Especialistas avaliam que o índice mais moderado pode reduzir o risco de cancelamento de contratos individuais, modalidade que vem perdendo espaço no mercado nos últimos anos devido aos custos crescentes.

Como o cálculo é feito

Desde 2019, a ANS utiliza uma metodologia que combina a evolução dos custos médicos e hospitalares com indicadores econômicos.

O cálculo considera dois fatores principais: o Índice de Valor das Despesas Assistenciais (IVDA), que mede a variação dos gastos das operadoras com atendimento aos beneficiários, e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), excluindo o item plano de saúde.

O peso maior fica com as despesas assistenciais, responsáveis por 80% da composição do índice. Os 20% restantes refletem custos administrativos e operacionais das empresas.

De acordo com a agência reguladora, as despesas assistenciais por beneficiário cresceram 8,32% em 2025 na comparação com o ano anterior. O aumento foi impulsionado pela maior utilização dos serviços de saúde, envelhecimento da população e incorporação de novos procedimentos e tecnologias ao rol de cobertura obrigatória.

Quando o reajuste começa a valer

A aplicação do índice não ocorre de forma automática para todos os contratos.

Cada operadora poderá aplicar o reajuste apenas no mês de aniversário do plano. Para contratos com aniversário em maio ou junho, a cobrança poderá começar em julho ou agosto, com eventual cobrança retroativa ao mês de referência.

A orientação da ANS é que os consumidores acompanhem os boletos e verifiquem se o percentual aplicado não ultrapassa o limite autorizado de 5,11%.

Quem pode mudar de plano

Para consumidores insatisfeitos com o valor da mensalidade ou com os serviços oferecidos, a ANS lembra que existe a possibilidade de realizar a portabilidade de carências, mecanismo que permite a troca de operadora sem a necessidade de cumprir novos períodos de espera para procedimentos já cobertos.

A mudança pode ser feita desde que sejam atendidos os critérios estabelecidos pela agência, como compatibilidade entre os planos e tempo mínimo de permanência no contrato atual.

Com o reajuste mais baixo dos últimos anos, a expectativa do setor é reduzir a pressão sobre os orçamentos familiares sem comprometer a oferta de serviços de saúde suplementar, que atende aproximadamente um quarto da população brasileira.

Com informações do Governo Federal

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